Uma nova cúpula de calor na Europa a partir de 10 de agosto: Marta Godinho aponta os possíveis efeitos em Portugal
Uma nova cúpula de calor poderá instalar-se sobre grande parte da Europa na próxima semana. Em Portugal, a influência do Atlântico poderá limitar o calor extremo, sobretudo no litoral, apesar das temperaturas continuarem acima da média.

Uma nova massa de ar muito quente poderá instalar-se sobre grande parte da Europa durante a próxima semana. Embora a Península Ibérica venha a integrar esta circulação, os modelos sugerem que Portugal poderá voltar a beneficiar da influência moderadora do Atlântico, reduzindo a probabilidade de calor extremo e persistente no litoral.
Uma cúpula de calor poderá instalar-se sobre grande parte da Europa
A partir de 10 de agosto, os modelos do ECMWF indicam a subida de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África em direção à Península Ibérica, e chegando também a vários países da Europa Central, como França, República Checa, Eslováquia e Hungria e outros.
No mapa de geopotencial e temperatura a 850 hPa (cerca de 1500 metros de altitude) observa-se uma vasta região de ar muito quente, representada pelos tons rosa e roxo, associada a uma extensa área de altas pressões.

Esta configuração atmosférica favorece a formação de uma cúpula de calor, um fenómeno em que o anticiclone atua como uma "tampa", dificultando a renovação do ar e permitindo a acumulação de calor durante vários dias.
Portugal poderá sentir o calor, mas com influência do Atlântico
Apesar da possível instalação desta cúpula sobre a grande parte da Europa, Portugal poderá escapar aos seus efeitos mais severos.

Os modelos continuam a indicar uma forte atividade depressionária no Atlântico Norte, com várias depressões a circularem nas proximidades. Embora nenhuma deva atingir diretamente Portugal Continental, algumas frentes associadas poderão aproximar-se do território, aumentando temporariamente a nebulosidade e contribuindo para manter o litoral relativamente mais fresco.
Assim, o contraste entre litoral e interior deverá manter-se. Enquanto o interior poderá ultrapassar localmente os 36 °C, sobretudo no Alentejo e no interior Centro, as regiões costeiras deverão continuar sob influência marítima, limitando a subida das temperaturas.
Outro indicador favorável é a previsão das temperaturas noturnas. Enquanto em várias zonas do interior de Espanha poderão verificar-se temperaturas superiores a 30 °C durante a noite, grande parte de Portugal continuará a conseguir arrefecer durante a noite, especialmente no litoral e nas regiões Norte e Centro.

Apenas algumas áreas do interior poderão registar noites mais quentes.
Depois das frentes, o litoral também poderá aquecer
Caso as frentes previstas para o início da semana se confirmem, a tendência aponta para uma recuperação gradual das temperaturas entre os dias 14 e 15 de agosto. Com uma menor influência direta do Atlântico, o litoral poderá aquecer de forma mais significativa, reduzindo temporariamente o contraste térmico face ao interior.
Ainda assim, esta evolução dependerá da posição das altas pressões e do trajeto das depressões atlânticas, fatores que continuam a apresentar alguma incerteza.
Tendência semanal mantém temperaturas acima da média de 10 a 17 de agosto
O mapa de anomalias médias semanais da temperatura a 2 metros, calculado pelo ECMWF para o período entre 10 e 17 de agosto, reforça esta tendência. Grande parte da Europa surge com temperaturas médias acima da climatologia, incluindo Portugal, embora as anomalias mais expressivas se concentrem no centro do continente.

Para Portugal, este cenário sugere uma maior probabilidade de temperaturas acima da média para a época, mas sem indicar, para já, uma situação generalizada de calor extremo como a prevista para países mais continentais.
Importa recordar que se trata de uma previsão a longo prazo, baseada em ensembles, pelo que a posição das depressões atlânticas e a intensidade da influência marítima poderão ainda sofrer alterações nos próximos dias.