Previsão a longo prazo em Portugal: o modelo ECMWF prevê uma mudança de padrão a partir de 8 de novembro

Irá a chuva de outono finalmente impor-se em Portugal continental? Entenda o que implica para o país a possível mudança de padrão projetada pelo modelo ECMWF em torno do dia 8 de novembro!

Irá a chuva outonal finalmente impor-se em Portugal continental?
Irá a chuva outonal finalmente impor-se em Portugal continental?

Até agora Portugal continental tem permanecido sob a influência de um anticiclone robusto e persistente. Esta situação tem vindo a traduzir-se em temperaturas invulgarmente elevadas para a época do ano e claramente superiores aos valores médios de referência, com algumas zonas do Sul do país a registarem valores próximos dos 30 ºC nesta reta final de outubro, e num estado do tempo estável, seco e predominantemente soalheiro.

Anticiclone robusto (1041 hPa) deslocado para norte e centrado nas Ilhas Britânicas na terça-feira, 3 de novembro.
Anticiclone robusto (1041 hPa) deslocado para norte e centrado nas Ilhas Britânicas na terça-feira, 3 de novembro.

Este poderoso “escudo” anticiclónico tem vindo a desviar de forma quase contínua para latitudes setentrionais as frentes e depressões atlânticas, responsáveis pela chuva que habitualmente cai no outono, favorecendo ainda a entrada de massas de ar quente vindas do Norte de África.

Deslocação do anticiclone para norte e entrada de ar mais frio, eis o que esperar em Portugal

Os mapas de referência da Meteored, baseados no modelo que merece a nossa maior confiança (ECMWF), indicam que entre domingo e terça-feira, dias 1 e 3 de novembro, o mesmo anticiclone robusto responsável pela estabilidade atmosférica e pelo tempo ameno a quente que imperou até agora em Portugal continental, irá mudar de posição, rumando para norte e fixando-se sobre as Ilhas Britânicas.

Na origem desta reorganização estará uma ondulação maior e mais significativa da corrente de jato polar, que favorecerá uma configuração de bloqueio anticiclónico mais a norte.

Esta mudança no regime de circulação atmosférica, observável nas cartas sinópticas de temperatura a 850 hPa da Meteored (mapa abaixo), poderá permitir a progressão de uma massa de ar polar continental, mais fria e seca, proveniente do oeste da Rússia e da Europa de Leste, que contornaria o anticiclone pelo seu flanco oriental e meridional.

A extensa 'língua' de ar frio e seco, de origem polar continental, passará "de raspão" em Portugal continental. Mapa de temperatura a 1500 metros de altitude.
A extensa 'língua' de ar frio e seco, de origem polar continental, passará "de raspão" em Portugal continental. Mapa de temperatura a 1500 metros de altitude.

Em Portugal continental prevê-se que os efeitos desta entrada de nordeste sejam relativamente modestos. Devido à nossa posição periférica na geografia europeia, esta massa de ar frio chegará até nós bastante modificada e temperada, provocando sobretudo uma ligeira descida das temperaturas máximas e mínimas, sem configurar uma entrada polar intensa. Ainda assim, nalguns locais do interior do nosso território não se exclui a possibilidade de um arrefecimento mais moderado.

Regresso da chuva a Portugal: o que nos contam os modelos e tendências a médio prazo e que diferenças há?

Quanto à chuva na nossa geografia continental, a última atualização determinista do modelo ECMWF sugere a possibilidade da chuva regressar a Portugal continental a partir de sexta-feira, 6 de novembro. Tal poderia acontecer através da formação de uma depressão atlântica que aproveitaria a reorganização da circulação atmosférica e o ‘vazio’ deixado pelo anticiclone deslocado para norte, gerando-se uma eventual aproximação e passagem de superfícies frontais pelo nosso país.

Saída determinista do modelo ECMWF aponta para um possível regresso da chuva a Portugal continental na sexta-feira, 6 de novembro através de uma depressão posicionada a oeste e frentes associadas.
Saída determinista do modelo ECMWF aponta para um possível regresso da chuva a Portugal continental na sexta-feira, 6 de novembro através de uma depressão posicionada a oeste e frentes associadas.

Isto coincide - embora geograficamente apenas de forma parcial - com o mapa semanal de anomalias de precipitação do modelo Europeu, que coloca para a semana de 2 a 9 de novembro um sinal de probabilidade de precipitação superior à média, somente nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela (área manchada a verde indica anomalia positiva de chuva).

Anomalia positiva de chuva indica probabilidade de precipitação superior à média climática de referência na primeira semana de novembro na metade sul de Portugal continental.
Anomalia positiva de chuva indica probabilidade de precipitação superior à média climática de referência na primeira semana de novembro na metade sul de Portugal continental.

Indo mais além no horizonte temporal de previsão, esta tendência para anomalias positivas de chuva obtém continuidade na semana de 9 a 16 de novembro, já sobre a totalidade de Portugal continental, um cenário no qual o ECMWF tem vindo a insistir consistentemente nas últimas atualizações.

Portugal continental "manchado" de verde na segunda semana de novembro. O ECMWF sugere um regresso da precipitação mais generalizada ao nosso país entre 9 e 16 de novembro.
Portugal continental "manchado" de verde na segunda semana de novembro. O ECMWF sugere um regresso da precipitação mais generalizada ao nosso país entre 9 e 16 de novembro.

Importa ainda analisar o gráfico de probabilidades diárias dos principais regimes atmosféricos no setor Euro-Atlântico para perceber se esta tendência para um regresso de chuva obtém consistência. É possível perceber que o Bloqueio anticiclónico (barras a vermelho) é dominante aproximadamente até ao dia 7 de novembro (sábado), perde protagonismo a partir do dia 8 (domingo) e dá lugar a uma maior expressão da Crista Atlântica (barras roxas).

Esta mudança sugere-nos uma reorganização da circulação atmosférica e reforça a possibilidade de regresso da chuva durante a segunda semana de novembro. Todavia, a presença de uma crista atlântica não significa necessariamente o regresso da chuva a Portugal. Tudo dependerá da posição e orientação da crista, e da capacidade das frentes e depressões se aproximarem da Península Ibérica.

Domínio do padrão de bloqueio anticiclónico até 6/7 de novembro (barras vermelhas). Possível alteração de padrão no dia 8 de novembro.
Domínio do padrão de bloqueio anticiclónico até 6/7 de novembro (barras vermelhas). Possível alteração de padrão no dia 8 de novembro.

Assim sendo, é preciso encarar com muita cautela estas tendências de médio prazo, uma vez que as mesmas ainda estão sujeitas a ajustes significativos. É genuinamente precoce afirmar que a chuva irá regressar a Portugal continental entre o final da primeira semana de novembro e o início da segunda semana, embora os modelos continuem a insistir com alguma consistência nessa tendência (algures entre 6 e 9 de novembro poderá dar-se um regresso mais generalizado).

Portanto, é possível concluir que não há certezas quanto ao regresso da chuva a Portugal continental na segunda semana de novembro, apesar da mesma se apresentar como uma janela de oportunidade para tal. As próximas atualizações, mais próximas das datas referidas, vão permitir-nos concluir com um grau de detalhe mais exato, se realmente a chuva regressa ou não nas datas em questão.