Tendência para 15 dias em Portugal: atmosfera instável até 25 de julho antes do regresso do Anticiclone dos Açores

Depois de alguns dias de instabilidade, Portugal deverá assistir a uma recuperação rápida das temperaturas e ao regresso gradual do Anticiclone dos Açores, num início de agosto mais estável, mas sem sinais de nova vaga de calor.

As previsões meteorológicas para os próximos 15 dias apontam para um período marcado por diferentes padrões de circulação atmosférica. Depois de alguns dias de instabilidade provocados por uma depressão em altitude, a tendência é para uma rápida recuperação das temperaturas e um regresso gradual da influência do Anticiclone dos Açores no início de agosto.

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Ainda assim, tratando-se de previsões de longo prazo, a evolução da atmosfera poderá sofrer alterações.

Crista Atlântica domina até ao final da semana

Um dos principais indicadores para este tipo de previsão é o gráfico de probabilidades dos regimes atmosféricos euro-atlânticos do ECMWF.

O ECMWF prevê um regime Atlantic Ridge até 26 de julho, seguido por uma fase de reorganização da atmosfera e pela possível instalação de um padrão NAO+ no final do mês.
O ECMWF prevê um regime Atlantic Ridge até 26 de julho, seguido por uma fase de reorganização da atmosfera e pela possível instalação de um padrão NAO+ no final do mês.

Entre 22 e 26 de julho, o regime mais provável será o Atlantic Ridge (Crista Atlântica), caracterizado por um reforço das altas pressões no Atlântico Norte e pela presença de baixas pressões sobre a Escandinávia.

Apesar deste padrão normalmente favorecer tempo relativamente estável, a circulação atmosférica permitirá o isolamento de uma bolsa de ar frio em altitude junto à costa portuguesa. No mapa sinóptico demonstrado em baixo, observa-se igualmente o Anticiclone dos Açores deslocado ligeiramente para norte, configuração típica deste regime.

Durante os dias 24 e 25 de julho, uma depressão em altitude junto à Península Ibérica favorecerá maior nebulosidade, alguma precipitação e temperaturas mais baixas.
Durante os dias 24 e 25 de julho, uma depressão em altitude junto à Península Ibérica favorecerá maior nebulosidade, alguma precipitação e temperaturas mais baixas.

Esta depressão em altitude será responsável pelos dias mais instáveis do período, sobretudo 24 e 25 de julho, trazendo um aumento da nebulosidade e descida das temperaturas.

Além da descida das temperaturas, os dias 24 e 25 de julho poderão trazer alguma precipitação, sobretudo ao litoral Norte e Centro. Os modelos indicam que os maiores acumulados deverão ocorrer nos distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto. Ainda assim, tudo aponta para um episódio pouco significativo.

Final de julho marcado pelo regresso do Anticiclone dos Açores

Depois da passagem da depressão para leste, entre 26 e 27 de julho, as temperaturas deverão recuperar rapidamente em praticamente todo o território.

Após a passagem da bolsa de ar frio, as temperaturas deverão recuperar rapidamente, sobretudo no litoral, com valores novamente próximos dos 30 °C.
Após a passagem da bolsa de ar frio, as temperaturas deverão recuperar rapidamente, sobretudo no litoral, com valores novamente próximos dos 30 °C.

Esta recuperação coincide com um período em que os modelos deixam de identificar um regime atmosférico dominante, sinal de que a circulação estará em reorganização.

As previsões atuais indicam que, entre o final de julho e o início de agosto, poderá instalar-se um regime de Oscilação do Atlântico Norte positiva (NAO+), frequentemente associado a condições mais estáveis e secas em Portugal.

No final de julho, o Anticiclone dos Açores deverá regressar a uma posição mais próxima da habitual, favorecendo tempo mais estável e temperaturas em recuperação, sem sinais de uma nova vaga de calor.
No final de julho, o Anticiclone dos Açores deverá regressar a uma posição mais próxima da habitual, favorecendo tempo mais estável e temperaturas em recuperação, sem sinais de uma nova vaga de calor.

No mapa de geopotencial, temperatura e vento aos 925 hPa (cerca de 700 a 800 metros de altitude), já é possível observar o Anticiclone dos Açores a regressar a uma posição com o seu núcleo localizado sobre o arquipélago açoriano. Em simultâneo, uma massa de ar mais quente volta a instalar-se sobre a Península Ibérica.

Apesar desta subida das temperaturas, Portugal continuará a beneficiar da influência marítima do Atlântico, sobretudo no litoral, o que deverá impedir um aquecimento excessivo. Assim, os modelos meteorológicos não indicam, nesta fase, condições favoráveis ao desenvolvimento de uma nova vaga de calor até aos primeiros dias de agosto, esperando-se temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média para a época, sobretudo no interior.