As cegonhas aprendem a viver dos resíduos, estudo da Universidade do Porto descodifica comportamento
Num estudo publicado no final de abril, investigadores da Universidade do Porto (U. Porto) concluíram que as cegonhas aprendem a explorar aterros sanitários para procurar alimento e, com a idade, tornam-se mais eficientes. Saiba mais aqui.

O estudo conduzido pelo CIBIO-BIOPOLIS (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da U.Porto) chegou à conclusão de que “a experiência adquirida nos primeiros anos de vida molda a forma como espécies oportunistas exploram os aterros sanitários, aproveitando a abundante disponibilidade de recursos provenientes do desperdício alimentar humano”, tal como referem em comunicado os cientistas.
A pesquisa científica, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B, “demonstra que as cegonhas-brancas aprendem, ao longo dos primeiros anos de vida, a explorar os recursos alimentares disponíveis nestes locais de forma cada vez mais eficiente”, de acordo com o CIBIO-BIOPOLIS.
218 cegonhas-brancas monitorizadas em seis anos. Aves mais jovens aprendem progressivamente
Recorrendo a dados de seguimento por GPS, os cientistas vigiaram o comportamento, trajetória e a forma de aprendizagem de exploração dos aterros por parte de 71 cegonhas-brancas adultas e 147 juvenis (Ciconia ciconia) entre 2016 e 2021, tendo observado “mudanças claras no comportamento alimentar em aterros sanitários ao longo do tempo”.

Inicialmente, as aves mais jovens exploram uma grande variedade de habitats, mas ao adquirirem experiência “passam a visitar os aterros sanitários com mais frequência”, conseguindo alcançar mais vezes as “zonas com maior disponibilidade de resíduos orgânicos", o que se traduz numa diminuição do “esforço energético associado à alimentação”.
Bruno Herlander Martins, investigador do CIBIO-BIOPOLIS e primeiro autor do estudo, refere em comunicado que “compreender os mecanismos que permitem a estas espécies explorar novos recursos alimentares é fundamental para antecipar mudanças ecológicas em paisagens humanizadas e apoiar estratégias de conservação baseadas em evidência científica”.
Possível encerramento ou transformação dos aterros torna estas conclusões muito relevantes
De acordo com Inês Catry, coordenadora do estudo, “as conclusões são particularmente relevantes num contexto de mudanças nas políticas europeias de gestão de resíduos, que deverão reduzir significativamente a disponibilidade de alimento em aterros sanitários nas próximas décadas”.
Deste modo, tendo em conta o possível encerramento ou transformação dos aterros, torna-se essencial compreender como as aves ajustam as suas decisões face à evolução futura destas populações selvagens.
Este estudo enquadra-se na tese de doutoramento de Bruno Herlander Martins, desenvolvida na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e na School of Environmental Sciences da University of East Anglia.
Referências da notícia
Bruno Herlander Martins, Aldina M. A. Franco, Andrea Soriano-Redondo, Marta Acácio, Inês Catry; From inexperience to proficiency: age-related improvements shape the use of novel anthropogenic food subsidies in a long-lived bird. Proc Biol Sci 1 April 2026; 293 (2069): 20251884. https://doi.org/10.1098/rspb.2025.1884
Cegonhas aprendem a explorar melhor os aterros sanitários, à medida que crescem. Wilder. Inês Sequeira. 29 de abril de 2026.
Investigadores da U.Porto mostram que cegonhas aprendem a explorar aterros. GreenSavers com Lusa. 27 de abril de 2026.
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