Uma cúpula de calor sobre Portugal dentro de 7 dias: os modelos europeu e GFS apontam para temperaturas muito elevadas

As previsões do ECMWF e do GFS apontam para a possível chegada de uma massa de ar quente africana a Portugal entre 21 e 23 de junho. Caso o cenário se confirme, várias regiões poderão registar temperaturas excecionalmente elevadas.

Possível onda de calor chega a Portugal dentro de 7 dias, segundo os modelos europeu e GFS. O episódio poderá prolongar-se por mais de quatro dias e trazer temperaturas muito elevadas, com máximas que poderão superar os 42 °C em várias regiões do país.
Possível onda de calor chega a Portugal dentro de 7 dias, segundo os modelos europeu e GFS. O episódio poderá prolongar-se por mais de quatro dias e trazer temperaturas muito elevadas, com máximas que poderão superar os 42 °C em várias regiões do país.

A partir de 21 de junho, Portugal Continental poderá entrar num episódio de calor muito intenso, segundo as mais recentes previsões dos modelos meteorológicos ECMWF (europeu) e GFS (americano).

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Apesar de ainda faltar cerca de uma semana e de poderem ocorrer ajustes na previsão, ambos os modelos convergem na possibilidade de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África atingir o território nacional, podendo dar origem a temperaturas excecionais.

Uma massa de ar africana deverá instalar-se sobre Portugal

O modelo europeu mostra que esta massa de ar quente começa a impor-se durante o dia 21, cobrindo praticamente todo o território continental no dia 22.

Mapa de geopotencial e temperatura a 850 hPa do ECMWF para 22 de junho mostra a expansão de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África sobre Portugal Continental.
Mapa de geopotencial e temperatura a 850 hPa do ECMWF para 22 de junho mostra a expansão de uma massa de ar muito quente proveniente do Norte de África sobre Portugal Continental.

Esta evolução é bem visível nos mapas de geopotencial e temperatura a 850 hPa, um nível atmosférico situado aproximadamente entre os 1400 e os 1500 metros de altitude, utilizado pelos meteorologistas para acompanhar o transporte de massas de ar sem a influência direta do relevo e do aquecimento local da superfície.

Já o modelo GFS, desenvolvido pelos Estados Unidos, apresenta um cenário muito semelhante, embora antecipe a chegada desta massa de ar cerca de um dia mais cedo.

O modelo GFS antecipa a chegada da massa de ar quente um dia mais cedo, prevendo a sua persistência até 25 ou 26 de junho, o que reforça um cenário de calor intenso.
O modelo GFS antecipa a chegada da massa de ar quente um dia mais cedo, prevendo a sua persistência até 25 ou 26 de junho, o que reforça um cenário de calor intenso.

Ambos os modelos sugerem ainda que o calor poderá prolongar-se até 25 ou 26 de junho, aumentando a confiança na possibilidade de um episódio de temperaturas excecionalmente elevadas.

Temperaturas poderão ultrapassar os 42 °C em vários locais

À superfície, o modelo europeu prevê para o dia 22 um país praticamente coberto por temperaturas muito elevadas, com várias regiões do interior centro e sul a poderem atingir ou ultrapassar os 42 °C.

À superfície, o ECMWF prevê temperaturas muito elevadas para 22 de junho, com várias regiões do interior centro e sul a poderem ultrapassar os 42 °C durante a tarde.
À superfície, o ECMWF prevê temperaturas muito elevadas para 22 de junho, com várias regiões do interior centro e sul a poderem ultrapassar os 42 °C durante a tarde.

Importa ainda salientar que estes mapas representam a temperatura prevista ao meio-dia, quando normalmente ainda não ocorre o pico diário de calor. Em Portugal, durante o verão, as temperaturas máximas costumam verificar-se entre as 15 e as 17 horas, pelo que os valores efetivos poderão ser ainda superiores.

O modelo GFS apresenta um cenário igualmente extremo, chegando mesmo a calcular temperaturas próximas dos 44 °C em alguns pontos do Vale do Tejo e do interior leste, enquanto o modelo europeu concentra os valores mais elevados sobretudo no interior centro e sul.

O modelo GFS apresenta um cenário semelhante, mas concentra as temperaturas mais extremas no Vale do Tejo e interior leste, chegando a calcular valores próximos dos 44 °C.
O modelo GFS apresenta um cenário semelhante, mas concentra as temperaturas mais extremas no Vale do Tejo e interior leste, chegando a calcular valores próximos dos 44 °C.

Apesar das diferenças regionais, ambos concordam na possibilidade de um evento de calor muito significativo.

Tempo seco poderá favorecer o aquecimento

Entre 21 e 23 de junho, o modelo europeu prevê tempo maioritariamente seco em praticamente todo o território continental, apenas com possibilidade de aguaceiros muito localizados e isolados.

Segundo o IPMA, a temperatura máxima absoluta alguma vez registada em Portugal Continental foi de 47,3 °C, na Amareleja, em Beja, a 1 de agosto de 2003. Embora ainda seja cedo para antecipar valores dessa magnitude, caso este cenário se confirme, não é totalmente de excluir que algumas localidades possam aproximar-se de temperaturas historicamente muito elevadas.

As temperaturas efetivamente observadas podem ser superiores ou inferiores devido a fatores locais, como a topografia, o tipo de solo, a humidade, o vento e a intensidade da radiação solar. Em situações extremas, alguns locais podem exceder os valores previstos pelos modelos.