Previsão da chuva em Portugal a médio prazo: mapas da Meteored para a próxima semana

Até terça-feira (17) o padrão NAO+ manterá o tempo estável em Portugal continental, apenas ocasionalmente interrompido por chuva fraca e dispersa. No entanto, a partir de quarta (18), prevê-se a chegada da próxima depressão fria.

Esta sexta-feira, 13 de março, o estado do tempo em Portugal continental registou uma mudança devido à chegada de uma frente fria atlântica de fraca atividade. O céu apresenta-se muito nublado a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela e pouco nublado ou limpo nas regiões a sul desta cordilheira montanhosa, pelo que nestas últimas não choverá hoje. Hoje, grosso modo, haverá chuva geralmente fraca nas Regiões Norte e Centro, sendo pontualmente moderada.

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Observa-se uma bolsa de ar frio a soltar-se da circulação geral. Ao desprender-se do jato polar, ficará isolada em altitude, evoluindo posteriormente para uma depressão fria. Este tipo de baixas pressões costuma registar uma trajetória irregular, produzindo precipitação convectiva (aguaceiros, trovoada e granizo). É possível que fique ‘estacionada’ em altitude entre Açores, Madeira e Portugal continental. Porém, ainda não se sabe durante quanto tempo, nem a distribuição e intensidade dos fenómenos meteorológicos associados.

Amanhã - sábado, 14 de março - preveem-se aguaceiros geralmente fracos, mais frequentes nas regiões Norte e Centro, tanto de manhã, como de tarde. Ao final do dia poderá chuviscar pontualmente a sul do Tejo, em locais do litoral Alentejano e do Barlavento Algarvio.

Avizinha-se uma mudança de tempo significativa a partir de quarta-feira, 18 de março. O que está em perspetiva?
Avizinha-se uma mudança de tempo significativa a partir de quarta-feira, 18 de março. O que está em perspetiva?

Além disto, a intensificação do vento nor-noroeste, aliada à entrada de uma massa de ar polar, produzirá um agravamento da sensação de frio e rajadas até 60 km/h, especialmente nas regiões Centro e Sul. Destaque-se ainda a possibilidade de queda de neve acima dos 1000/1200 metros de altitude nas serras do extremo norte, com a cota a subir para os pontos mais elevados da Serra da Estrela no período da tarde.

Entre domingo e terça-feira o anticiclone colocará o tempo instável em “pausa”

Para domingo (15) espera-se uma grande estabilização das condições meteorológicas fruto da expansão para leste do anticiclone dos Açores que se estenderá em crista, originando céu pouco nublado ou limpo. Apenas para o extremo Norte é expectável a persistência de nebulosidade, onde não se descarta a possibilidade de ocorrência de aguaceiros fracos e dispersos. O vento Norte manter-se-á dominante e prevê-se uma subida das temperaturas máximas, algo indissociável da influência das altas pressões.

Na segunda-feira (16) a estabilidade meteorológica irá consolidar-se, originando mais um dia de céu pouco nublado ou limpo, somente com nevoeiro matinal nalguns nalgumas zonas, não só devido à maior influência das altas pressões sobre a geografia de Portugal continental, como também por causa do vento Leste, dois fatores que em conjunto contribuem para o abrandamento ou travagem da progressão das perturbações atlânticas, sejam elas de natureza frontal ou convectiva. Além disto, o tempo voltará a aquecer, especialmente no período diurno, com máximas iguais ou superiores a 20 ºC no Centro e Sul.

Previsão da depressão fria isolada plenamente organizada à meia-noite de quinta-feira, 19 de março, com o seu centro situado a oeste de Portugal continental, a nordeste do arquipélago dos Açores e a norte do arquipélago da Madeira.
Previsão da depressão fria isolada plenamente organizada à meia-noite de quinta-feira, 19 de março, com o seu centro situado a oeste de Portugal continental, a nordeste do arquipélago dos Açores e a norte do arquipélago da Madeira.

