Aguaceiros e trovoadas persistirão nestas zonas, mas anticiclone e madrugadas frias ganham terreno a partir desta data

O risco de aguaceiros, trovoadas e granizo localizado manter-se-á por mais alguns dias em Portugal continental. Porém, a partir desta data, prevê-se o regresso do anticiclone e de madrugadas mais outonais nalgumas zonas do país.

O estado do tempo nalguns distritos de Portugal continental continuará a ser condicionado nas restantes horas desta segunda-feira (5) pela presença de uma gota fria a oes-noroeste do nosso país. No entanto, de um modo geral, vai imperando a estabilidade atmosférica gerada pelas altas pressões.

É importante relembrar que os fenómenos meteorológicos adversos gerados por este tipo de perturbações atmosféricas possui um carácter muito localizado (ou seja, a distribuição geográfica dos aguaceiros, trovoada e granizo está longe de ser uniforme, sendo geralmente muito irregular e altamente incerta quanto à localização exata) e intermitente (os aguaceiros e trovoadas variam em intensidade e frequência e alternam com períodos de céu nublado e boas abertas). Noutras regiões nem sequer chega a chover, imperando o sol e/ou a nebulosidade.

Embora entre terça (6) e quarta-feira (7) a precipitação convectiva já não seja causada diretamente apenas pela influência da gota fria, mas também por outras estruturas atmosféricas, a evolução expectável quanto ao comportamento da distribuição e intensidade pluviométricas será igualmente irregular.

Possível evolução da precipitação convectiva nos próximos dias

Amanhã, a gota fria, ao deslocar-se para nordeste, será reabsorvida por um vale depressionário. Ao mesmo tempo, um rio atmosférico de origem subtropical irá influenciar as condições meteorológicas, reforçando parcialmente a ocorrência de instabilidade.

Um rio de humidade é visível neste mapa de terça-feira, 6 de outubro e poderá contribuir, de forma parcial, para um reforço da precipitação em certos pontos do país.
Um rio de humidade é visível neste mapa de terça-feira, 6 de outubro e poderá contribuir, de forma parcial, para um reforço da precipitação em certos pontos do país.

Com esta situação sinóptica, o tempo instável poderá estender-se por praticamente todo a nossa geografia, dado que a possibilidade de aguaceiros e trovoadas localmente fortes para todo o país é real, apesar da probabilidade mais elevada nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.

O destaque na terça-feira (6) irá sobretudo para a probabilidade mais elevada de precipitação convectiva, sobretudo durante a tarde, nas áreas de montanha da Barreira de Condensação (corresponde a zonas dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real e Viseu).

O mapa é claro quanto às zonas onde a probabilidade de precipitação é superior a 50% na tarde de terça-feira, 6 de outubro, assinalando as regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, e em particular as áreas de montanha, como as mais prováveis.
O mapa é claro quanto às zonas onde a probabilidade de precipitação é superior a 50% na tarde de terça-feira, 6 de outubro, assinalando as regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, e em particular as áreas de montanha, como as mais prováveis.

Isto não quer dizer que não chova noutros momentos do dia e noutras zonas do Norte e Centro, mas sim que, simplesmente, a probabilidade é menos significativa nessas áreas e nesses períodos. Aliás, embora menos provável, também é real a possibilidade de aguaceiros, trovoadas e queda de granizo para as zonas situadas a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.

As trovoadas na terça-feira (6) poderão ser algo menos intensas e generalizadas, com os mapas a sugerirem uma concentração das descargas elétricas atmosféricas sobretudo no interior Norte e Centro, em certas zonas do vale do Tejo e Ribatejo e também no Alto Alentejo. Tampouco se descartam trovoadas isoladas em pontos do litoral Norte e Centro como Porto e Aveiro.

A distribuição da precipitação de carácter convectivo é altamente irregular. Esta é a evolução prevista pelo modelo europeu (ECMWF) da chuva acumulada em Portugal continental até às 21:00 de quarta-feira, 7 de outubro.
A distribuição da precipitação de carácter convectivo é altamente irregular. Esta é a evolução prevista pelo modelo europeu (ECMWF) da chuva acumulada em Portugal continental até às 21:00 de quarta-feira, 7 de outubro.

