Ciclogénese explosiva agita o Atlântico Norte: esta será a única região de Portugal afetada pela chuva e vento fortes

Uma depressão vai intensificar-se de forma extraordinária nas próximas horas no Atlântico Norte. Portugal escapará praticamente incólume à chuva e vento fortes… exceto esta região. Saiba todos os pormenores aqui!

Ao longo dos próximos dias uma profunda depressão atlântica irá intensificar-se rapidamente no norte do Atlântico, num processo conhecido como ciclogénese explosiva.

A depressão já está a ganhar forma no Atlântico Norte, mas a sua evolução nas próximas horas será particularmente notável. À medida que a depressão for progredindo para norte, começará a intensificar-se muito rapidamente, com uma descida acentuada da pressão no seu núcleo, aprofundando-se de forma explosiva a sul da Islândia.

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As últimas simulações do modelo europeu preveem para as 16 horas desta terça-feira, 22 de setembro, que o centro da baixa pressão apresente uma pressão de cerca de 1007 hPa, ainda sem grande cavamento. Contudo, 24 horas mais tarde, amanhã quarta-feira 23 de setembro às 16 horas, o mínimo já estará situado em torno dos 977 hPa, com as isóbaras cada vez mais próximas umas das outras em torno do centro da depressão. Isto traduzir-se-á num aumento significativo do gradiente de pressão e, consequentemente, dos ventos associados ao sistema.

Estamos perante uma ciclogénese explosiva, termo utilizado para descrever um aprofundamento excecionalmente rápido de uma depressão extratropical. Normalmente, considera-se que este processo ocorre quando a pressão central baixa cerca de 24 hPa ou mais em 24 horas.

Portugal continental e Madeira ainda ‘escudados’ pelo anticiclone, Açores à mercê dos efeitos da depressão

O rápido aprofundamento da depressão terá também consequências nos níveis altos da atmosfera, fazendo com que o jato polar se reorganize e se desloque para latitudes mais setentrionais. A deslocação do jato para norte será essencial para perceber o que irá ocorrer mais a sul.

23:00 horas de quarta-feira, 23 de setembro. Uma ciclogénese explosiva plenamente formada e situada a sul da Islândia, com frente fria associada 'prestes a varrer' os Açores.
23:00 horas de quarta-feira, 23 de setembro. Uma ciclogénese explosiva plenamente formada e situada a sul da Islândia, com frente fria associada 'prestes a varrer' os Açores.

Deste modo, com a circulação atlântica restringida a latitudes mais altas, o anticiclone dos Açores deverá consolidar-se, ganhando protagonismo em torno da Península Ibérica e algumas áreas adjacentes. Assim, a depressão ficará afastada de Portugal continental e arquipélago da Madeira, pelo que as suas frentes associadas não serão capazes de progredir até grande parte da nossa geografia.

Porém, para o arquipélago dos Açores, os mapas contam “outra história”, com um cenário meteorológico completamente distinto e bem mais instável.

Açores afetados pela passagem de frentes associadas à ciclogénese explosiva, saiba quando

A primeira vaga de precipitação deste episódio de tempo instável na Região Autónoma dos Açores terá início na quinta-feira (24), afetando especialmente o Grupo Ocidental com períodos de chuva fraca a pontualmente moderada. Nesse dia a pluviosidade ainda será pouco expressiva nas restantes 7 ilhas açorianas, embora possam desenrolar-se aguaceiros ocasionais e de fraca intensidade em alguns pontos do Grupo Central.

Entre quinta e sábado, dias 24 a 26 de setembro, as zonas mais expostas dos Açores deverão registar em torno de 50 mm de chuva acumulada.
Entre quinta e sábado, dias 24 a 26 de setembro, as zonas mais expostas dos Açores deverão registar em torno de 50 mm de chuva acumulada.

O panorama muda de figura à medida que as horas forem avançando. A progressão para leste de uma vasta frente fria, muito extensa e alongada, associada à já referida ciclogénese explosiva, situada a sul da Islândia, fará com que a etapa mais instável da ocorrência de chuva em grande parte dos Açores esteja prevista para sexta-feira, 25 de setembro.

Preveem-se períodos de chuva frontal geralmente contínuos e particularmente persistentes, com intensidade fraca a moderada e pontualmente forte, sobretudo nos Grupos Ocidental e Central. O Grupo Oriental não será tão afetado, embora possa registar alguns aguaceiros.

No sábado (26) a precipitação associada ao sistema frontal tenderá a diminuir em intensidade e quantidade, sendo que, fruto da progressão para leste, será o Grupo Oriental a ficar mais exposto à instabilidade. Na ilha de São Miguel este será o dia mais instável do período em termos de chuva gerada pela frente, enquanto que os Grupos Ocidental e Central já registarão uma jornada tendencialmente mais estável e somente caracterizada por alguns aguaceiros. Na ilha de Santa Maria pouco ou nada deverá chover neste período.

Atenção ainda ao reforço do vento que a frente fria irá produzir na sua passagem pelo arquipélago açoriano. No Grupo Ocidental a fase mais crítica decorrerá primeiro, surgindo entre o início da tarde de quinta-feira (24) e o início da tarde de sexta-feira (25): os mapas mostram rajadas entre 45 e 65 km/h, podendo nalguns pontos mais expostos ser localmente superiores. Quanto ao Grupo Central, as rajadas de vento mais fortes produzir-se-ão posteriormente: entre 55 e 75 km/h.

As rajadas de vento poderão alcançar um máximo de 75 km/h nos períodos mais críticos no grupo Central dos Açores na sexta-feira (25).
As rajadas de vento poderão alcançar um máximo de 75 km/h nos períodos mais críticos no grupo Central dos Açores na sexta-feira (25).

Prevê-se que o episódio de vento inicie durante a madrugada de sexta-feira (25), começando pela ilha mais setentrional (a Graciosa) e estendendo-se progressivamente às restantes 4 ilhas do Grupo Central. O episódio de vento deverá durar pouco mais de 24 horas, esperando-se que a intensidade comece a diminuir a partir do início da manhã de sábado (26).

Instabilidade sem tréguas nos Açores, domingo 27 com possível nova depressão no arquipélago

Poucas horas mais tarde, já no domingo 27 de setembro, os mapas de referência da Meteored preveem que outra depressão afete os Açores, voltando a provocar instabilidade sob a forma de chuva e vento forte menos de 24 horas depois, e com possibilidade de se prolongar pelo menos até segunda-feira (28).

Uma depressão atlântica poderá afetar diretamente os Açores a partir do próximo domingo, 27 de setembro.
Uma depressão atlântica poderá afetar diretamente os Açores a partir do próximo domingo, 27 de setembro.

A diferença em relação ao episódio dos dias anteriores é que, desta feita, o centro da baixa pressão atlântica poderá mesmo atravessar os Açores. Tendo em conta a intensidade do vento e chuva previstos atualmente pelos modelos, este cenário poderá assumir importância suficiente para justificar a emissão de avisos meteorológicos.

Caso se cumpram os critérios de nomeação definidos pelo Grupo Sudoeste, não se descarta a hipótese da depressão receber um nome, o que a tornaria na primeira tempestade nomeada da temporada 2026/2027.