Na quarta-feira 4 um rio atmosférico chegará da República Dominicana, agravando a chuva

Na próxima quarta-feira (4), um rio de humidade ‘transatlântico’ atingirá Portugal continental, intensificando a chuva em vários distritos. Nalgumas zonas, será abundante e persistente. Veja a previsão completa!
Após vários dias de chuva generalizada e muito forte em vários distritos de Portugal continental, este sábado (31) é novidade a trégua momentânea na chuva em grande parte do país. No entanto, será mesmo “sol de pouca dura”. O vento forte, o mar agitado e uma nova vaga de precipitação irão agravar novamente o estado do tempo este domingo (1), tendo já o IPMA emitido, por estes motivos, aviso amarelo em mais de metade do território do Continente e no arquipélago dos Açores.
Os rios atmosféricos são faixas estreitas e alongadas na atmosfera que funcionam como verdadeiros “corredores de transporte de vapor de água”, deslocando grandes quantidades de humidade desde as zonas tropicais até às latitudes médias. Quando interagem com frentes frias ou massas de ar instáveis, podem gerar chuva forte e persistente.
Entre amanhã (1) e segunda-feira (2), a aproximação de uma nova tempestade atlântica e da sua frente associada traduzir-se-á em chuva de norte a sul do país, vento forte e um temporal marítimo agreste. E, mesmo depois disso, a estabilidade meteorológica continuará sem assentar na nossa geografia: aqui na Meteored Portugal, temos os olhos postos num grande rio atmosférico que irá invadir Portugal continental na quarta-feira (4), agravando a chuva em vários distritos.
Carregado de humidade, o rio atmosférico irá intensificar a chuva
Tal como referido na Meteored ultimamente, no curto e médio prazo o jato polar irá continuar a circular em latitudes mais baixas do que o normal, pelo que as tempestades atlânticas e suas frentes associadas continuarão a ser encaminhadas diretamente para Portugal continental (e também Açores), produzindo acumulados de precipitação muito abundantes em todo o país, especialmente nas Regiões Norte e Centro.

A disposição dos centros de ação atmosférica (anticiclones e depressões), com novas tempestades a atravessar o Atlântico e as altas pressões retiradas para sul, será favorável à chegada de mais ar tropical marítimo, muito húmido e ameno. De acordo com o nosso modelo de referência, na quarta-feira (4), um rio atmosférico atingirá Portugal a partir do Mar das Caraíbas (em concreto a partir da República Dominicana e Haiti).
Após a frente de domingo (1) e segunda (2), entre terça (3) e quarta-feira (4) prevê-se a chegada de uma nova frente muito ativa, que será reforçada pelo já referido rio atmosférico, atravessando o arquipélago dos Açores e depois Portugal continental de oeste para leste. O arquipélago da Madeira pouca precipitação receberá (exceto na quinta, dia 5, quando poderá chover de forma mais significativa).
Como é habitual com a circulação de Oeste, as zonas menos afetadas pela chuva (e que ainda assim irão registar acumulados significativos) serão as que se situam no Interior e no Sul do país, em particular as que se situam a sotavento do vento de Sudoeste (Nordeste Transmontano, Beira Baixa e Alentejo - parcialmente; Sotavento Algarvio).
A chuva será generalizada, sendo mais persistente, abundante e pontualmente forte em toda a metade ocidental do país, especialmente nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Vila Real, Viseu, Coimbra e a zona da Serra da Estrela. Também será significativa em toda a linha costeira ocidental entre Figueira da Foz e Aljezur.
Atenção aos registos de chuva acumulada entre hoje (sábado, 31) e quarta (4), pois podem facilmente ultrapassar os 100-150 milímetros nos locais mais expostos ao vento de Sudoeste, com especial destaque para as terras montanhosas do Minho e Alto Tâmega.
Queda de neve, vento forte e mar agitado
Na segunda (2) e terça-feira (3) prevê-se a possibilidade de queda de neve acima dos 800 metros de altitude no Norte e no Centro. Até ao final do dia de terça (3), nas serras da Peneda, Soajo, Amarela e Gerês, Alvão, Marão, Montemuro e Estrela poderão registar-se as acumulações mais significativas.

A precipitação irá manter-se nos dias seguintes, concentrando-se de forma mais significativa no Norte e no Centro - e em particular a oeste da Barreira de Condensação - dado que o rio atmosférico, com o seu elevado teor de vapor de água, continuará a alimentar a chuva de forma persistente, sobretudo nestas regiões (mas também choverá no resto do país). Com a chegada do rio de humidade, a cota da neve subirá acentuadamente, remetendo-se somente aos pontos mais elevados da Serra da Estrela.
Na primeira metade da semana o vento soprará, por vezes, forte do quadrante Sul, alcançando rajadas superiores a 40/50 km/h em várias zonas do país e podendo chegar aos 70/80 km/h nas zonas mais expostas do litoral e terras altas. Os mapas indicam que na quinta-feira (5) estes valores se intensificariam de forma significativa de norte a sul, e em qualquer área do país, denunciando um potencial temporal de vento neste dia, mais significativo em temos de área geográfica abrangida.
Quanto ao mar, são esperadas ondas de altura significativa entre os 3 e 5 metros durante grande parte da próxima semana em praticamente toda a faixa costeira ocidental. Em alguns momentos as ondas poderão atingir altura máxima de 8 a 10 metros.