Lisboa está prestes a encher-se de dragões

Entre 25 e 27 de setembro, mais de 700 participantes vão remar ao ritmo de tambores na Doca do Oceanário. Descubra tudo sobre o primeiro Lisboa Dragon Boat Festival.

Não, não é um filme de fantasia. Foto ilustrativa: Unsplash
Não, não é um filme de fantasia. Foto ilustrativa: Unsplash

Entre 25 e 27 de setembro, mais de 700 participantes vão remar ao ritmo de tambores na Doca do Oceanário, em Lisboa, num festival que estreia uma tradição milenar na capital.

Se ouvir tambores e vir barcos com cabeças de dragão a atravessar a água no Parque das Nações, não é preciso chamar reforços. Lisboa recebe, pela primeira vez, o Lisboa Dragon Boat Festival.

É verdade, a capital foi escolhida para receber este evento dedicado a uma modalidade com mais de 2500 anos de história e que atualmente é praticada em mais de uma centena de países. Aliás, feitas as contas, a organização espera reunir mais de 700 participantes ao longo dos três dias.

“Praticada hoje em mais de 100 países dos cinco continentes os DragonBoats já contam com mais de 2.500 anos de história e estão prestes a chegar a Portugal com a primeira edição do Lisboa Dragon Boat Festival entre 25 e 27 setembro”, anunciam os responsáveis nas redes sociais.

Afinal, que festival é este? O Dragon Boat nasceu de uma antiga tradição chinesa e transformou-se, sobretudo nas últimas décadas, numa modalidade desportiva internacional. A imagem é fácil de reconhecer: 12 pessoas em barcos compridos que estão decorados com cabeças de dragão, dezenas de remos e um tambor a marcar o ritmo.

Mas há mais técnica do que possa parecer. Nós explicamos. É que os participantes têm de remar em perfeita sintonia, seguindo a cadência marcada pelo tambor. É precisamente essa coordenação que permite ao barco avançar de forma rápida e eficiente. Por outras palavras, aqui, remar mais depressa do que os outros não chega. É preciso que remem todos juntos.

Três dias de provas no Parque das Nações

Curioso? Ora, bem, o festival arranca na sexta-feira, 25 de setembro, com o ‘School Challenge’. Esta é uma competição destinada a estudantes do ensino secundário da cidade de Lisboa.

No sábado, 26 de setembro, o programa será dedicado sobretudo à adaptação às embarcações e aos treinos dos diferentes escalões. O objetivo é preparar as equipas para o dia seguinte, quando a Doca do Oceanário ganha maior movimento.

As equipas são compostas por 12 elementos. Foto: Dragon Boat Portugal
As equipas são compostas por 12 elementos. Foto: Dragon Boat Portugal

Domingo, 27 de setembro, será o principal dia do festival, com vários desafios e atividades integrados na ‘Semana Europeia do Desporto da Câmara Municipal de Lisboa’. Estão previstos o ‘University Challenge’, o ‘Firefighters Challenge’ e o ‘Nautical Challenge’, além do ‘Community Day’.

E, não, não é preciso ser atleta ou já dominar a arte de remar para participar. Durante o domingo, quem quiser experimentar a modalidade poderá fazê-lo através das inscrições disponíveis online ou no próprio local, na zona criada junto ao Pavilhão de Portugal.

Para quem preferir começar por terra firme, haverá também várias atividades no espaço do festival. Entre elas estão simuladores de remo, ski e bicicleta, pensados para testar a coordenação e a preparação física antes de enfrentar um verdadeiro barco-dragão.

Uma tradição com mais de dois mil anos

Apesar de parecer uma novidade bastante peculiar para quem passa pelo Parque das Nações, a história do Dragon Boat é longa. A modalidade está relacionada com tradições do sul da China e com o Duanwu, conhecido internacionalmente como Festival do Barco-Dragão.

A tradição está também associada à história de Qu Yuan, poeta chinês que, segundo a lenda, morreu no rio Miluo. Os habitantes terão saído para a água em barcos, usando remos e tambores numa tentativa de o encontrar e afastar os peixes. Ao longo dos séculos, estas tradições deram origem às corridas de barcos-dragão que hoje se realizam em vários países.

Uma tradição com milhares de anos. Foto: Dragon Boat Portugal
Uma tradição com milhares de anos. Foto: Dragon Boat Portugal

A versão desportiva moderna ganhou especial expressão a partir de Hong Kong, onde começaram a ser organizadas competições internacionais na década de 1970. Desde então, o Dragon Boat tornou-se uma modalidade praticada nos cinco continentes.

Agora, o festival de Lisboa quer aproveitar essa dimensão internacional, mas também aproximar a modalidade da comunidade local. Escolas, universidades, clubes náuticos, instituições e público em geral fazem parte da programação.

“Mais do que uma competição, o Lisboa Dragon Boat Festival pretende criar um grande encontro entre desporto, cultura e comunidade, aproximando escolas, universidades, clubes náuticos, instituições e público, naquele que é já considerado o padel dos desportos náuticos”, lê-se nas redes sociais do evento.

E, claro, a componente inclusiva também estará presente, com a participação da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla e do movimento internacional Breast Cancer Paddlers, ligado à prática de Dragon Boat por pessoas afetadas pelo cancro da mama.

Referência da notícia

Câmara de Comércio e Indústria. (2026). Lisboa Dragon Boat Festival.
Lisboa Secreta, Santos Sousa, F. (2026). Este espetáculo milenar oriental chega a Lisboa pela primeira vez: são esperados mais de 700 participantes a remar ao ritmo de tambores.