Uma grande ondulação do jato polar poderá alterar o tempo em Portugal: estes serão os efeitos na chuva e na temperatura

A circulação atmosférica no Atlântico Norte poderá sofrer alterações nos próximos dias. A ondulação da corrente de jato polar poderá favorecer a formação de depressões e a aproximação de frentes à Península Ibérica, aumentando a probabilidade de chuva e vento em várias regiões de Portugal.

A circulação atmosférica no Atlântico Norte poderá sofrer alterações nos próximos dias, com impacto no estado do tempo em Portugal. As previsões dos modelos meteorológicos indicam a formação de uma ondulação da corrente de jato polar no Atlântico oriental, um padrão que favorece desenvolvimento de depressões e aproximação de sistemas frontais à Península Ibérica.

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Durante o início da semana, a atmosfera deverá manter-se relativamente estável sobre grande parte do território continental. Um campo de pressões relativamente uniformes sobre a Península Ibérica favorece tempo mais tranquilo, com vento fraco e ausência de precipitação significativa na maioria das regiões. As temperaturas máximas situam-se, em geral, entre 17 e 22 °C, podendo ser ligeiramente superiores em alguns locais do interior.

Ondulação do jato polar favorece formação de depressão no Atlântico

A situação começa a alterar-se a partir do final da tarde de terça-feira, com a aproximação de uma perturbação atlântica. A corrente de jato polar — faixa de ventos muito intensos que circula em altitude, geralmente entre cerca de 9 e 12 quilómetros nas latitudes médias — apresenta ondulação mais pronunciada sobre Atlântico, favorecendo desenvolvimento de depressões e sistemas frontais capazes de transportar ar mais húmido para Península Ibérica.

Vento previsto a 300 hPa (cerca de 9 a 12 km de altitude) na quarta-feira, 18 de março, às 12h. Este nível corresponde à altitude onde circula a corrente de jato polar, uma faixa de ventos muito intensos que influencia a formação e o deslocamento das depressões no Atlântico Norte. A ondulação visível nesta corrente favorece o desenvolvimento de uma depressão a oeste da Península Ibérica e a organização de sistemas frontais capazes de transportar ar mais húmido para a região.
Vento previsto a 300 hPa (cerca de 9 a 12 km de altitude) na quarta-feira, 18 de março, às 12h. Este nível corresponde à altitude onde circula a corrente de jato polar, uma faixa de ventos muito intensos que influencia a formação e o deslocamento das depressões no Atlântico Norte. A ondulação visível nesta corrente favorece o desenvolvimento de uma depressão a oeste da Península Ibérica e a organização de sistemas frontais capazes de transportar ar mais húmido para a região.

Uma depressão atlântica, nomeada hoje de Therese pelo IPMA - Delegação Regional dos Açores, poderá desenvolver-se a oeste da Península Ibérica, organizando um sistema frontal que tenderá a deslocar-se para leste. À medida que se aproxima, o fluxo dominante sobre Portugal roda para sudoeste, transportando ar mais húmido e aumentando nebulosidade.

Chuva, vento e descida de temperatura em várias regiões

A probabilidade de precipitação aumenta sobretudo no litoral e nas regiões do Norte e do Centro. Áreas mais expostas ao fluxo atlântico, como Minho, Douro Litoral, região de Aveiro, área de Lisboa e litoral alentejano, poderão registar maiores acumulados. A passagem das frentes poderá provocar períodos de chuva, por vezes moderada, com acumulados entre 10 e 30 mm. Em alguns períodos, não se exclui ocorrência de aguaceiros mais intensos localizados.

Temperatura prevista a 850 hPa (aproximadamente 1500 metros de altitude) na quarta-feira, 18 de março, às 12h, segundo o modelo ECMWF. Este nível da atmosfera é frequentemente utilizado para identificar massas de ar e compreender a circulação atmosférica de grande escala. Observa-se a circulação associada a uma depressão no Atlântico oriental, já instalada a oeste da Península Ibérica e responsável por transportar ar mais húmido e instável em direção ao território.
Temperatura prevista a 850 hPa (aproximadamente 1500 metros de altitude) na quarta-feira, 18 de março, às 12h, segundo o modelo ECMWF. Este nível da atmosfera é frequentemente utilizado para identificar massas de ar e compreender a circulação atmosférica de grande escala. Observa-se a circulação associada a uma depressão no Atlântico oriental, já instalada a oeste da Península Ibérica e responsável por transportar ar mais húmido e instável em direção ao território.

O vento deverá intensificar-se gradualmente, soprando do quadrante sudoeste e podendo atingir rajadas entre 40 e 60 km/h no litoral e terras altas, sobretudo no litoral oeste e nas serras do Norte e Centro.

Precipitação acumulada prevista até quinta-feira, 19 de março, às 21h, segundo o modelo ECMWF. O mapa indica os valores totais de precipitação associados à passagem de sistemas frontais ligados a uma depressão no Atlântico. Os maiores acumulados concentram-se nas áreas mais expostas ao fluxo húmido proveniente do oceano, nomeadamente no litoral e nas regiões do Norte e Centro de Portugal.
Precipitação acumulada prevista até quinta-feira, 19 de março, às 21h, segundo o modelo ECMWF. O mapa indica os valores totais de precipitação associados à passagem de sistemas frontais ligados a uma depressão no Atlântico. Os maiores acumulados concentram-se nas áreas mais expostas ao fluxo húmido proveniente do oceano, nomeadamente no litoral e nas regiões do Norte e Centro de Portugal.

Após passagem das frentes, entrada de ar ligeiramente mais fresco poderá provocar descida moderada das temperaturas, com máximas próximas de 14 a 18 °C em várias regiões.

Este tipo de mudança no padrão atmosférico é relativamente comum durante primavera meteorológica, período caracterizado por maior variabilidade da circulação no Atlântico Norte. A interação entre ondulações do jato polar, depressões atlânticas e campos anticiclónicos pode provocar oscilações rápidas no estado do tempo à escala regional.