Padrão atmosférico para a segunda metade de agosto: “crista atlântica poderá impor-se” — consulte os efeitos em Portugal
A segunda metade de agosto poderá ser marcada por uma maior influência da Crista Atlântica sobre a região euro-atlântica. Em Portugal, a tendência aponta para períodos de estabilidade, embora algumas perturbações possam interromper temporariamente esse cenário.

A segunda metade de agosto poderá trazer um padrão atmosférico relativamente estável a Portugal. As últimas tendências do modelo europeu apontam para uma maior influência da Crista Atlântica, embora algumas perturbações possam interromper temporariamente este cenário.
A 15 de agosto um bloqueio ainda domina o padrão europeu
No arranque da segunda quinzena, o padrão atmosférico será ainda marcado por uma configuração de bloqueio (Bloqueio Escandinavo), associada à presença persistente de altas pressões sobre a Escandinávia e parte do leste europeu.
Este tipo de configuração perturba a circulação habitual de oeste para leste, desviando a trajetória das depressões e sistemas frontais. Contudo, estes regimes representam a configuração atmosférica de grande escala e não impedem a formação de depressões isoladas ou fenómenos meteorológicos regionais.

É precisamente o que poderá acontecer no dia 15 de agosto. Uma depressão isolada, localizada sobre a Península Ibérica poderá favorecer alguma precipitação no interior Norte e Centro de Portugal, além da possibilidade de trovoadas com uma distribuição mais abrangente.
A partir de dia 17, a Crista Atlântica poderá ganhar terreno
As tendências do ECMWF apontam posteriormente para uma mudança de regime, com a Crista Atlântica (Atlantic Ridge — ATR) a ganhar maior expressão.

Este padrão caracteriza-se pela expansão de uma zona de altas pressões sobre o Atlântico Norte, formando uma espécie de “barreira” à progressão habitual das depressões atlânticas em direção à Europa Ocidental.

Por volta de 17 de agosto, esta configuração já poderá ser visível, com as altas pressões posicionadas mais a norte sobre o Atlântico. Para Portugal, isto tende a traduzir-se em tempo mais estável e menor exposição direta às perturbações atlânticas, particularmente no litoral.
Uma breve mudança poderá chegar ao Sul no dia 18
Apesar da tendência geral para a estabilidade, o cenário não será necessariamente linear. No dia 18, algumas regiões do Sul poderão registar um arrefecimento temporário, acompanhado pela possibilidade de alguma precipitação.

Contudo, de acordo com as atuais projeções, esta alteração deverá ter curta duração. As temperaturas poderão recuperar logo posteriormente, mantendo-se até cerca de 21 de agosto uma tendência para condições geralmente estáveis.
E até ao final de agosto?
A maior incógnita surge precisamente na última semana do mês. As atuais projeções sub-sazonais continuam a atribuir relevância à Crista Atlântica durante a segunda metade de agosto, o que, caso se confirme, poderá favorecer períodos prolongados de estabilidade em Portugal.
Ainda assim, nesta escala temporal falamos de tendências e probabilidades, não de uma previsão determinística. Os gráficos dos regimes atmosféricos podem sofrer alterações consideráveis entre atualizações. Será, por isso, importante acompanhar as próximas saídas do modelo europeu para perceber se a Crista Atlântica conseguirá realmente manter a sua influência até ao final de agosto.