Entre terça e domingo a depressão Therese deixará chuva, vento, trovoada e agitação marítima nestas zonas de Portugal

Segunda e terça-feira serão dois dias quentes e anticiclónicos. Porém, tudo mudará nas últimas horas de amanhã, dia 17. A instabilidade chegará aos poucos a Portugal continental através de Therese, uma depressão que começará por atingir Açores e Madeira.

Entre terça e quarta, dias 17 e 18 de março a depressão Therese fustigará o arquipélago dos Açores com agitação marítima agreste (ondas até 8/9 metros de altura significativa), um forte vendaval (rajadas até 110 km/h), aguaceiros, por vezes de granizo, descida drástica das temperaturas que resultará num tempo muito mais frio do que o habitual graças ao transporte de uma massa ar polar e ainda a possibilidade de queda de neve nas zonas acima dos 800 metros de altitude nas ilhas do Pico, Terceira e São Miguel.

A partir das últimas horas de terça (17), a depressão Therese rodopiará de forma relativamente estacionária entre o oes-sudoeste de Portugal continental e os arquipélagos dos Açores e da Madeira, podendo evoluir a partir das primeiras horas da madrugada de sexta-feira (20) para uma região depressionária com pelo menos 2 núcleos de baixas pressões, entrando em efeito Fujiwhara.

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O que é o efeito Fujiwhara? Este efeito foi descrito, pela primeira vez, pelo meteorologista japonês Sakuhei Fujiwhara, que estudou a interação de ciclones entre 1921 e 1923. Nesse âmbito, descobriu que quando dois sistemas de baixa pressão se aproximam, podem orbitar um ao outro e eventualmente fundirem-se (se uma das depressões tende a ser, então terá um efeito dominante sobre o mais fraco, podendo absorvê-lo) ou a alterarem a sua trajetória.

A depressão Therese, nomeada hoje pelo IPMA - Delegação Regional dos Açores, corrobora na perfeição o cenário meteorológico avançado desde há vários dias pela Meteored Portugal, que mencionava a formação de uma grande depressão fria isolada em altitude a oeste de Portugal continental. Na altura os modelos ainda não mostravam a possibilidade do sistema de baixas pressões evoluir para um efeito Fujiwhara, mas agora essa hipótese é cada vez mais provável a partir da madrugada de sexta-feira (20).

Origem e potenciais efeitos da depressão Therese, dos arquipélagos ao Continente

De acordo com a última atualização dos mapas de referência da Meteored, baseados no modelo europeu, as linhas de instabilidade e frentes geradas em redor do centro da depressão Therese irão começar a afetar o litoral Centro e Sul Portugal continental a partir das 18:00 de amanhã - terça-feira (17) -, produzindo episódios de chuva, vento e outros fenómenos atmosféricos de forma relativamente intermitente ao longo da semana, pelo menos até sábado (21).

Também o arquipélago da Madeira estará exposto ao temporal de chuva, vento e agitação marítima ao longo da presente semana.

Efeito Fujiwhara previsto para a madrugada de sexta-feira (20) a oes-sudoeste de Portugal continental.
Efeito Fujiwhara previsto para a madrugada de sexta-feira (20) a oes-sudoeste de Portugal continental.

É caso para dizer que este estado do tempo muito dinâmico e variável, com períodos de sol, calor e tempo seco a alternarem rapidamente com os de chuva, vento e frio, faz jus a famosos provérbios populares portugueses, tais como “Março, marçagão, manhã de sol e tarde de cão”, ou até mesmo “Em março, chove cada dia um pedaço”. Não é aquele tipo de precipitação frontal persistente e contínua; não obstante, são expectáveis períodos de chuva ou aguaceiros, praticamente diariamente, ainda que distribuídos de forma bastante desigual à escala regional.

A razão pela qual a depressão Therese se manterá relativamente estacionária entre as três unidades territoriais portuguesas tem a ver com o facto de existir um bloqueio de altas pressões em ómega (chama-se assim devido ao formato que encadeia as altas pressões fazer lembrar a letra grega ómega), com duas zonas de altas pressões, uma a oeste do arquipélago dos Açores, e outra a nor-nordeste, sobre a Europa do Norte e Central, que bloqueiam a progressão de Therese e a manterão ‘presa’ entre Açores, Madeira e Portugal continental durante praticamente toda a semana.

Eis as zonas de Portugal continental mais afetadas pela chuva

Até domingo (22) os mapas da Meteored de chuva acumulada continuam a insistir no mesmo cenário que as últimas saídas do modelo Europeu projetavam: as regiões portuguesas mais afetadas pela precipitação serão os Grupos Central e Oriental dos Açores, o arquipélago da Madeira e o litoral Centro e Sul de Portugal continental.

Previsão da distribuição de chuva acumulada até à meia-noite de domingo, 22 de março, em Portugal continental, Açores e Madeira.
Previsão da distribuição de chuva acumulada até à meia-noite de domingo, 22 de março, em Portugal continental, Açores e Madeira.

Nesta última unidade territorial, o distrito de Faro é a região onde poderá chover mais, salientando-se a sua metade ocidental - Barlavento Algarvio - onde se prevê que caiam 135 mm entre quarta-feira (18) e domingo (22), seguido do litoral do distrito de Beja, e pelos distritos de Setúbal, Lisboa e Leiria (entre 50 e 90 mm). No resto da geografia continental são expectáveis acumulações substancialmente inferiores, variando entre 5 e 45 mm.

No Continente também haverá rajadas fortes, risco de trovoada, granizo e ainda uma agitação marítima significativa

E, por último, tal como referido acima, a precipitação, muitas vezes do tipo convectivo, refletir-se-á através de períodos de chuva ou aguaceiros, geralmente fracos e intermitentes, podendo pontualmente ser fortes, sob a forma de granizo e potencialmente acompanhados de trovoada. A atividade elétrica será mais provável e frequente nas regiões Centro e Sul. Também poderá ocasionalmente manifestar-se do tipo frontal.

Quanto ao mar, esperam-se ondas de 3 a 4 metros de altura significativa na faixa costeira ocidental, podendo atingir altura máxima entre 7 e 9 metros, com o período mais crítico previsto para quarta e quinta-feira, dias 18 e 19 de março.

A partir de sexta-feira (20), com o afastamento gradual da depressão para este e para sul, o tempo instável dissipar-se-á progressivamente da geografia do Continente, até desaparecer totalmente nas últimas horas de sábado (21). Na Madeira a depressão poderá manter-se pelo menos até domingo (22).

Quanto ao vento, que soprará geralmente de Sudeste a partir de quarta-feira (18), espera-se que produza rajadas de até 60 ou 65 km/h, tanto no litoral como nas terras altas do Centro e Sul, pelo menos entre terça (17) e sexta-feira (20).