“Língua” de poeiras do Saara aproxima-se a toda a velocidade de Portugal: poderá trazer chuva de lama, explica Ana Palma

Portugal continental ficará sob a influência de uma extensa pluma de poeiras do Saara, que poderá tornar o céu mais opaco, reduzir a visibilidade e deteriorar a qualidade do ar, sobretudo entre sexta-feira e sábado.
Uma faixa de poeiras provenientes do Saara deverá alcançar Portugal continental na manhã da próxima sexta-feira, 7 de agosto. A intrusão atingirá o pico entre a madrugada e o meio-dia de sábado, embora as concentrações permaneçam elevadas no Algarve durante a tarde, tornando o céu mais turvo e reduzindo a transparência atmosférica.
Circulação de sudoeste conduz as poeiras do Norte de África até Portugal
O episódio resulta de uma circulação persistente de sul e sudoeste, estabelecida entre o Norte de África, o Atlântico oriental e a Península Ibérica. A configuração dos centros de pressão e o escoamento em altitude, onde o vento ultrapassará os 70 km/h, favorecem o transporte das partículas das regiões desérticas para noroeste e depois nordeste. A corrente contorna a costa marroquina e conduz a pluma em direção ao território português. A expressão “língua de poeiras” deve-se à forma estreita, alongada e curva que a nuvem apresenta ao aproximar-se da costa.

A chegada de poeiras começará a notar-se na manhã de sexta-feira, inicialmente junto ao litoral ocidental. Durante a tarde, a pluma tornar-se-á mais densa e avançará para o interior, afetando o Norte, o Centro e a região de Lisboa. Ao início da noite, os valores de profundidade ótica dos aerossóis aproximar-se-ão de 0,25, podendo atingir 0,29 na região de Viseu. No interior alentejano e no Algarve, a presença de poeiras será menos expressiva.
Pico previsto para sábado poderá coincidir com aguaceiros e originar chuva de lama
Entre o final de sexta-feira e a madrugada de sábado, a pluma alargar-se-á a todo o território continental. Os valores mais elevados, entre 0,28 e 0,29, deverão registar-se nas regiões de Coimbra, Santarém, Castelo Branco e Guarda. Lisboa e parte do Norte permanecerão sob uma carga significativa. Durante a tarde, as concentrações diminuirão no Norte e no Centro, enquanto no Algarve continuarão elevadas, próximas de 0,27 ao final do dia.

Os efeitos mais visíveis serão o tom esbranquiçado ou amarelado do céu, a menor nitidez da paisagem e a deposição de poeira em automóveis, janelas e outras superfícies.

No sábado, estão previstos aguaceiros fracos e dispersos no Norte e no Centro. Ao atravessarem uma atmosfera com poeiras, as gotas poderão captar as partículas e transportá-las até à superfície, originando chuva de lama. O fenómeno deverá ser localizado, devido à fraca intensidade e à distribuição irregular dos aguaceiros.
A intrusão perderá expressão no final de sábado, quando a pluma avançar para leste e se concentrar sobre Espanha. Simultaneamente, a entrada de ar atlântico favorecerá a renovação da massa de ar sobre Portugal.