A pastinaca: uma planta agrícola tradicional em Portugal
A pastinaca é conhecida por ser uma raiz tradicional da agricultura portuguesa, utilizada desde os tempos mais antigos sobretudo na alimentação rural. Hoje fooi redescoberta como produto local e sazonal, venha conhece-la!

A pastinaca (Pastinaca sativa), também conhecida em algumas regiões como pastinaga ou cherívia, é uma planta agrícola tradicional com uma longa história na alimentação e na agricultura europeia.
Embora hoje seja menos comum no quotidiano alimentar português, a pastinaca teve, durante séculos, um papel relevante nas hortas familiares e na subsistência das populações rurais, sobretudo antes da introdução generalizada da batata.
A pastinaca é originária da Europa e da Ásia ocidental e foi amplamente cultivada desde a Antiguidade. Gregos e romanos já a utilizavam como alimento e reconheciam o seu valor nutricional. Durante a Idade Média, esta raiz tornou-se um dos principais alimentos energéticos disponíveis, especialmente nas regiões de clima temperado.
Em Portugal, o cultivo da pastinaca acompanhou as práticas agrícolas tradicionais, estando associada a sistemas de agricultura de pequena escala e de autoconsumo.
Com a introdução da batata, a partir do século XVIII, a pastinaca perdeu protagonismo, sendo progressivamente substituída por culturas mais produtivas e fáceis de conservar. Ainda assim, nunca desapareceu totalmente, mantendo-se em algumas regiões e na memória gastronómica local.
Características da planta
A pastinaca pertence à família das Apiáceas, a mesma da cenoura, do aipo e da salsa. Trata-se de uma planta bienal: no primeiro ano desenvolve uma raiz comestível e, se não for colhida, no segundo ano produz flores e sementes.
A raiz é alongada, de cor branca ou creme, com textura firme e sabor adocicado e ligeiramente aromático. Este sabor intensifica-se após a exposição ao frio, o que faz da pastinaca uma cultura particularmente adequada aos meses de outono e inverno.
Cultivo tradicional em Portugal
Em Portugal, a pastinaca foi tradicionalmente cultivada em zonas de clima mais fresco, como áreas de montanha e do interior, destacando-se regiões como a Serra da Estrela e a Beira Interior. Era comum integrar-se nas hortas familiares, em conjunto com outras hortícolas de inverno.
A planta adapta-se bem a solos profundos, férteis e bem drenados, preferindo terrenos soltos que permitam o desenvolvimento regular da raiz. A sementeira é geralmente feita no final do inverno ou início da primavera, e a colheita ocorre no final do verão ou no outono, podendo prolongar-se durante o inverno.
Na alimentação tradicional, a pastinaca era utilizada de forma semelhante à cenoura ou à batata. Podia ser cozida, assada, incorporada em sopas, purés e guisados, ou combinada com outras hortícolas. O seu sabor adocicado tornava-a especialmente apreciada em pratos simples e reconfortantes.

Do ponto de vista nutricional, a pastinaca é rica em hidratos de carbono complexos, fibras alimentares, vitaminas e minerais, como potássio e fósforo. Estas características faziam dela um alimento importante para fornecer energia, sobretudo nos meses mais frios do ano.
Importância cultural e atualidade
Apesar de atualmente ser pouco consumida em Portugal, a pastinaca representa um património agrícola e cultural relevante. O interesse crescente por produtos locais, culturas tradicionais e alimentação sustentável tem levado a uma redescoberta desta raiz, quer na agricultura biológica, quer na gastronomia contemporânea.
Em algumas localidades, a pastinaca continua associada a práticas culinárias regionais e a iniciativas de valorização dos produtos tradicionais, contribuindo para a preservação da identidade rural e agrícola.
A pastinaca é uma planta agrícola tradicional que faz parte da história alimentar de Portugal. Embora tenha perdido expressão com a modernização da agricultura e da dieta, mantém um valor significativo enquanto símbolo de práticas agrícolas ancestrais, alimentação sazonal e ligação ao território.
A sua recuperação e valorização podem contribuir para a diversidade agrícola e para a preservação do património cultural português.