A biblioteca do Palácio de Mafra reabre as portas: um tesouro acessível de forma gratuita
A Biblioteca do Palácio de Mafra volta a receber visitantes, devolvendo ao público um dos maiores tesouros do património cultural portuguê do século XVIII. Descubra aqui mais sobre a sua história!

No coração de um dos monumentos mais emblemáticos de Portugal, o Palácio Nacional de Mafra, considerado um dos recantos mais mágicos da cultura lusitana voltou a brilhar com esplendor renovado.
Após meses de obras de conservação e restauro, a Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra reabriu ao público no dia 9 de janeiro de 2026, com acesso gratuito graças a uma medida que pretende democratizar o acesso à cultura e ao património artístico do país.
Esta biblioteca, frequentemente descrita como uma das mais bonitas de Portugal, esteve em restauro desde agosto de 2025. O objetivo da intervenção passou pelo reforço das condições de segurança, preservação e conforto do espaço, assegurando que este tesouro do património nacional possa ser usufruído por visitantes, investigadores e amantes de livros durante muitas décadas.
Ao atravessar as portas desta sala de saber e luz, o visitante não encontra apenas um local de leitura, mas uma verdadeira obra de arte arquitetónica.
A biblioteca, com 88 metros de comprimento e uma planta em cruz, impressiona por sua arquitetura clássica e detalhes requintados. O chão de mármore rosa, cinzento e branco cria um padrão que convida a um passeio contemplativo, enquanto as estantes de madeira ornamentadas guardam centenas de volumes antigos, muitos deles raros e valiosos.
Um espólio de valor inestimável
Entre as preciosidades que compõem o acervo, destacam-se as segundas edições d’Os Lusíadas, a obra-prima de Luís de Camões e uma Bula papal emitida pelo Papa Bento XIV em 1754. São peças que ultrapassam o valor de mero objeto de leitura, são testemunhos vivos da história literária e religiosa de Portugal.

A biblioteca pertence ao conjunto monumental mandado construir por D. João V, no início do século XVIII, numa época em que a expansão ultramarina e o auge das artes barrocas mesclavam-se em palácios e instituições de saber por toda a Europa.
Não é por acaso, que esta biblioteca é muitas vezes comparada, pelo seu encanto e grandiosidade, a outras grandes salas de livros europeias, como a Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, outra joia do Barroco em Portugal.
Gratuitidade e acesso: um convite à descoberta
Uma das notícias mais celebradas desta reabertura é o facto de a entrada ser gratuita para visitantes, no âmbito de uma medida cultural implementada em 2024 que pretende abrir mais portas do património português à população.
A biblioteca pode ser visitada todos os dias úteis, com horários que facilitam tanto os passeios turísticos como a visita de estudantes e investigadores.
Para muitos, esta acessibilidade representa uma oportunidade rara, observar de perto obras antigas, contemplar a beleza arquitetónica e sentir o peso simbólico de livros que ajudaram a moldar a língua e a história de um país inteiro.
É uma experiência que vai muito além de folhear páginas, é entrar em contacto com séculos de conhecimento, ideias e aspirações humanas.
O valor de uma biblioteca no século XXI
Em tempos em que a leitura digital cresce e as bibliotecas reinventam-se, a reabertura da Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra é também um lembrete do valor insubstituível dos espaços físicos de cultura e memória.
Estes espaços continuam a ser lugares de encontro, reflexão e aprendizagem, onde a história, a arte, a arquitetura e a literatura se cruzam de forma harmoniosa.
Se ainda não explorou este espaço magnífico, talvez agora seja a altura de o fazer. A Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra é um património vivo que convida todos a entrar, a maravilhar-se e a imaginar as histórias que cada livro e cada detalhe arquitetónico guardam.