A "cúpula de calor" que afeta Portugal atingirá o seu pico entre os dias 25 e 27

Uma "cúpula de calor", resultante de um anticiclone na Europa Central e de uma crista no Norte de África, vai transportando ar quente e seco até Portugal continental, com o pico do tempo quente previsto entre 25 e 27 de maio.
A combinação entre um anticiclone localizado na Europa Central e uma crista que se estende desde o norte de África até à Península Ibérica está a provocar o transporte de uma massa de ar tropical continental, muito quente e seca, até à geografia de Portugal continental.
Não obstante, o domínio da crista africana será parcialmente enfraquecido no fim de semana de 23 e 24 de maio devido à presença de uma depressão isolada em altitude (ou gota fria) sobre o Noroeste da Península Ibérica.
Esta pequena baixa pressão provocará condições de instabilidade atmosférica e desenvolvimento convectivo, prevendo-se a ocorrência de aguaceiros localizados nas Regiões Norte e Centro (por vezes também no Alto Alentejo), onde serão pontualmente fortes, de granizo e potencialmente acompanhados de trovoada.

Embora no sábado (23) e domingo (24) a influência da gota fria se traduza numa pequena descida das temperaturas máximas, especialmente no litoral, é possível que a persistência de temperaturas máximas elevadas, com valores claramente acima da média climatológica de referência para a época do ano, dê origem a uma onda de calor em grande parte da geografia de Portugal continental.
Isto porque o episódio de tempo invulgarmente quente para um mês de maio, que teve início no passado dia 20, irá estender-se pelo menos até à próxima quarta-feira, dia 27.
Cúpula de calor: pico do episódio de tempo quente previstos entre 25 e 27 de maio
Entre segunda e quarta-feira, dias 25 a 27 de maio, prevê-se o auge deste episódio de calor intenso, enquadrado numa configuração sinóptica que por vezes é divulgada nos meios de comunicação social como uma “cúpula” ou “domo” de calor.

Na generalidade do território de Portugal continental as temperaturas máximas deverão variar aproximadamente entre 30 e 35 ºC. Porém, nos primeiros três dias da próxima semana, há várias regiões onde o calor ainda será mais intenso.
O que é uma cúpula de calor?
Uma “cúpula” ou “domo” de calor, termo frequentemente divulgado nos media em situações de calor intenso e persistente, ocorre quando uma crista anticiclónica muito persistente, também associada a um anticiclone de bloqueio, atua como uma “tampa” atmosférica sobre uma vasta região. A subsidência faz o ar descer, comprimindo-o e aquecendo-o gradualmente nas camadas inferiores da atmosfera.

Este mecanismo retém o calor junto à superfície, dificultando a renovação da massa de ar, e favorecendo temperaturas muito elevadas, por vezes recorde. Quando o anticiclone permanece estável durante vários dias ou semanas, o calor intenso prolonga-se, aumentando a duração e severidade dos episódios de tempo excecionalmente quente.
Regiões portuguesas mais afetadas pela cúpula de calor entre segunda, 25 e quarta, 27
No interior Norte e Centro destacam-se claramente o vale do Douro e a Beira Baixa; em Lisboa e Vale do Tejo destacam-se o Oeste e vale do Tejo e a Península de Setúbal e no Alentejo destacam-se os vales do Sado e Guadiana, com temperaturas máximas entre 36 e 40 ºC.
De acordo com a atual previsão dos mapas da Meteored, quarta-feira, 27 de maio, será o dia mais quente em termos de intensidade e área geográfica abrangida. Além disto, preveem-se anomalias térmicas positivas muito acentuadas (máximas entre 9 a 13 ºC acima do normal).
No mesmo período de três dias, em forte contraste com este cenário de calor intenso, estará uma grande parte da faixa costeira do litoral Norte e Centro, onde se preveem temperaturas máximas entre 20 e 25 ºC.

É provável que a vasta crista anticiclónica formada a partir do Norte de África e abrangendo a Península Ibérica se prolongue por mais dias, mantendo-se para lá de 27 de maio e, por isso, durante toda a última semana de maio.
Além disto, espera-se que intensifique e alargue para nordeste, abrangendo grande parte do oeste e do centro da Europa, com o domínio da cúpula de calor a estender-se geograficamente.
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