Tempo instável na Semana Santa. Mapas da Meteored preveem mais de 100 mm de chuva acumulada até ao Domingo de Páscoa

Tempo instável na Semana Santa. Mapas da Meteored preveem mais de 100 mm de chuva acumulada até ao Domingo de Páscoa

O tempo em Portugal continental manter-se-á instável entre os dias 15 e 20 de abril. A semana da Páscoa será dominada por condições atmosféricas mais típicas do inverno do que da primavera. As temperaturas continuam abaixo da média para a época e há alguns avisos de neve nas regiões do Norte e Centro.

A semana que antecede o Domingo de Páscoa será marcada por um padrão atmosférico instável e pouco habitual para esta altura do ano. Entre os dias 15 e 20 de abril, Portugal Continental ficará sob influência de sucessivas depressões atlânticas, que manterão o tempo frio e chuvoso, com possibilidade de trovoadas, queda de granizo e neve nas terras altas.

Este cenário contraria as expectativas sazonais associadas à primavera e prolonga o regime meteorológico adverso dos últimos dias. As temperaturas estarão persistentemente abaixo da média, com anomalias que, em alguns locais, poderão situar-se entre 7 e 10 ºC inferiores aos valores normais para a época.

Segundo os principais modelos meteorológicos de referência, como o ECMWF, usado pela nossa equipa da Meteored – tempo.pt, a precipitação será uma constante ao longo da semana, com especial incidência no litoral Norte e Centro.

Os valores acumulados poderão ser significativos, em particular nas regiões montanhosas, onde a precipitação poderá assumir a forma de neve acima dos 800 a 1000 metros de altitude. A Serra da Estrela, o Marão, o Larouco e o Gerês deverão registar novos episódios de neve primaveris, que, embora localizados, poderão acumular em alguns pontos, algo pouco frequente para meados de abril.

Instabilidade marcada por frio, aguaceiros e trovoadas

Esta terça-feira, 15 de abril, está a ser especialmente instável. Prevê-se um dia frio, com aguaceiros fortes, possibilidade de trovoadas e queda de granizo, sobretudo nas regiões do litoral Norte e Centro. A probabilidade de ocorrer precipitação supera os 80% em várias localidades do litoral.

Para esta terça-feira espera-se precipitação numa boa parte do território nacional, superando em algumas áreas os 80% de probabilidade de ocorrência.
Para esta terça-feira espera-se precipitação numa boa parte do território nacional, superando em algumas áreas os 80% de probabilidade de ocorrência.

O vento soprará moderado a forte de oeste, com rajadas até 60 km/h nas terras altas e na região Centro e Sul. As temperaturas mínimas deverão descer para valores próximos de 0 ºC em capitais de distrito como Bragança (3 ºC), Guarda (2 ºC) ou Vila Real (3 ºC), e as máximas em muitos locais não deverão ultrapassar os 10 ºC.

Na quarta-feira, 16 de abril, a instabilidade persiste, embora se preveja a ocorrência de abertas temporárias, em especial durante a tarde. Os aguaceiros manter-se-ão, mas deverão ser menos intensos. Quinta-feira, 17 de abril, deverá trazer nova descida da temperatura mínima e aguaceiros mais dispersos, com maior probabilidade no litoral ocidental e nas terras altas.

Até ao final do dia de Sexta-feira Santa, 18 de abril, prevê-se entre 120 e 130 mm de precipitação acumulada em várias áreas territoriais.
Até ao final do dia de Sexta-feira Santa, 18 de abril, prevê-se entre 120 e 130 mm de precipitação acumulada em várias áreas territoriais.

A Sexta-Feira Santa, dia 18, será novamente marcada pela passagem de uma frente fria, com precipitação intensa durante a madrugada e manhã, seguida de um pós-frontal caracterizado por aguaceiros frequentes e possibilidade de trovoadas. Até ao final do dia de sexta-feira (18) prevê-se que em algumas áreas do litoral se alcancem até 130 mm de precipitação acumulada.

Fim de semana de Páscoa incerto, embora com a estabilidade nas ilhas

O fim de semana de Páscoa ainda apresenta incerteza, especialmente no que diz respeito ao Domingo, 20 de abril. No entanto, é provável que o sábado continue muito instável, com períodos de chuva e tempo fresco.

O modelo ECMWF sugere a possibilidade de uma melhoria transitória para domingo (20), com menor probabilidade de precipitação e algumas abertas, o que poderá favorecer as práticas religiosas associadas à passagem do Compasso Pascal em algumas regiões onde ainda persiste a tradição.

Embora esta previsão careça ainda de confirmação, é de relevar que até esse dia registar-se-ão mais de 100 mm de acumulação de precipitação.

Domingo de Páscoa com algumas incertezas, esperando-se que algumas áreas registem uma diminuição da precipitação, depois de mais de 100 mm acumulados durante o fim de semana.
Domingo de Páscoa com algumas incertezas, esperando-se que algumas áreas registem uma diminuição da precipitação, depois de mais de 100 mm acumulados durante o fim de semana.

As regiões autónomas apresentarão condições distintas. Nos Açores, a influência do anticiclone deverá manter o tempo maioritariamente estável ao longo da semana, com dias secos e temperaturas amenas. Prevê-se apenas a passagem de uma frente fraca a meio da semana, com possibilidade de chuva ligeira em algumas ilhas.

A Madeira, por seu lado, continuará sob um fluxo húmido de noroeste, o que poderá originar nebulosidade persistente nas vertentes Norte e áreas montanhosas, bem como alguns aguaceiros fracos e dispersos.

A contínua acumulação de precipitação no território continental está a contribuir para uma saturação progressiva dos solos, o que agrava o risco de cheias em várias bacias hidrográficas, nomeadamente no Tejo, Mondego e Douro.

O comportamento anómalo do vórtice polar, associado a um anticiclone móvel fragilizado e à persistência de uma oscilação de Madden-Julian desfavorável à estabilidade na Europa Ocidental, ajuda a explicar esta sequência de semanas instáveis. Os especialistas alertam ainda que este padrão poderá prolongar-se até ao final do mês, com possibilidade de novos episódios de precipitação significativa.

Abril de 2025 poderá tornar-se um dos mais chuvosos dos últimos anos em algumas regiões de Portugal, num contexto em que o planeta continua a registar temperaturas médias muito acima dos valores pré-industriais. Embora o mês esteja a ser frio a nível nacional, o primeiro trimestre do ano foi o segundo mais quente de sempre a nível global, e os sinais de um clima cada vez mais instável não param de se multiplicar.