Previsão sazonal para outubro, novembro e dezembro em Portugal: anomalias de chuva e temperatura

O modelo europeu acaba de atualizar as suas tendências meteorológicas para o último trimestre do ano em Portugal, a coincidir com o pico do super El Niño: eis como poderão evoluir a chuva e a temperatura.

Após este setembro quente e seco, o que podemos esperar do último trimestre do ano em Portugal? Eis as tendências do modelo europeu.
Após este setembro quente e seco, o que podemos esperar do último trimestre do ano em Portugal? Eis as tendências do modelo europeu.

Apesar do outono climatológico já ter começado no passado dia 1 de setembro, a verdade é que estas últimas semanas têm sido um prolongamento autêntico do tempo de verão em praticamente toda a geografia de Portugal, não só no que toca às temperaturas persistentemente elevadas, como também pela generalizada ausência de precipitação desde que o nono mês do ano arrancou.

Na madrugada de amanhã - quarta-feira, 23 de setembro - irá arrancar o outono astronómico. A nova estação terá início com calor intenso, especialmente nas regiões do interior, dado que na metade ocidental do país e em particular no litoral Norte e Centro já é expectável algum alívio térmico. Por outro lado, importa perceber quando regressará a chuva a Portugal e de que maneira é que o pico do super El Niño nos poderá afetar… Em seguida, serão analisadas as primeiras tendências para o próximo trimestre.

Em outubro poderá registar-se um tempo bastante instável em Portugal

Em primeiro lugar, é importante salientar que isto se trata de uma primeira aproximação geral, e não de uma previsão. Em segundo lugar, é preciso relembrar que nos últimos três meses do ano a atmosfera costuma revelar-se muito dinâmica, sobretudo na nossa latitude, onde se verificam trocas constantes de massas de ar de natureza muito diversa, bem como diferentes distribuições dos centros de ação, o que acaba por gerar fenómenos e estados do tempo muito variáveis que vão desde chuva abundante até pequenos períodos de calor.

Tudo indica que outubro será tendencialmente mais quente do que o normal, especialmente nos primeiros dias, período para o qual se perspetivam temperaturas entre 1 e 3 ºC acima do normal.
Tudo indica que outubro será tendencialmente mais quente do que o normal, especialmente nos primeiros dias, período para o qual se perspetivam temperaturas entre 1 e 3 ºC acima do normal.

Para já, o modelo europeu indica claramente que durante praticamente todo o mês de outubro as temperaturas poderão situar-se ligeiramente acima da média (anomalia térmica positiva de 1 ºC) em quase toda a geografia de Portugal, incluindo Açores e Madeira.

Tudo indica que a primeira semana de outubro - 28 de setembro a 5 de outubro - será aquela onde se registarão os desvios de temperatura mais expressivos face à média climatológica de referência, entre 1 a 3 ºC mais elevados do que o normal, especialmente nas regiões do interior. Os mapas do ECMWF revelam que, ao longo do mês, as temperaturas até tenderão a estar enquadradas na média em algumas zonas do litoral.

Os mapas subsazonais indicam que outubro poderá arrancar com uma atmosfera mais dinâmica e instável em Portugal.
Os mapas subsazonais indicam que outubro poderá arrancar com uma atmosfera mais dinâmica e instável em Portugal.

No que concerne à chuva, outubro costuma ser um mês caótico para fazer previsões a longo prazo, porque podem desenvolver-se desde situações de gotas frias até depressões atlânticas que já podem ser bastante profundas.

Os mapas apontam para a possibilidade de um mês muito dinâmico, com precipitação acima da média em quase todo o país, estando em perspetiva a possível alternância entre situações de instabilidade (frentes, depressões atlânticas e perturbações isoladas em altitude) ou situações de estabilidade (anticiclones). Resta saber como se irá desenrolar.

Tendência nos mapas para novembro e dezembro sugere uma mudança significativa

Para novembro e dezembro (sendo que este último mês já se enquadra no inverno do ponto de vista climatológico), observa-se uma provável mudança no padrão atmosférico. Tem-se comentado bastante o “super El Niño” e os seus possíveis impactos em Portugal nos próximos meses, coincidindo com o pico de um fenómeno que será muito forte ou extraordinário. Normalmente, a correlação de um El Niño com o tempo em Portugal é baixíssima, pelo que o seu impacto na nossa latitude tem uma interferência reduzida e pouco decisiva.

Não obstante, há meteorologistas e climatologistas que defendem que os efeitos do El Niño em Portugal chegam mascarados por outros fenómenos, como a corrente de jato polar ou a Oscilação do Atlântico Norte (NAO, na sigla em inglês), esses sim, elementos que condicionam decisivamente o tempo e o clima no nosso país. A fase de El Niño costuma estar associada a invernos relativamente amenos e à passagem frequente de depressões no Atlântico, porém, esta é uma questão relativamente complexa.

Aliás, é precisamente isto que os mapas indicam, de momento, para os dois últimos meses do ano, com precipitação mais abundante do que o normal em quase todo o continente europeu, incluindo Portugal continental. A exceção mais visível situa-se no arquipélago da Madeira, que, com estas circulações fortes vindas de oeste e devido à posição do anticiclone, costuma ficar mais à margem. Vislumbra-se um panorama semelhante nas Canárias, no este e sudeste de Espanha e nas extremidades meridionais da Itália e da Grécia.

O modelo Europeu insiste numa forte circulação de oeste nos últimos dois meses de 2026, caracterizada por temperaturas amenas e chuva abundante.
O modelo Europeu insiste numa forte circulação de oeste nos últimos dois meses de 2026, caracterizada por temperaturas amenas e chuva abundante.

Os modelos indicam que a pressão à superfície ficará abaixo dos valores médios para esta época do ano no centro e no sul da Europa, reforçando essa possível persistência das circulações de oeste. Os ventos de oeste são temperados, algo que se reflete nos mapas das anomalias térmicas, com valores que poderão situar-se acima da média: entre 1 e 1,5 ºC em Portugal e até 2 ºC nalgumas zonas da Europa. Contudo, isto não significa que não haverá períodos ocasionais de frio ou marcados por massas de ar polar mais intensas.