Quando se prevê chuva em Portugal? As tendências do ECMWF até 25 de outubro

Depois de vários dias de estabilidade e calor anómalo, o cenário poderá mudar em Portugal. O ECMWF começa a reforçar o sinal de chuva a partir de 20 de outubro, com a instabilidade a poder prolongar-se nos dias seguintes.

O outono é, por excelência, a estação do regresso da chuva a Portugal. Mas quando poderá terminar o atual período de estabilidade? As previsões do ECMWF já começam a mostrar sinais de uma mudança no padrão atmosférico.
O outono é, por excelência, a estação do regresso da chuva a Portugal. Mas quando poderá terminar o atual período de estabilidade? As previsões do ECMWF já começam a mostrar sinais de uma mudança no padrão atmosférico.

Depois de vários dias dominados pela estabilidade e por temperaturas anormalmente elevadas, os mapas do modelo europeu começam a mostrar uma possível mudança do padrão atmosférico. A partir de 16 de outubro surgem os primeiros sinais de instabilidade, mas é entre os dias 20 e 22 que o ECMWF aponta, neste momento, para um cenário potencialmente mais chuvoso em Portugal.

Até sexta-feira, o anticiclone ainda domina

Até dia 16, Portugal continental continuará maioritariamente sob influência anticiclónica. Esta configuração deverá manter a precipitação afastada e favorecer temperaturas bastante elevadas para meados de outubro.

Em várias regiões do Norte, Centro e Sul, as máximas poderão aproximar-se ou mesmo ultrapassar os 30 ºC. Contudo, durante a segunda metade da semana começam a surgir alterações importantes na circulação atmosférica sobre o Atlântico Norte.

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Ao longo desta semana o centro anticiclónico tende a deslocar-se para latitudes mais setentrionais, deixando de exercer uma influência tão direta sobre a Península Ibérica. É precisamente esta alteração que poderá abrir caminho ao regresso gradual da instabilidade.

Dia 16: os primeiros sinais de mudança aproximam-se de Portugal

Na sexta-feira, dia 16, a configuração prevista pelo ECMWF é particularmente interessante. Com o núcleo das altas pressões bastante mais a norte, uma extensa depressão no Atlântico consegue fazer circular uma frente pela periferia meridional do anticiclone.

O anticiclone mantém Portugal protegido da precipitação, enquanto uma frente atlântica contorna as altas pressões e se aproxima da Península Ibérica.
O anticiclone mantém Portugal protegido da precipitação, enquanto uma frente atlântica contorna as altas pressões e se aproxima da Península Ibérica.

Esta frente aproxima-se da Península Ibérica, embora, nas atuais previsões, não apareça ainda associada a precipitação significativa e generalizada em Portugal. O ECMWF sugere apenas alguns sinais de chuva, nomeadamente no interior Centro.

Os primeiros sinais de mudança começam a surgir nos mapas, embora a precipitação prevista para dia 16 ainda seja escassa e localizada.
Os primeiros sinais de mudança começam a surgir nos mapas, embora a precipitação prevista para dia 16 ainda seja escassa e localizada.

Ainda assim, a proximidade da instabilidade deverá ser suficiente para iniciar uma descida das temperaturas durante o fim de semana. Mesmo com este recuo térmico, os valores poderão continuar acima do habitual para esta altura do ano.

Fim de semana poderá abrir a porta à instabilidade

Entre sábado e domingo, dias 17 e 18, o cenário torna-se progressivamente mais favorável à formação de depressões próximas de Portugal.

O anticiclone que atualmente garante a estabilidade sobre Portugal deverá encontrar-se muito mais a norte, entre as Ilhas Britânicas e a Escandinávia. Esta deslocação poderá permitir que depressões e bolsas de ar mais instável circulem por latitudes mais baixas, próximas da Península Ibérica.

Com o anticiclone deslocado para latitudes mais a norte, abre-se espaço para a circulação de áreas depressionárias mais próximas da Península Ibérica.
Com o anticiclone deslocado para latitudes mais a norte, abre-se espaço para a circulação de áreas depressionárias mais próximas da Península Ibérica.

Durante o fim de semana (dias 17 e 18) já poderão ocorrer episódios de precipitação fraca e dispersa, sobretudo em algumas zonas do interior Centro e Sul. No entanto, o sinal mais relevante aparece alguns dias depois.

ECMWF reforça sinal de chuva para 20 e 21 de outubro

As atuais previsões do modelo europeu mostram a possibilidade de uma área depressionária se organizar nas proximidades da Península Ibérica em torno de 20 de outubro.

O sinal de chuva intensifica-se significativamente em torno de 20 e 21 de outubro, com o ECMWF a projetar precipitação mais generalizada em Portugal.
O sinal de chuva intensifica-se significativamente em torno de 20 e 21 de outubro, com o ECMWF a projetar precipitação mais generalizada em Portugal.

Se esta configuração se confirmar, os dias 20 e 21 poderão marcar um regresso mais evidente da chuva, com precipitação potencialmente mais generalizada de Norte a Sul e períodos que, localmente, poderão ser mais intensos. A instabilidade poderá prolongar-se pelo até ao dia 22.

Contudo, estamos a falar de uma previsão a mais de uma semana de distância. A posição exata da depressão será determinante, pequenas alterações na sua trajetória podem modificar significativamente as regiões afetadas, a intensidade da precipitação e até os dias em que choverá mais.

E depois? Outra depressão surge no Atlântico

Para dia 22, o ECMWF desenha ainda uma depressão profunda no Atlântico, próxima dos Açores, associada a quantidades significativas de precipitação. Apesar de relativamente próxima no contexto da circulação do Atlântico Norte, encontra-se ainda demasiado distante de Portugal continental para se concluir qual será a sua trajetória.

Uma nova e profunda depressão surge no Atlântico após o primeiro episódio de instabilidade, mas a sua trajetória e eventual influência em Portugal permanecem incertas.
Uma nova e profunda depressão surge no Atlântico após o primeiro episódio de instabilidade, mas a sua trajetória e eventual influência em Portugal permanecem incertas.

Será, por isso, um sistema a acompanhar nas próximas atualizações. Até 25 de outubro, a tendência mais importante é precisamente esta: o domínio anticiclónico poderá começar a ceder, permitindo que o Atlântico volte gradualmente a ganhar protagonismo no estado do tempo em Portugal.