Saídas dos contos de fadas, as casas suspensas de Vancouver surpreendem o mundo
Na costa oeste do Canadá, na floresta de Vancouver, casas esféricas suspensas mostram como a inovação pode coexistir com a preservação ambiental.

No coração das florestas da Ilha de Vancouver, no Canadá, no município de Nanaimo, existe um lugar que parece ter saído de um conto de fadas.
Suspensas entre cedros e abetos centenários, pequenas esferas de madeira balançam suavemente ao sabor do vento, transformando a experiência de habitar na natureza numa forma completamente nova de arquitetura.
Conhecidas como Free Spirit Spheres, estas estruturas esféricas desafiam quer a arquitetura quer a própria engenharia, uma vez que não assentam sobre fundações, não ocupam espaço no solo e não procuram dominar a paisagem, pelo contrário, coexistem com ela.
Arquitetura entre as árvores
Srgundo a revista online Viagem e Turismo, o projeto das Free Spirit Spheres é da autoria do engenheiro construtor Tom Chudleigh, que concebeu a ideia e iniciou a construção da primeira esfera, chamada Eve, nos primeiros anos da década de 90.
Em 1999 foi construída a segunda esfera, Eryn, maior e mais sofisticada, contudo apenas em 2005, depois de começar a ganhar notoriedade internacional, é que as Free Spirit Spheres começaram a ser disponibilizadas para venda e alojamento turístico.
A premissa desta proposta passa pela oportunidade do ser humano em viver na floresta sem interromper o funcionamento natural da mesma.
O seu formato esferico remete para sementes, frutos ou ninhos, elementos que podemos encontrar facilmente na natureza.
Inspiração na natureza
Cada esfera está suspensa por um sistema de cabos ligados a várias árvores, criando uma estrutura estável, mas capaz de se mover ligeiramente com o vento.
Quem já usufruiu da experiência descreve uma sensação semelhante à de estar num barco ancorado num mar calmo, um balanço suave que reforça a ligação com o ambiente natural.
Mas o verdadeiro fascínio destas construções não está apenas na sua aparência, mas na filosofia que representam. Vivemos numa época em que as cidades crescem continuamente e a presença humana avança sobre ecossistemas cada vez mais frágeis.
A arquitetura tradicional, mesmo quando sustentável, continua frequentemente a exigir alterações permanentes na paisagem.
Sem qualquer impacto negativo para a sustentabilidade da floresta
As esferas de Vancouver propõem um caminho diferente, pois como permanecem suspensas, deixam praticamente o solo da floresta intacto.
A vegetação continua a desenvolver-se por baixo delas, os ciclos naturais mantêm-se e o impacto ambiental é reduzido ao mínimo. Além da questão ecológica, existe uma dimensão psicológica particularmente interessante.
Estudos sobre bem-estar mostram que a proximidade com ambientes naturais reduz os níveis de stress, melhora a qualidade do sono e aumenta a sensação de equilíbrio emocional.

No seu interior, o espaço é um exemplo impressionante de eficiência.
Apesar das dimensões reduzidas, cada centímetro foi cuidadosamente planeado. As camas são retráteis, as mesas dobráveis, existem compartimentos ocultos e o mobiliário curvo permite criar um ambiente confortável sem desperdiçar espaço.
Muitas soluções foram inspiradas no design de embarcações, onde a otimização é essencial. Esta abordagem reflete uma tendência crescente na arquitetura contemporânea, a procura por habitações menores, mais inteligentes e mais conscientes dos recursos disponíveis.
Enquanto durante décadas a prosperidade foi associada a casas cada vez maiores, projetos como as Free Spirit Spheres sugerem uma mudança de paradigma, o luxo deixa de ser medido pela quantidade de metros quadrados e passa a ser definido pela qualidade da experiência proporcionada.
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