Milhões sentiram o sismo de magnitude 7,7 no Panamá – veja o que aconteceu abaixo da superfície

O solo tremeu por todo o Panamá em questão de segundos, mas as forças por detrás deste poderoso sismo de magnitude 7,7 estavam a acumular-se sob a região há muito, muito mais tempo.

Um sismo de magnitude 7,7 atingiu o Panamá, expondo milhões de pessoas a fortes tremores num dos maiores abalos sísmicos da região das últimas décadas.
Um sismo de magnitude 7,7 atingiu o Panamá, expondo milhões de pessoas a fortes tremores num dos maiores abalos sísmicos da região das últimas décadas.

Um sismo de magnitude 7,7 atingiu as proximidades de Pitaloza Arriba, no Panamá, no dia 9 de outubro, às 12h56 (hora local), provocando fortes abalos numa vasta área e expondo milhões de pessoas aos efeitos de um dos sismos mais significativos da região nas últimas décadas.

Cerca de 4,6 milhões de pessoas sentiram tremores de intensidade moderada a severa, segundo estimativas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A avaliação inicial do organismo indica que são prováveis impactos extensos e que os efeitos do sismo podem ser generalizados.

Mas porque é que o Panamá pode sofrer um terramoto tão poderoso? A resposta está abaixo da superfície, onde várias partes da crosta terrestre se encontram numa das regiões tectonicamente mais complexas da América Central.

Milhões de pessoas sentiram o chão tremer

O USGS estima que cerca de 4,6 milhões de pessoas tenham sido expostas a tremores que variam entre os níveis V e VIII na Escala de Intensidade de Mercalli Modificada. Esta escala informa-nos algo diferente do valor de magnitude que normalmente vemos após um sismo.

A magnitude mede a energia libertada na fonte, enquanto a escala de Mercalli descreve como o tremor é realmente sentido e que efeitos pode causar em diferentes locais.
No nível V, o tremor é suficientemente forte para ser sentido por quase todas as pessoas e pode deslocar ou derrubar objetos instáveis. No nível VIII, a situação torna-se consideravelmente mais grave, com potencial para danos substanciais, especialmente em estruturas vulneráveis.
No nível V, o tremor é suficientemente forte para ser sentido por quase todas as pessoas e pode deslocar ou derrubar objetos instáveis. No nível VIII, a situação torna-se consideravelmente mais grave, com potencial para danos substanciais, especialmente em estruturas vulneráveis.

Esta distinção é importante porque duas comunidades podem experienciar o mesmo sismo de formas muito diferentes. A distância em relação à falha é relevante, mas também o são a profundidade do sismo, as condições locais do solo e a forma como os edifícios foram construídos.

Porque é que um terramoto tão poderoso aconteceu aqui?

O Panamá situa-se próximo do ponto de encontro de várias placas tectónicas. As placas de Cocos e de Nazca localizam-se a oeste e a sul, a Placa das Caraíbas a norte e a Placa Sul-Americana mais a leste. Entre elas encontra-se a microplaca do Panamá, de menor dimensão.

Estes enormes fragmentos da crosta terrestre estão em constante movimento. Em algumas zonas, uma placa afunda sob outra; noutras, pressionam uma contra a outra ou deslizam horizontalmente ao longo de falhas.

O movimento é lento, mas a tensão pode acumular-se ao longo das falhas durante anos. Quando uma falha já não consegue permanecer bloqueada, desliza repentinamente e liberta energia sob a forma de ondas sísmicas. É isso que sentimos à superfície como um terramoto.

Este sismo envolveu movimento lateral

Segundo o USGS, o mecanismo focal do sismo indica uma falha transcorrente sinistral. Em termos simples, os dois lados da falha deslizaram horizontalmente um em relação ao outro, em vez de um se mover predominantemente acima ou abaixo do outro. Este tipo de movimento é consistente com a complexa deformação tectónica que ocorre na região do Panamá.

Os sismos não são incomuns na região. Os eventos históricos significativos incluem um sismo de magnitude 7,5 em julho de 1934 e um sismo de magnitude 7,2 em julho de 1962.

As réplicas podem trazer mais tremores fortes

O sismo principal pode ter passado, mas a atividade sísmica não terminou necessariamente. Após um grande sismo, a crosta em redor da falha ajusta-se a uma nova distribuição de tensões, gerando réplicas que podem persistir durante dias, semanas ou mais. A maioria delas será de menor magnitude que o sismo principal, mas algumas podem ainda provocar tremores fortes. Isto é particularmente preocupante para edifícios e infraestruturas já fragilizadas pelo evento inicial.

Para as pessoas nas áreas afetadas, manter-se afastado de estruturas danificadas e seguir as instruções das autoridades locais continuará a ser importante à medida que os cientistas prosseguem com a monitorização da sequência de réplicas.

Ainda não é possível prever sismos com data e hora exatas, mas os riscos que representam podem ser estudados. Numa região tectonicamente ativa como o Panamá, as construções resistentes a sismos, o planeamento de emergência e o conhecimento sobre como reagir quando o solo começa a mover-se podem reduzir significativamente o risco.

Referência da notícia

USGS. (2026). M 7.7 - 12 km WSW of Pitaloza Arriba, Panama.