A meteorologista Marta Godinho: "o ar polar irá oferecer dias frescos entre 24 e 25 de julho, depois haverá uma mudança"

Uma gota fria aproxima-se de Portugal e deverá provocar uma mudança significativa no tempo entre 24 e 25 de julho, com descida das temperaturas, chuva fraca e maior instabilidade, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Uma depressão isolada em altitude encontra-se a oeste de Portugal e será a principal responsável pela evolução do estado do tempo ao longo desta semana.

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Apesar de os primeiros dias manterem características tipicamente estivais, a aproximação desta bolsa de ar frio irá provocar uma descida significativa das temperaturas, alguma precipitação e um aumento da instabilidade, sobretudo entre os dias 24 e 25 de julho.

Uma gota fria aproxima-se de Portugal

Durante esta terça-feira (21), uma depressão isolada em altitude, frequentemente designada por gota fria, permanece posicionada a oeste da Península Ibérica. Este tipo de sistema forma-se quando uma bolsa de ar muito frio, localizada em altitude, se separa da circulação principal da corrente de jato, ficando completamente rodeada por ar mais quente.

Uma depressão isolada em altitude (gota fria) encontra-se a oeste de Portugal Continental. Este núcleo de ar frio, visível a cerca de 5,5 km de altitude (500 hPa), irá aproximar-se gradualmente do noroeste Península Ibérica e será o principal responsável pela mudança do estado do tempo ao longo da semana.
Uma depressão isolada em altitude (gota fria) encontra-se a oeste de Portugal Continental. Este núcleo de ar frio, visível a cerca de 5,5 km de altitude (500 hPa), irá aproximar-se gradualmente do noroeste Península Ibérica e será o principal responsável pela mudança do estado do tempo ao longo da semana.

No mapa de geopotencial e temperatura a 500 hPa (cerca de 5,5 quilómetros de altitude) observa-se claramente este núcleo de ar frio, representado pelas tonalidades azul-escuras, envolvido por uma massa de ar mais quente. Embora ainda afastada do continente, esta configuração atmosférica começará a condicionar gradualmente o estado do tempo em Portugal.

Até quinta-feira mantém-se um ambiente de verão

Entre os dias 21 e 23 de julho, as temperaturas permanecerão próximas da média climatológica para a segunda quinzena de julho. Em vários locais do Nordeste Transmontano as máximas poderão situar-se 3 a 4 °C acima da média, enquanto no Alentejo poderão mesmo apresentar pequenas anomalias negativas de 1 a 2 °C, algo perfeitamente normal para esta época do ano.

Até quinta-feira (23), o calor manter-se-á próximo dos valores normais para a época na maior parte do país. O Norte e Centro começam, contudo, a sentir os primeiros efeitos da aproximação da bolsa de ar frio, enquanto o interior continua mais quente.
Até quinta-feira (23), o calor manter-se-á próximo dos valores normais para a época na maior parte do país. O Norte e Centro começam, contudo, a sentir os primeiros efeitos da aproximação da bolsa de ar frio, enquanto o interior continua mais quente.

Contudo, a aproximação da bolsa de ar frio começará já a fazer-se sentir no litoral Norte e Centro, onde o ar marítimo irá manter as temperaturas mais contidas. A partir de quinta-feira (24) torna-se evidente o início do arrefecimento nas regiões Norte e Centro.

Dias 24 e 25 trazem a maior mudança

Na sexta-feira (24), a depressão isolada em altitude deverá posicionar-se praticamente sobre Portugal Continental. O ar polar irá oferecer dias frescos entre 24 e 25 de julho, depois haverá uma mudança rápida. As consequências serão particularmente visíveis nas regiões Norte e Centro, onde muitas localidades poderão registar uma descida das temperaturas máximas da ordem dos 5 a 6 °C face ao início da semana.

A chegada do ar frio em altitude irá favorecer uma descida acentuada das temperaturas, sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde as máximas poderão diminuir entre 5 e 6 °C face ao início da semana.
A chegada do ar frio em altitude irá favorecer uma descida acentuada das temperaturas, sobretudo nas regiões Norte e Centro, onde as máximas poderão diminuir entre 5 e 6 °C face ao início da semana.

Nas terras altas, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Serra da Estrela ou o Planalto da Serra da Freita, as máximas poderão permanecer abaixo dos 20 °C.

Em contraste, o Algarve deverá continuar relativamente afastado da influência direta da massa de ar frio, mantendo temperaturas que poderão atingir 33 a 34 °C, tornando-se a região mais quente do país.

Chuva fraca e localizada acompanha a passagem da depressão

A passagem da gota fria não trará apenas uma descida das temperaturas. Entre os dias 24 e 25 de julho também é esperada alguma precipitação, sobretudo no Noroeste do país.

O mapa de precipitação acumulada representa o total previsto para todo o episódio, não indicando a hora nem a intensidade da chuva, mas permitindo identificar as áreas com maior probabilidade de acumulação. Os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto deverão concentrar os maiores valores.

A passagem da depressão deverá originar alguns períodos de chuva fraca, principalmente nos distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto. Os acumulados previstos são reduzidos, geralmente inferiores a 8 mm durante todo o episódio, não sendo esperado um evento de precipitação intensa.
A passagem da depressão deverá originar alguns períodos de chuva fraca, principalmente nos distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto. Os acumulados previstos são reduzidos, geralmente inferiores a 8 mm durante todo o episódio, não sendo esperado um evento de precipitação intensa.

Ainda assim, tudo indica que este será um episódio de fraca expressão. Os modelos atuais apontam para acumulados máximos na ordem dos 7 a 8 mm em cerca de 48 horas, valores reduzidos e insuficientes para caracterizar um episódio de chuva intensa.

No final do período de previsão (a partir de dia 26), a depressão deverá deslocar-se para leste, permitindo uma recuperação rápida das temperaturas e o regresso de condições mais estáveis durante os últimos dias de julho.