Para terça-feira (17) o céu manter-se-á pouco nublado ou limpo, o tempo ficará ainda mais quente, inclusive na Região Norte, pelo que quase todo o território do Continente irá registar temperaturas máximas iguais ou superiores ao patamar dos 20 ºC. A grande diferença é que, a mudança radical de tempo que se avizinha a partir do dia seguinte (quarta-feira, 18), começará a dar os primeiros sinais a partir do Sul e Centro de Portugal continental logo na terça-feira, 17 de março, quando o vento passar a soprar de Es-Sudeste.

Na quarta-feira, 18 de março, estará à vista a próxima tempestade?

De acordo com o modelo de confiança da Meteored (Europeu - ECMWF), observa-se a formação de uma depressão fria isolada, que é em tudo semelhante a uma gota fria (constitui uma das fases de uma gota fria), a partir da próxima quarta-feira, 18 de março, posicionando-se em altitude a oeste de Portugal continental.

A cartografia sinóptica revela que, devido ao enfraquecimento e a uma ondulação vincada do jato polar, uma bolsa de ar frio irá soltar-se da circulação geral, isolando-se posteriormente em altitude. Os mapas mostram ainda que este sistema evoluirá para um centro de baixas pressões (depressão fria), que arrastará ar polar de norte (sobretudo para os Açores), provocando uma descida das temperaturas e a ocorrência de períodos de chuva ou aguaceiros, potencialmente sob a forma de granizo e ocasionalmente acompanhados de trovoada.

Mapa de precipitação acumulada até à meia-noite de segunda-feira, 23 de março. A grande 'mancha' circular em tons de rosa no mapa situada a oeste de Portugal continental indica a possível trajetória da depressão fria. Açores e Madeira também deverão ser afetados.
Mapa de precipitação acumulada até à meia-noite de segunda-feira, 23 de março. A grande 'mancha' circular em tons de rosa no mapa situada a oeste de Portugal continental indica a possível trajetória da depressão fria. Açores e Madeira também deverão ser afetados.

Ao contrário das gotas frias que atingiram Portugal continental na primeira quinzena de março, os mapas vislumbram que esta depressão fria isolada terá um carácter estacionário, ficando quase ‘parada’ em altitude e praticamente sem se movimentar durante vários dias. Isto significa que a instabilidade gerada poderá traduzir-se em períodos de chuva ou aguaceiros, trovoada e granizo que poderão arrastar-se durante vários dias, possivelmente entre quarta-feira (18) e até ao fim de semana de 21 e 22 de março, tal como mostra o mapa de precipitação acumulada da Meteored.

Como já é habitual com este tipo de baixas pressões, a sua trajetória é muito errática, tornando muito mais difícil e complexa a tarefa de prever com precisão a distribuição e intensidade da precipitação convectiva que lhes está associada.

Outro aspeto importante e que deve ser tido em atenção é que este centro de baixas pressões terá a particularidade de posicionar-se exatamente entre Açores, Madeira e Portugal continental, pelo que a instabilidade deverá atingir as três unidades territoriais. No entanto, não se sabe quanto tempo ficará ‘estacionada’ em altitude entre os três territórios portugueses, algo que irá interferir decisivamente na distribuição e intensidade dos fenómenos previstos.

Por último, apesar do horizonte temporal da previsão ser bastante longo dado que inclui a precipitação acumulada até segunda-feira (23), os mapas estimam acumulados entre 50 e 75 mm no Centro e Sul de Portugal continental (também choverá no Norte, mas em princípio em menor quantidade), salientando-se o litoral Oeste e o Algarve, bem como o Grupo Oriental dos Açores e o arquipélago da Madeira. Neste último território insular, a acumulação poderá localmente alcançar os 100 mm.

Relembramos a importância de encarar esta previsão da chuva acumulada com muita prudência, uma vez que é bem provável que os modelos registem vários ajustes até bem perto das datas analisadas. Deste modo, aconselhamos a consulta diária das nossas previsões, pois estaremos a monitorizar, atualizar e informar regularmente acerca desta situação meteorológica potencialmente instável.