Temperaturas em Portugal de 10 a 16 de agosto: ECMWF prevê calor, mas o Atlântico poderá travar os extremos de 40°C

Portugal deverá registar temperaturas acima da média entre 10 e 17 de agosto, mas sem os extremos previstos para grande parte da Europa. O calor poderá intensificar-se nos dias 14 e 15, sobretudo no interior.

O Atlântico continua a desempenhar um papel decisivo no estado do tempo em Portugal, suavizando o calor que domina grande parte da Europa. A influência marítima deverá impedir, pelo menos numa primeira fase, que o país registe temperaturas tão extremas como as previstas em Espanha.
O Atlântico continua a desempenhar um papel decisivo no estado do tempo em Portugal, suavizando o calor que domina grande parte da Europa. A influência marítima deverá impedir, pelo menos numa primeira fase, que o país registe temperaturas tão extremas como as previstas em Espanha.

Enquanto uma nova cúpula de calor se instala sobre grande parte da Europa, Portugal deverá permanecer numa posição privilegiada. O modelo europeu ECMWF prevê temperaturas acima da média, mas a influência do Atlântico continuará a limitar os valores mais extremos durante boa parte da semana.

Portugal aquece, mas menos do que o resto da Europa

Antes de analisar a evolução diária, importa olhar para a anomalia média semanal da temperatura, um produto do ECMWF que representa a média das temperaturas previstas ao longo de toda a semana, considerando todas as horas do dia e da noite. Por isso, este mapa não mostra os picos de calor, mas sim a tendência térmica global.

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Mesmo que ocorram dias muito quentes, a existência de madrugadas mais frescas ou de dias ligeiramente abaixo da média reduz o valor final desta anomalia semanal.

Anomalia média semanal da temperatura prevista entre 10 e 17 de agosto. Portugal deverá registar temperaturas ligeiramente acima da média climatológica, mas com desvios menos significativos do que em grande parte da Europa Central.
Anomalia média semanal da temperatura prevista entre 10 e 17 de agosto. Portugal deverá registar temperaturas ligeiramente acima da média climatológica, mas com desvios menos significativos do que em grande parte da Europa Central.

Para a semana de 10 a 17 de agosto, Portugal surge com temperaturas entre 1 e 3 °C acima da média climatológica, mas com uma anomalia relativamente modesta quando comparada com grande parte da Europa Central, onde os desvios positivos poderão ultrapassar os 6 °C.

Segunda-feira, dia 10 marca o início da cúpula de calor na Europa

A partir de segunda-feira, 10 de agosto, uma extensa região de altas pressões irá dominar grande parte do continente europeu, favorecendo a instalação da cúpula de calor. Ao mesmo tempo, o Atlântico Norte permanecerá bastante ativo, com depressões profundas a circularem a oeste das Ilhas Britânicas.

Uma depressão ativa permanece no Atlântico Norte, enquanto uma extensa área de altas pressões domina a Europa. Em Portugal, o Atlântico continua a limitar o aquecimento.
Uma depressão ativa permanece no Atlântico Norte, enquanto uma extensa área de altas pressões domina a Europa. Em Portugal, o Atlântico continua a limitar o aquecimento.

Apesar da presença de uma depressão bem organizada no Atlântico, esta deverá ser desviada para norte, afetando sobretudo o Reino Unido. Assim, Portugal permanecerá protegido da sua influência direta, embora continue a beneficiar da circulação marítima atlântica.

Embora a cúpula de calor tenha tendência para se instalar sobre grande parte da Europa a partir de 10 de agosto e Espanha já apresente previsões de temperaturas superiores a 40 °C em algumas regiões, Portugal deverá registar um aquecimento mais moderado.

Em Portugal, o Atlântico continua a limitar o aquecimento, contrastando com o calor intenso previsto para o interior da Península Ibérica.
Em Portugal, o Atlântico continua a limitar o aquecimento, contrastando com o calor intenso previsto para o interior da Península Ibérica.

As temperaturas máximas poderão atingir 35 a 36 °C no interior Norte e Centro, enquanto o litoral oeste, entre Viana do Castelo e Lisboa, deverá manter um ambiente bastante mais ameno, com máximas geralmente entre 21 e 26 °C.

Terça-feira evidenciará o contraste entre litoral e interior

Na terça-feira, 11 de agosto, o mapa de anomalias de temperatura da tarde mostra que grande parte do país apresentará valores próximos da normalidade. O maior desvio positivo deverá ocorrer no interior Norte, onde as temperaturas poderão situar-se cerca de 5 °C acima da média.

Na tarde de terça-feira, 11 de agosto, as anomalias positivas concentram-se sobretudo no interior Norte, enquanto grande parte do litoral apresenta temperaturas próximas dos valores normais para a época.
Na tarde de terça-feira, 11 de agosto, as anomalias positivas concentram-se sobretudo no interior Norte, enquanto grande parte do litoral apresenta temperaturas próximas dos valores normais para a época.

Já durante a madrugada, verifica-se outro cenário. Grande parte do território poderá registar anomalias negativas entre 1 e 3 °C, sinal de noites relativamente frescas para a época, sobretudo no Centro e Sul. Este comportamento demonstra a forte influência do Atlântico, permitindo um arrefecimento noturno muito mais eficiente do que no interior da Península Ibérica.

O calor poderá intensificar-se no final da semana

Os modelos continuam a indicar que sexta-feira, 14 de agosto, e sábado, 15 de agosto, poderão ser os dias mais quentes deste episódio.

O mapa de geopotencial e temperatura a 850 hPa (cerca de 1500 metros de altitude) mostra que a massa de ar muito quente proveniente do Norte de África se expandirá progressivamente até abranger praticamente todo o território continental. Este aquecimento em altitude cria condições favoráveis para um aumento das temperaturas à superfície.

Na sexta-feira, 14 de agosto, a massa de ar quente proveniente do Norte de África deverá expandir-se sobre a Península Ibérica. O aumento da temperatura em altitude favorece um agravamento do calor à superfície nos dias seguintes.
Na sexta-feira, 14 de agosto, a massa de ar quente proveniente do Norte de África deverá expandir-se sobre a Península Ibérica. O aumento da temperatura em altitude favorece um agravamento do calor à superfície nos dias seguintes.

Caso esta tendência se confirme, o interior poderá aproximar-se dos 40 °C. Importa, contudo, recordar que estas datas pertencem ainda ao médio prazo da previsão meteorológica. Embora a tendência para calor mais intenso seja consistente nas últimas atualizações do modelo europeu, os valores exatos das temperaturas e a distribuição das regiões mais afetadas poderão ainda sofrer ajustes.

Para já, o cenário mais provável aponta para uma semana claramente quente em Portugal, mas ainda bastante menos extrema do que aquela que poderá verificar-se em vários países da Europa Central, onde a cúpula de calor deverá atingir a sua maior intensidade.