Depressão subtropical a caminho da Madeira: o que a distingue de Bruna, quando afetará o arquipélago e efeitos previstos

Enquanto a depressão Bruna vai afetando o Centro e Sul de Portugal continental este domingo, 8 de novembro, os mapas indicam a possibilidade de, uma outra depressão, do tipo subtropical e formada a nordeste de Cuba, afetar o arquipélago da Madeira dentro de poucos dias.
Prevê-se que, dentro de poucos dias, exista a possibilidade da referida baixa pressão subtropical entrar em ação, condicionando o estado do tempo em Portugal com vento e chuva abundante, inicialmente no arquipélago da Madeira, e mais tarde, quiçá, no Sul de Portugal continental (possivelmente Algarve?), onde alimentaria a chuva das frentes geradas por Bruna.

Além disto, não se exclui a possibilidade desta baixa subtropical alcançar outras zonas do Sul da Europa (áreas do sul e leste de Espanha, Ilhas Baleares, Córsega, Sardenha e algumas outras porções de França e Itália. Mais tarde, quiçá algo modificada, não se descarta que alcance outras zonas da Europa Central.
Ainda agora Bruna passou… e dentro de 48 a 72 horas não se exclui a passagem de uma nova depressão na Madeira
Entre os dias 10 e 11 de novembro (terça e quarta-feira), os mapas de referência da Meteored, baseados no modelo que inspiram a nossa maior confiança (ECMWF - Europeu), antecipam a possibilidade de uma nova depressão atingir o arquipélago da Madeira, desta feita com características subtropicais e, por isso, diferente de Bruna em termos de estrutura térmica, tipologia de frentes e principal fonte de energia.

Num curto período de tempo o arquipélago da Madeira poderá então sujeitar-se novamente a efeitos meteorológicos adversos: seria a segunda depressão num intervalo de somente 4 dias.
Como estamos cada vez mais próximos do início deste episódio de tempo instável, tudo indica que a baixa subtropical realmente irá condicionar o tempo na Madeira, principalmente com precipitação e trovoadas, mas também com rajadas pontualmente fortes e um agravamento da agitação marítima entre terça (10) e quarta-feira (11). Este cenário, todavia, ainda carece de confirmação.
De momento, o modelo Europeu prevê, especialmente quanto à chuva, que o impacto mais significativo da passagem da depressão subtropical no arquipélago da Madeira possa ocorrer algures entre a tarde e noite de terça-feira (10) e a madrugada e manhã de quarta-feira (11), apesar da insistência do modelo, com alguma frequência, que as horas mais críticas ocorram na primeira metade de quarta-feira, 11 de novembro.
La borrasca Bruna, en el Atlántico, impulsa vientos húmedos, con lluvias abundantes este domingo y lunes en el oeste peninsular. ️ Entre martes y miércoles el paso de una pequeña baja de procedencia subtropical podría provocar precipitaciones intensas y vientos muy fuertes. https://t.co/4Om4m8ET6l
— AEMET (@AEMET_Esp) November 8, 2026
Caso este cenário de potenciais fenómenos meteorológicos adversos se confirme nesta região insular portuguesa, não se exclui que a depressão subtropical possa ser nomeada, possivelmente pelo IPMA ou pela AEMET.
Este cenário - que vinha sendo avançado por alguns cenários probabilísticos do ECMWF e de outros modelos de previsão importantes - foi entretanto confirmado pela AEMET - instituto de meteorologia espanhol e autoridade máxima da meteorologia em Espanha.
O que distingue a depressão subtropical formada a nordeste de Cuba da depressão Bruna?
De seguida, neste artigo, analisaremos então as características que distinguem Bruna - uma depressão atlântica relativamente comum, mas com características invulgares, ao ser “munida” por um rio de humidade que a torna mais instável e age como um “combustível” para as chuvas - e a depressão subtropical híbrida que poderá condicionar o tempo no arquipélago da Madeira, Ilhas Canárias e provavelmente diversas zonas do Sul da Europa Continental.
Primeiro, a sua origem e trajetória. Esta baixa pressão subtropical nasceu em latitudes mais baixas (subtropicais), formando-se então na região das Caraíbas, a nordeste de Cuba - tal como referimos anteriormente - e sobre águas oceânicas muito mais quentes à superfície.

A baixa pressão subtropical apresenta um carácter híbrido, precisamente porque possui um núcleo térmico quente e frio (quente à superfície e frio em altitude), distinguindo-se por isso das típicas baixas pressões atlânticas, que possuem um núcleo totalmente frio em todas as camadas atmosféricas.
Visualmente, verifica-se outra característica presente na imagem de satélite na parte superior do artigo e nos mapas da Meteored Portugal que a confirmam como uma baixa pressão híbrida e subtropical: a extensa massa de nuvens arredondadas e precipitação em torno de um “olho” difuso da depressão, e não o típico sistema de frentes (frias, e/ou quentes e/ou oclusas) que rodeiam o centro da depressão, como acontece com Bruna e outras depressões formadas nas latitudes médias e altas do Atlântico Norte.

Adicionalmente, também se observa que os ventos mais fortes da baixa subtropical híbrida se situam afastados do centro, diferentemente das típicas depressões atlânticas como Bruna, em que o campo de vento é muito mais amplo e associado à progressão das frentes.
Por último, a fonte de energia. Bruna contém ar polar a oeste do seu centro depressionário e ar quente e húmido no flanco oriental e meridional (rio atmosférico), com a intensificação das frentes de chuva e do vento a gerarem-se maioritariamente a partir do contraste térmico e cinético entre estas diferentes massas de ar.

Já a depressão subtropical, que parece estar encaminhada para a Madeira entre os dias 10 e 11 de novembro, irá ser alimentada por uma fonte de energia mista. Isto é, pelo calor libertado pelas trovoadas, dado que existe um maior potencial para precipitação convectiva gerada em torno do olho difuso da baixa pressão híbrida - como também pela instabilidade do ar frio presente em altitude e pela presença de águas oceânicas relativamente quentes, especialmente na fase inicial do seu trajeto.
Próximas atualizações fulcrais para compreender a intensidade e distribuição dos efeitos na Madeira
A posição e trajetória desta nova depressão, do tipo subtropical, ainda apresentam incerteza. Deste modo, torna-se essencial continuar a acompanhar as próximas atualizações dos modelos meteorológicos, das nossas previsões aqui na Meteored Portugal, bem como os avisos oficiais do IPMA.
Em termos de intensidade e distribuição espacial, a concretização dos valores previstos de chuva acumulada, vento e agitação marítima no arquipélago da Madeira devem, contudo, ser interpretados com cautela, dado que dependerão da posição e da trajetória que a depressão subtropical venha, por fim, a adquirir.