Alfredo Graça revela o tempo em Portugal na segunda quinzena de janeiro: eis os efeitos do bloqueio a partir do dia 19
A formação de um bloqueio anticiclónico nas latitudes altas resultará num desvio das depressões e respetivas frentes mais para sul. Que consequências terá isto no tempo em Portugal? Eis a previsão completa!

De acordo com as últimas atualizações do modelo Europeu (ECMWF), a segunda quinzena de janeiro será agitada, antevendo-se um domínio das baixas pressões e do ar frio, e pouca influência anticiclónica. Em vários dos cenários plasmados pelos mapas, observa-se a provável formação de um bloqueio anticiclónico na Escandinávia que forçaria as tempestades (ou depressões) e respetivas frentes a circularem para latitudes mais a sul. Neste sentido, Portugal deverá manter-se na rota de entrada de vales depressionários, depressões e frentes, com algumas massas de ar frio e chuva.
Além disto, o anticiclone dos Açores também se situa um pouco mais a oeste do que é habitual, pelo que a sua influência na unidade territorial do Continente português nas próximas semanas será mínima (já nos Arquipélagos, a ‘história’ parece ser outra). Assim, tudo indica que a segunda quinzena de janeiro, especialmente em Portugal continental, irá manter um padrão instável, húmido e tendencialmente frio, embora com as incertezas inerentes às escalas temporais da previsão.
Precipitação superior à média de norte a sul da geografia do Continente
De acordo com os mapas semanais de anomalia de precipitação, a semana de 19 a 26 de janeiro será ligeiramente mais húmida do que o normal de norte a sul de Portugal continental. Preveem-se até 10 mm acima do normal em todo o território. Nas serras e montanhas de maior altitude das Regiões Norte e Centro não se descarta a possibilidade de episódios pontuais de queda de neve. Isto dever-se-á à chegada ocasional de frentes ou linhas de instabilidade associadas a depressões.

Já para os arquipélagos dos Açores e da Madeira o modelo Europeu antecipa um cenário meteorológico completamente contrastante na semana vindoura (tempo mais seco do que o normal). O facto de para ambos os territórios insulares se verificarem anomalias de precipitação negativas - que serão particularmente mais expressivas ou acentuadas nos Açores -, indica precisamente que o anticiclone estará situado mais para oeste sobre os Açores, com as altas pressões a estenderem a sua influência até à Madeira. Isto não significa que não irá chover, apenas significa que a precipitação será substancialmente inferior ao normal.
Para os últimos dias de janeiro (de 26 em diante), a incerteza aumenta consideravelmente, mas as primeiras tendências realçam a continuidade do mesmo padrão da semana anterior, mais húmido no Continente e mais seco nos Arquipélagos. A única diferença que se evidencia de forma mais expressiva é o facto de a anomalia de precipitação positiva sair reforçada (10 a 30 mm) nas regiões situadas a norte do Tejo.
As temperaturas estarão ligeiramente abaixo da média em Portugal
Para a semana de 19 a 26 de janeiro, o modelo europeu prevê que as temperaturas registem até 1 ºC abaixo dos valores médios da normal climatológica de referência em grande parte de Portugal continental e no arquipélago da Madeira. Não obstante, nalguns locais montanhosos e de maior altitude, como é o caso das terras altas do Alto Minho, Cávado e Alto Tâmega (Norte) ou Serra da Estrela (Centro), detetam-se anomalias térmicas negativas ligeiramente mais acentuadas (entre 1 e 3 ºC abaixo do normal).
Apesar da previsão destas anomalias térmicas negativas, a configuração sinóptica não intui qualquer vaga de frio em Portugal, pelo que a formação de geada também ficaria restrita aos locais habituais.

Quanto ao arquipélago dos Açores, vislumbra-se um panorama completamente contrastante. Como resultado da provável permanência do anticiclone em seu redor e da exposição deste território insular a massas de ar mais amenas, as temperaturas deverão evidenciar valores ligeiramente superiores à média de referência (anomalia térmica positiva de 1 ºC).
Para os últimos dias de janeiro, do dia 26 em diante, os mapas do modelo Europeu avançam com um cenário bastante parecido, mas com algumas pequenas diferenças. No Continente prevê-se que haja áreas do Norte e do Centro com temperaturas dentro do normal. Já nos Açores, é possível que a influência de ar mais frio se estenda até às ilhas mais orientais, fazendo com que as temperaturas ficassem dentro do normal em quase todo o arquipélago, exceto no Grupo Ocidental, onde a anomalia térmica positiva se manteria.