Confirmado: o jato polar afundará na quinta, 22; Portugal sob o ‘ataque’ de tempestades com chuva, frio e neve

Esta semana o jato polar encaminhará tempestades e frentes atlânticas até Portugal continental, produzindo vários episódios significativos de chuva, frio e neve. Saiba o que esperar do tempo na sua região!
Será uma semana muito húmida e instável em Portugal, com chuva forte e generalizada de norte a sul do território continental, embora com mais frequência e persistência nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela. Além disto, os mapas vislumbram a possibilidade de um grande nevão na reta final da semana.
Observa-se a corrente de jato polar. Trata-se de um canal de ventos muito fortes, em forma de tubo. Pode ser entendido como um rio de ar que flui acima das nossas cabeças (a cerca de 9-16 km acima da superfície da Terra) e a velocidades de 100-250 km/h, com milhares de quilómetros de comprimento, mas apenas alguns quilómetros de largura.
A partir de amanhã - terça-feira, 20 - um ‘comboio’ de tempestades chegará do Atlântico encaminhado por uma forte corrente de jato polar, com várias frentes frias consecutivas a atravessar Portugal continental de oeste para leste. As altas pressões não estarão presentes no nosso país, exceto nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, onde o domínio anticiclónico será interrompido apenas de forma breve e ocasional por alguns aguaceiros durante esta semana.
O jato polar encaminhará depressões e respetivas frentes frias desde o Ártico até Portugal
Amanhã - terça-feira, 20 de janeiro - haverá uma primeira amostra devido à chegada de uma frente que distribuirá chuva localmente forte no Minho, estendendo-se gradualmente a outros distritos do Norte e Centro, especialmente nos do litoral.

Posteriormente, ao longo dos restantes dias da presente semana, o bloqueio anticiclónico estará situado entre a Gronelândia e a Escandinávia, forçando o jato polar a descer em latitude, que deste modo se encaminhará diretamente para a Península Ibérica. Os arquipélagos dos Açores e da Madeira ficarão à margem da sua influência, mas não se exclui a possibilidade de ocorrência de alguns chuviscos fracos e dispersos.
Esta configuração sinóptica será, portanto, favorável à existência de um corredor aberto de baixas pressões e frentes desde o Ártico (em concreto desde a Gronelândia) até ao nosso país, o que se traduzirá em precipitação generalizada, sendo sob a forma de neve nos principais sistemas montanhosos.
De acordo com o modelo europeu, prevê-se entre 150 e 200 mm de chuva acumulada no Minho, com o patamar dos 100 mm a ser ultrapassado em vários distritos do país: Porto, setores ocidentais de Vila Real e Viseu, Aveiro, e várias zonas de Coimbra, Leiria, Guarda e Castelo Branco (estes 2 últimos na zona correspondente à Serra da Estrela). Em alguns pontos do litoral alentejano e algarvio a precipitação acumulada poderá rondar os 80/90 mm.

Por outro lado, esperam-se acumulações menos significativas em Lisboa (grande contraste entre a cidade-capital - apenas 30 mm; por comparação à metade ocidental do distrito - valores a rondar os 75/80 mm), Setúbal; boa parte do Alentejo e do Algarve e o interior Norte e Centro. Esta grande dicotomia na distribuição pluviométrica entre litoral e interior é explicada pelo efeito de orografia exercido pelos principais sistemas montanhosos.
Um grande nevão à vista na reta final da semana?
As últimas saídas dos mapas da Meteored, baseados no modelo Europeu, têm insistido num cenário peculiar que sugere um grande nevão, mais expressivo na segunda metade desta semana, e cuja fase mais crítica poderia ser atingida na noite de sexta (23) para sábado (24). É importante salientar que é cedo para confirmar a ocorrência do nevão devido ao horizonte temporal da previsão que ainda sofrerá os necessários ajustes, mas a sua probabilidade aumentou significativamente nas últimas horas.
Este ar polar provocaria uma descida das temperaturas e uma queda forte e persistente de neve em serras, montanhas e localidades do Norte e Centro, não se excluindo essa possibilidade também em zonas onde é raro nevar, mais próximas ao litoral e no Alentejo. É possível que boa parte da neve modelada pelos mapas seja granizo e chuva congelante, mas a neve parece cada vez mais provável a partir dos 800/1000 metros de altitude, com acumulação e espessura consideráveis.

Abaixo dos 800 metros de altitude, os modelos sugerem queda e acumulação de neve, embora o mais provável é que parte dela seja ‘cortada’ pelas próximas atualizações ou assuma a forma de outros hidrometeoros: granizo, água congelante, águaneve, entre outros. Haverá que prestar atenção à evolução dos modelos.
Não obstante, até sábado (24) à noite, a neve acumulada poderá situar-se entre 40 e 60 cm nas serras mais altas do Norte e do Centro (Peneda, Soajo, Amarela, Gerês, Larouco, Barroso, Alvão, Marão, Montemuro, entre muitas outras), podendo atingir 70 cm nos pontos mais elevados e mais expostos. Na Serra da Estrela preveem-se valores em torno dos 50 cm.