Ar polar marítimo aproxima-se a toda a velocidade de Portugal: “prevê-se temperaturas até 7 ºC abaixo do normal e chuva”

Mudança de tempo à vista em Portugal continental a partir de sexta-feira, 24 de julho. Avizinham-se dias marcados pela entrada de ar polar marítimo, mais frescos do que o normal para a época do ano, e pela ocorrência de chuva.

É na sexta-feira, 24 de julho, que se prevê uma mudança mais significativa do estado do tempo em Portugal continental. A deslocação do jato polar para sul conduzirá à descida em latitude da crista atlântica.

Deste modo, uma bolsa fria isolada em altitude, até então quase estacionária a noroeste da Península Ibérica e bloqueada entre a crista atlântica a norte e a crista subtropical a sul, deverá deslocar-se para leste, atravessando o norte da Península Ibérica. Este movimento será favorável à formação de linhas de instabilidade, responsáveis por gerar precipitação.

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Uma massa de ar com origem polar chegará a Portugal entre sexta e sábado, provocando uma descida generalizada das temperaturas. Estas massas de ar mais frescas vindas do Atlântico costumam trazer frescura e instabilidade quando surgem durante a canícula.

Na metade ocidental da Península Ibérica, onde se inserem Portugal continental e a Galiza, começará a penetrar uma massa de ar húmido e fresco de origem polar, associada à deslocação para leste da referida bolsa de ar frio. Ao avançar para leste, o sistema arrastará consigo esse ar mais fresco, provocando uma descida significativa das temperaturas em quase todo o país ao longo de sexta-feira e sábado, dias 24 e 25 de julho.

Temperaturas bem frescas para um mês de julho na sexta e no sábado

A entrada do ar fresco e húmido provocará uma descida significativa das temperaturas, claramente visível nos mapas de anomalia da temperatura à superfície e de anomalia da temperatura ao nível dos 850 hPa. Embora as temperaturas comecem a descer já nalgumas regiões na quinta (23), é na sexta (24) que a descida se tornará mais evidente, intensificando-se ainda mais no sábado (25).

As exceções na sexta-feira, 24 de julho, serão algumas zonas da Área Metropolitana de Lisboa, onde se preveem anomalias térmicas positivas na ordem dos +2 ºC e boa parte do Sotavento Algarvio - Boliqueime, Quarteira, São Brás de Alportel, Loulé, Faro e Olhão, entre outras -, onde poderão variar entre +2 e + 7 ºC.
As exceções na sexta-feira, 24 de julho, serão algumas zonas da Área Metropolitana de Lisboa, onde se preveem anomalias térmicas positivas na ordem dos +2 ºC e boa parte do Sotavento Algarvio - Boliqueime, Quarteira, São Brás de Alportel, Loulé, Faro e Olhão, entre outras -, onde poderão variar entre +2 e + 7 ºC.

De acordo com os mapas de referência da Meteored, na sexta (24) preveem-se anomalias térmicas negativas relativamente suaves. Em grande parte do território as temperaturas deverão situar-se entre 1 e 2 ºC abaixo da normal climatológica de referência, podendo atingir desvios entre 3 e 4 ºC nas áreas montanhosas do Norte e Centro.

Entre sexta-feira e sábado, dias 24 e 25 de julho, prevê-se temperaturas até 7 ºC abaixo do normal e chuva.

Quanto à previsão de temperaturas máximas, apenas o vale do Douro, algumas zonas do Alentejo, com destaque para o vale do Guadiana, bem como partes do Sotavento Algarvio é que deverão registar temperaturas máximas superiores a 30 ºC, podendo localmente atingir 33 ou 34 ºC.

No sábado (25) prevê-se um novo decréscimo da temperatura, o que se traduzirá num ambiente fresco ainda mais acentuado, tanto em intensidade como em extensão geográfica. Esperam-se anomalias térmicas negativas de -2 a -4 ºC em termos gerais, podendo ser localmente ainda mais significativas, entre -5 e -7 ºC nas áreas correspondentes às serras de Açor e Estrela e nas localidades adjacentes.

Sábado, 25 de julho, será um dia com nova descida da temperatura, e a traduzir-se em anomalias térmicas negativas ainda mais acentuadas e generalizadas. As poucas anomalias térmicas positivas continuarão concentradas na Área Metropolitana de Lisboa e nas mesmas localidades do Sotavento Algarvio anteriormente mencionadas na legenda do mapa acima deste.
Sábado, 25 de julho, será um dia com nova descida da temperatura, e a traduzir-se em anomalias térmicas negativas ainda mais acentuadas e generalizadas. As poucas anomalias térmicas positivas continuarão concentradas na Área Metropolitana de Lisboa e nas mesmas localidades do Sotavento Algarvio anteriormente mencionadas na legenda do mapa acima deste.

A única capital distrital onde se preveem 30 ºC é Beja, enquanto as restantes 17 capitais de distrito, incluindo Lisboa e Porto, deverão registar máximas entre 21 e 29 ºC. Os locais mais quentes continuarão a ser o vale do Douro, o vale do Guadiana e o Sotavento Algarvio, embora com uma ligeira descida da temperatura máxima face ao dia anterior.

Chuva escassa, mas significativa tendo em conta que estamos na canícula

Tal como referido anteriormente, prevê-se que a passagem de um pequeno sistema de baixas pressões gere chuva. Esta poderá concentrar-se, grosso modo, nas regiões situadas a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, abrangendo os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria e parcialmente Lisboa, bem como os setores ocidentais de Vila Real e Viseu.

Estender-se-á ainda a algumas áreas dos distritos de Bragança e Guarda, sobretudo no sábado (25), devido à progressão para leste da bolsa de ar frio e à trajetória que poderá descrever ao atravessar o norte da Península Ibérica. A sul do referido sistema montanhoso, a ocorrência de chuva será pouco provável graças ao efeito de barreira imposto pela orografia.

Previsão da distribuição de precipitação acumulada em Portugal continental até às 22:00 de sábado, 25 de julho.
Previsão da distribuição de precipitação acumulada em Portugal continental até às 22:00 de sábado, 25 de julho.

De acordo com a previsão atual, os acumulados de precipitação serão relativamente escassos, mas ainda significativos para a época do ano. Em apenas dois dias - sexta-feira e sábado, dias 24 e 25 de julho - e em plena canícula, período climatologicamente mais quente e seco do ano, poderão registar-se acumulados entre 1 e 10 mm.

O modelo de maior confiança da Meteored - o ECMWF - antecipa os valores mais elevados, entre 5 e 10 mm, para o Minho, Douro Litoral, Região de Aveiro, serras do norte do distrito de Bragança e ainda para a cordilheira composta pelas serras do Açor, Lousã e Estrela.

Por fim, importa esclarecer que, como é habitual em situações que envolvem bolsas de ar frio isoladas em altitude, persiste alguma incerteza quanto à posição final da mesma. Assim, pequenas alterações na sua trajetória podem interferir decisivamente na distribuição e intensidade das massas de ar, bem como em variáveis como a temperatura do ar e a precipitação, pelo que a previsão atualmente existente mantém-se à mercê de ajustes.