Comboio de depressões nos próximos dez dias: até cinco frentes de chuva atingirão Portugal

De domingo em diante, Portugal continental entra numa fase de alternância entre abertas, noites frias no interior e a aproximação de novas frentes atlânticas. O jato polar mantém-se intenso e curvado sobre o Atlântico Norte. Nos próximos 10 dias esperam-se até 5 frentes.

Depois da frente fria de sábado, a atmosfera não entra num cenário de mau tempo contínuo, mas também não regressa ao bloqueio anticiclónico prolongado das últimas semanas.

O padrão de NAO+ previsto pelo modelo europeu (ECMWF), usado pela nossa equipa da Meteored, mantém o jato polar forte e ondulante, com depressões a circularem sobretudo ao largo das Ilhas Britânicas e do norte da Europa, mas com frentes associadas a “rasarem” o Norte e Centro de Portugal, até ao próximo fim de semana.

Entre o domingo com chuva residual a norte e a segunda de transição para nova frente

No domingo, 30 de novembro, sente-se claramente o “pós-frontal”. A massa de ar fica um pouco mais seca e estável, em especial no Centro e Sul e no interior do território. A norte do sistema Montejunto-Estrela, o céu apresenta-se com nebulosidade variável, ainda com possibilidade de alguns aguaceiros fracos e dispersos junto ao litoral noroeste, mas já longe da organização da frente de sábado.

As temperaturas mantêm-se dentro da normalidade para o início de dezembro: máximas a rondar os 12 a 15 ºC no Norte e Centro e os 15 a 17 ºC no Sul.

Máximas entre os 12 e os 17 ºC em Portugal Continental.
As temperaturas mantêm-se dentro da normalidade durante o domingo, com máximas entre os 12 e os 17 ºC em Portugal Continental.

As mínimas continuam baixas no Interior Norte e Centro, descendo para valores entre 1 e 5 ºC em vales abrigados, com formação de geada em alguns locais. No litoral, as noites são mais amenas, mas ainda frescas, na casa dos 6–10 ºC, tanto em Porto como em Lisboa.

O vento sopra em geral fraco, predominando dos quadrantes norte e oeste. Haverá tendência para algum nevoeiro matinal em bacias interiores e áreas de vale, que se dissipará ao longo da manhã, dando lugar a períodos de sol, sobretudo no Centro e Sul.

Na segunda-feira, 1 de dezembro, o cenário é de “semi-estabilidade”. A influência anticiclónica volta a fazer-se sentir, mas o fluxo atlântico em altitude permanece ativo, preparando a aproximação de uma nova ondulação do jato polar.

No Norte e Centro, o céu deverá apresentar-se mais nublado, em especial no litoral, com nuvens compactas a entrar a partir do oceano. No entanto, não se espera chuva significativa durante grande parte do dia.

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No Centro interior e no Sul, segunda-feira deverá ser maioritariamente seca, com nebulosidade variável e boas abertas, particularmente no Alentejo e Algarve. As temperaturas máximas mantêm-se semelhantes às de domingo (entre 14 e 16 ºC nas principais cidades), com mínimas ainda baixas no interior, mas ligeiramente mais altas no litoral devido ao aumento da nebulosidade.

O vento mantém-se fraco a moderado, soprando do quadrante oeste/sudoeste nas regiões costeiras e sendo geralmente fraco no interior. A sensação térmica continua fresca ao amanhecer, em especial em áreas rurais e de vale, onde o ar frio se acumula durante a noite.

Nova frente regressa na terça, com sucessão de "comboio" de frentes nos dias seguintes

A terça-feira, 2 de dezembro, marca a segunda “data-chave” deste período. Os mapas de previsão confirmam a aproximação de uma frente atlântica mais organizada (associada a um cavado em altitude), que começa a tocar o litoral Norte durante a madrugada.

Entre Braga, Porto e Aveiro esperam-se períodos de chuva mais persistente, com possibilidade de aguaceiros moderados em alguns momentos do dia. Ao longo da manhã, a precipitação deverá estender-se ao interior Norte (Vila Real, Bragança) e às regiões do Centro, incluindo os distritos de Coimbra, Viseu, Guarda e Castelo Branco.

A sul do Tejo, a frente deverá chegar mais enfraquecida e já “desorganizada”. No Alentejo e, eventualmente, no Algarve, espera-se chuva fraca a moderada e de curta duração, alternando com períodos de céu nublado sem precipitação.

O vento intensifica-se temporariamente, soprando moderado do quadrante oeste/sudoeste, com rajadas mais fortes na faixa costeira e nas terras altas, em especial durante a passagem da frente. No mar, a agitação marítima aumenta na costa ocidental, com ondulação atlântica a ganhar altura, particularmente ao largo do Norte e Centro.

Sucessão de várias frentes em Portugal nos próximos dez dias.
Para os próximos dez dias espera-se uma sucessão de várias frentes, que trarão condições meteorológicas associadas a precipitação, por vezes, intensa em algumas regiões de Portugal.

Termicamente, não há uma entrada de ar muito frio associada a esta frente. Ainda assim, a ligeira descida da temperatura em altitude pode permitir a queda de neve em cotas elevadas da Serra da Estrela e, pontualmente, em serras do extremo Norte, sobretudo acima dos 1600 metros, durante os períodos de precipitação mais intensa.

Na madrugada e manhã de quarta-feira, 3 de dezembro, o cenário evolui para um pós-frontal típico: as regiões do Norte e Centro poderão ainda registar aguaceiros dispersos, mais prováveis junto ao litoral e em áreas montanhosas, enquanto o Sul tende a recuperar períodos de sol entre nuvens.

E este é apenas o início de um verdadeiro “comboio” de depressões: segundo a tendência dos modelos numéricos, até ao feriado de 8 de dezembro poderão ainda atravessar o país várias superfícies frontais, totalizando até cinco frentes de chuva a afetar Portugal.