Na quarta-feira (7) prevê-se um abrandamento das condições meteorológicas instáveis, embora ainda perdure a possibilidade de períodos de chuva ou aguaceiros de fraca a moderada intensidade, sobretudo nas Regiões Norte, Centro, Área Metropolitana de Lisboa e Alto Alentejo. Nas zonas mais a sul a probabilidade de precipitação é significativamente menor, mas o cenário de chuva não está totalmente excluído.

Quinta-feira, 8 de outubro, marcará a mudança de tempo em Portugal continental

Espera-se que na quinta-feira (8) a aproximação do anticiclone dos Açores e a sua extensão alongada influenciem decisivamente o estado do tempo no nosso país - com as baixas pressões a afastarem-se para leste - e a proporcionar-se uma nova fase de estabilidade atmosférica que deverá durar pelo menos até domingo, 11 de outubro.

Deste modo, na quinta-feira (8) e ao longo dos dias seguintes predominará um céu limpo ou pouco nublado, por vezes com nuvens dispersas e/ou períodos temporários de céu muito nublado - mais prováveis nas Regiões Norte e Centro, sendo menos frequentes no Sul do país.

O ar polar praticamente só passará de raspão em Portugal continental. Porém, a sua aproximação, em conjugação com as altas pressões, será o suficiente para causar uma descida das temperaturas no nosso país, especialmente no interior Norte e Centro.
O ar polar praticamente só passará de raspão em Portugal continental. Porém, a sua aproximação, em conjugação com as altas pressões, será o suficiente para causar uma descida das temperaturas no nosso país, especialmente no interior Norte e Centro.

Em simultâneo, a descida em latitude de um vale depressionário vindo de norte que transportará uma massa de ar frio de origem polar até à Península Ibérica, aliada à estabilidade provocada pelo anticiclone e pelo facto do período de incidência de radiação solar estar a diminuir, gerará uma queda nas temperaturas - especialmente durante a noite e ao início da manhã.

Está à vista uma grande amplitude térmica diária e madrugadas mais frias

Assim, é expectável que ocorra uma amplitude térmica diária significativa nesta segunda metade da semana, com temperaturas máximas ainda relativamente amenas para o mês de outubro a contrastar fortemente com temperaturas mínimas já significativamente mais baixas face aos últimos dias, e próximas ou inferiores a 10 ºC em alguns locais.

Então, é expectável que o arrefecimento noturno seja particularmente marcante no interior Norte e Centro, onde, o efeito de continentalidade e, em situações anticiclónicas (de céu pouco nublado ou limpo e vento fraco), as características do relevo local e a altitude são mais propícios à perda de radiação e temperaturas mais baixas, sobretudo em zonas de montanha e em vales. Nestes últimos pode ocorrer acumulação de ar frio.

Capital de DistritoTemperatura Mínima Terça-feira, 6 de outubroTemperatura Mínima Quarta-feira, 7 de outubroTemperatura Mínima Quinta-feira, 8 de outubroTemperatura Mínima Sexta-feira, 9 de outubro
Bragança12 ºC10 ºC8 ºC6 ºC
Vila Real13 ºC13 ºC12 ºC9 ºC
Guarda10 ºC10 ºC8 ºC6 ºC
Viseu13 ºC12 ºC11 ºC10 ºC
Castelo Branco14 ºC12 ºC14 ºC11 ºC
Fonte: Meteored - ECMWF

No litoral a ocorrência de uma amplitude térmica diária significativa na segunda metade da presente semana - a partir do dia 8 de outubro - também será percetível.

Porém, os fatores geográficos e meteorológicos acima referidos contribuirão de forma particularmente significativa para que as temperaturas mínimas desçam de forma considerável em cidades como Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda e Castelo Branco. Para a cidade da Guarda, um dos elementos que mais jogará para a queda acentuada da temperatura é a altitude a que se situa.

Como se pode ver, os valores previstos das temperaturas mínimas nas áreas de Portugal continental onde se prevê uma frescura mais acentuada ao longo dos próximos dias, revelam uma tendência de gradual descida térmica, sendo mais evidente a partir de quinta-feira (8).

Guarda e Bragança poderão sobressair-se como as cidades mais frias entre as principais capitais distritais do país devido à previsão de mínimas mais próximas do patamar dos 5 ºC, do que do patamar dos 10 ºC.