Alqueva Sustentável lança plataformas digitais para guiar agricultura e turismo no Alentejo

O maior lago artificial da Europa dispõe agora de uma aplicação agrícola e de um barómetro ecológico destinados a modernizar a gestão de recursos num território ameaçado pelas secas.

O Grande Lago do Alqueva transformou o Alentejo numa potência agrícola exportadora e criou um polo turístico único no interior. Foto: Vitor Oliveira de Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
O Grande Lago do Alqueva transformou o Alentejo numa potência agrícola exportadora e criou um polo turístico único no interior. Foto: Vitor Oliveira de Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Durante décadas, a aridez da terra alentejana e a escassez de água ditaram o ritmo da sobrevivência. A construção da barragem do Alqueva alterou profundamente esta paisagem, cobrindo as planícies com o maior lago artificial da Europa.

Uma era de prosperidade sem precedentes teve início na economia regional.

O Alentejo converteu-se numa potência exportadora, atraindo fundos de investimento internacionais e dando vida a praias fluviais que se encheram de banhistas durante o verão. O sucesso desta metamorfose, no entanto, trouxe desafios complexos, exigindo um equilíbrio urgente entre a rentabilidade financeira e a conservação da natureza.

Soluções digitais para os novos desafios

Para responder a esta necessidade premente, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) lançou o programa Alqueva Sustentável. Financiada pelos fundos comunitários do Alentejo 2030, a iniciativa disponibiliza ferramentas virtuais concebidas para apoiar agricultores e operadores turísticos em decisões cruciais.

Plataformas digitais apoiam a poupança hídrica em culturas intensivas, contribuindo para a sustentabilidade da albufeira durante as secas. Foto: Vitor Oliveira, de Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
Plataformas digitais apoiam a poupança hídrica em culturas intensivas, contribuindo para a sustentabilidade da albufeira durante as secas. Foto: Vitor Oliveira, de Torres Vedras, PORTUGAL, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

Criado em parceria com associações empresariais do tecido económico local, o programa tem como intuito capacitar os agentes económicos através do conhecimento técnico, promovendo a estabilidade dos rendimentos e a coesão das populações.

A monitorização nas explorações agrícolas

A expansão rápida do regadio e a aposta em culturas altamente rentáveis, como o olival superintensivo ou o amendoal, geraram preocupações com a perda de biodiversidade e o desgaste dos solos. A resposta tecnológica do projeto passa por uma aplicação informática que permite aos produtores monitorizar detalhadamente diversos indicadores ecológicos.

A plataforma processa dados práticos em tempo real, permitindo aos agricultores medir a pegada ambiental de cada parcela cultivada.

O mecanismo irá servir de conselheiro estratégico diário nas atividades e rotinas agrícolas. Ao avaliar o desempenho produtivo e identificar ineficiências no uso de agroquímicos, a aplicação ajuda a eliminar despesas operacionais substanciais.

A otimização dos recursos hídricos assume aqui um papel determinante, permitindo que as explorações agrícolas mantenham a sua competitividade produtiva sem comprometer o armazenamento da albufeira durante os ciclos severos de estiagem mediterrânica.

Um barómetro para qualificar a oferta turística

Se o setor agrícola avançou rapidamente, a atividade turística estruturou-se de forma mais pausada, enfrentando forte sazonalidade e dependência das flutuações da linha de água. Para proteger este motor económico, o programa disponibiliza igualmente o Barómetro de Sustentabilidade.

O dispositivo realiza diagnósticos do posicionamento ecológico de hotéis rurais e empresas agroindustriais, identificando tendências de mercado.

O instrumento assume maior relevância diante das rigorosas restrições impostas nas áreas protegidas da bacia hidrográfica. Os operadores locais deparam-se com a necessidade de adaptar os seus serviços a padrões ecológicos elevados, afastando-se do turismo de massas.

A aplicação informática orienta as empresas na transição para ofertas diferenciadas de excelência, potenciando marcas de prestígio como o enoturismo ou a observação do céu noturno no roteiro Dark Sky, menos sujeitas às flutuações das épocas altas.

Salvaguardar o futuro do grande lago alentejano

A proteção dos solos e a valorização dos serviços dos ecossistemas constituem a base para a longevidade económica de todo o território meridional. Ao integrar dados económicos e ambientais, estas plataformas digitais pretendem, acima de tudo, demonstrar que o crescimento financeiro e a conservação do meio ambiente não se excluem mutuamente.

A Barragem do Alqueva transformou as planícies alentejanas em potências exportadoras, mas trouxe também o desafio de gerir águas escassas. Foto: Nuno Sequeira André, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons
A Barragem do Alqueva transformou as planícies alentejanas em potências exportadoras, mas trouxe também o desafio de gerir águas escassas. Foto: Nuno Sequeira André, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons

A inteligência de dados aplicada ao campo surge, para os promotores do projeto, como a melhor blindagem contra as alterações climáticas globais. Com este passo, espera-se que a região consiga demonstrar que o verdadeiro valor da água não reside apenas na sua abundância, mas na sensatez científica com que se gere cada gota armazenada nas planícies do Alentejo.

Referência da notícia

EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva. Projeto Alqueva Sustentável.