A cerca de 10.000 metros sobre Portugal: a corrente de jato polar vai ondular sobre a Europa; eis os efeitos previstos

A configuração atmosférica esperada para a próxima semana poderá resultar na chegada de uma massa de ar frio e seco de origem continental à maior parte da Europa. Portugal será afetado? Saiba aqui a resposta!
De acordo com a mais recente atualização do ECMWF, tudo indica que a próxima semana trará algumas mudanças na configuração atmosférica europeia. Será Portugal afetado por esta mudança?
Um jato polar bastante ondulado, um anticiclone robusto e uma massa de ar frio e seco, de origem continental, estarão na origem desta mudança que poderá ter influência na descida das temperaturas em praticamente toda a Europa. Ainda assim, é esperado que Portugal não seja diretamente afetado por esta configuração e aqui, tentaremos explicar porquê.
Corrente de jato poderá salvaguardar Portugal do ar frio
Olhando para o mapa abaixo, conseguimos ver (em tons de rosa) o jato polar na próxima semana e a possível influência do mesmo. Ora, sobre as Ilhas Britânicas deveremos contar com um anticiclone bastante robusto, com pressões na ordem dos 1040 hPa, que deverá manter-se na mesma posição durante alguns dias, enquanto o jato o "prende", tendo em conta a sua ondulação. Este bloqueio deverá contribuir para a movimentação da massa de ar frio e seco, proveniente da Rússia.

Mais a leste, conseguimos ver uma baixa pressão (ou depressão) sobre a Rússia, que também contribui para facilitar o movimento desta massa de ar frio, que, ainda de acordo com o mesmo mapa, deverá atravessar grande parte da Europa, no sentido Este-Oeste. Contudo, sobre Portugal conseguimos verificar a presença do jato que, apesar deste se situar a milhares de metros de altitude, acaba por influenciar esta movimentação de altas/baixas pressões e de massas de ar, devendo, desta forma, impedir a influência direta desta massa de ar na nossa geografia.
Efeitos esperados em Portugal Continental
Esperamos que até aqui a explicação tenha sido o mais clara possível, mas o ponto a reter em relação ao nosso território é: esta massa de ar frio e seco não nos deverá afetar de forma direta. Mas o que significa isto na prática?

O mapa acima mostra a área abrangida por esta massa de ar frio, onde Portugal se insere. No entanto, e tal como mencionado na legenda do mesmo, nem sempre as temperaturas em altitude influenciam as temperaturas à superfície, de forma generalizada. Neste caso em específico, os nossos mapas de anomalia térmica à superfície indicam valores acima da média na maior parte do continente, especialmente durante a tarde, onde os termómetros atingem os valores mais elevados, mas este cenário muda nas temperaturas noturnas.
Ainda de acordo com os mesmos mapas, estas anomalias poderão tornar-se negativas, com valores mais evidentes, até 8 ºC abaixo da média, durante as madrugadas, onde se esperam descidas acentuadas da temperatura.
Ou seja, esta massa de ar frio poderá contribuir para esta descida acentuada, especialmente no Norte e Centro do país, sendo esperado que o Sul mantenha máximas na ordem dos 20 ºC ou mais e mínimas próximas dos 10 ºC ou mais, enquanto nas cotas mais elevadas do Norte e Centro os valores se possam aproximar dos 0 ºC e no caso da Serra da Estrela poderão registar-se temperaturas negativas até - 3 ºC, na madrugada de quarta-feira (4).