"Já se veem sinais do outono nos mapas do tempo para Portugal": tendências para a segunda quinzena de agosto

Os primeiros sinais de uma mudança começam a surgir nos mapas para Portugal. A segunda quinzena de agosto poderá trazer uma atmosfera mais variável, à medida que se aproxima o final do verão climatológico.

Os mapas começam a revelar uma mudança no padrão atmosférico para o final de agosto, com sinais de maior variabilidade à medida que setembro se aproxima.
Os mapas começam a revelar uma mudança no padrão atmosférico para o final de agosto, com sinais de maior variabilidade à medida que setembro se aproxima.

Os mapas do tempo começam a ganhar novas cores à medida que agosto avança. Entre os sinais mais relevantes está a precipitação: na última semana do mês, o modelo europeu mostra valores acima da média praticamente de norte a sul de Portugal continental e também na Madeira. Uma tendência que surge acompanhada por alterações na temperatura e na circulação atmosférica.

Precipitação acima da média ganha expressão no final de agosto

O sinal não significa que esteja à porta uma semana de chuva persistente. Agosto é um mês climatologicamente seco em grande parte do território e, por isso, quantidades relativamente pequenas podem ser suficientes para ultrapassar os valores habituais. Ainda assim, a extensão das anomalias positivas entre 24 e 31 de agosto destaca-se nos mapas mais recentes, abrangendo praticamente todo o continente, embora com maior expressão no Norte e Noroeste.

O sinal de precipitação acima do habitual estende-se praticamente de norte a sul de Portugal continental na última semana de agosto, sendo mais expressivo no Norte e Noroeste. As anomalias positivas abrangem também a Madeira.
O sinal de precipitação acima do habitual estende-se praticamente de norte a sul de Portugal continental na última semana de agosto, sendo mais expressivo no Norte e Noroeste. As anomalias positivas abrangem também a Madeira.

A circulação atmosférica ajuda a explicar esta tendência. Aos 500 hPa, aproximadamente 5500 metros de altitude, surge uma pequena anomalia negativa de geopotencial imediatamente a nordeste da Península Ibérica. Os mapas do vento no mesmo nível revelam também uma reorganização da circulação sobre o Atlântico, deixando Portugal numa posição mais exposta à influência de massas de ar provenientes de oeste.

A configuração prevista em altitude mostra uma pequena anomalia negativa de geopotencial a nordeste da Península Ibérica, favorecendo uma maior abertura à influência atlântica e a condições meteorológicas mais variáveis no final de agosto.
A configuração prevista em altitude mostra uma pequena anomalia negativa de geopotencial a nordeste da Península Ibérica, favorecendo uma maior abertura à influência atlântica e a condições meteorológicas mais variáveis no final de agosto.

É uma configuração diferente daquela que favorece longos períodos de estabilidade, céu limpo e forte aquecimento no verão. Não significa que as depressões atlânticas passem a dominar o estado do tempo, mas sugere maior facilidade para a aproximação de perturbações e, consequentemente, maior variabilidade das condições meteorológicas.

Calor anómalo perde força à medida que setembro se aproxima

Nos mapas de temperatura, a diferença entre as duas semanas também é evidente. Entre 17 e 24 de agosto, Portugal deverá continuar mais quente do que o habitual, com anomalias positivas que poderão atingir 2 a 3 ºC em algumas zonas do Norte e da faixa ocidental.

Na semana seguinte, porém, esse excesso térmico perde claramente expressão. Entre 24 e 31 de agosto, grande parte do interior apresenta temperaturas médias próximas da normalidade, permanecendo anomalias positivas mais modestas sobretudo junto ao litoral ocidental.

Na última semana de agosto, o calor anómalo deverá perder expressão em Portugal. Grande parte do território apresenta temperaturas médias próximas dos valores climatológicos, enquanto os desvios positivos ficam sobretudo concentrados junto à faixa ocidental.
Na última semana de agosto, o calor anómalo deverá perder expressão em Portugal. Grande parte do território apresenta temperaturas médias próximas dos valores climatológicos, enquanto os desvios positivos ficam sobretudo concentrados junto à faixa ocidental.

À medida que agosto se aproxima do fim, os mapas começam assim a afastar-se do padrão mais estável que marcou grande parte do verão. No entanto, a esta distância temporal, ainda não é possível determinar como estas tendências se traduzirão no estado do tempo em cada região ou em que dias poderá chover.

A evolução prevista aponta já para uma atmosfera mais variável, algo que começa a ser habitual nesta fase do ano, à medida que o verão climatológico se aproxima do fim.