Nem carros, nem motas: nesta ilha todos andam a cavalo
Com cerca de 600 habitantes, a Ilha Mackinac mantém, há mais de um século, a proibição de veículos motorizados. Aqui há tantos cavalos quanto os residentes.

Numa altura em que quase tudo se move à velocidade de um clique, há um lugar nos Estados Unidos onde o som dominante continua a ser o das ferraduras no chão. Sim, é verdade. Quem chega àquela ilha tem de pensar duas vezes em que ano está. Só o facto de poder confirmá-lo no telemóvel é que tira qualquer dúvida.
Com cerca de 3,8 quilómetros quadrados, esta pequena ilha no Lago Huron mantém, em 2026, uma regra rara: veículos com motor de combustão interna são proibidos. E, sim, até os carros de golfe estão incluídos.
“Ali, encontra-se a única autoestrada dos Estados Unidos onde é estritamente proibido conduzir automóveis, incluindo carrinhos de golfe”, escreve a revista ‘NiT’.
A decisão foi tomada em 1898, depois de um automóvel ter assustado os cavalos locais, e acabou por definir a identidade do território até hoje.
Uma ilha onde os cavalos ainda mandam
Atualmente, vivem na ilha cerca de 600 pessoas. O mais surpreendente é que, segundo a ‘BBC’, há praticamente o mesmo número de cavalos.

Outra curiosidade é que estes animais são parte essencial do funcionamento diário. Aliás, são utilizados para transporte de residentes e visitantes, entregas de mercadorias e até na recolha de lixo, que é feita com carroças adaptadas.
“Sem os cavalos, este lugar não seria o que é. É o que nos faz sentir como se tivéssemos voltado atrás no tempo quando desembarcamos do barco e ouvimos aquele ‘clip-clop'”, disse Hunter Hoaglund, que trabalha numa empresa que opera um serviço de ferry para a ilha há 140 ano, à 'BBC'.
O resultado é um ambiente invulgarmente silencioso e organizado, sobretudo tendo em conta o número de visitantes que ali chegam todos os anos.
Natureza preservada e história antiga
Cerca de 80% do território integra o Parque Estadual da Ilha Mackinac, uma área protegida com trilhos, florestas antigas e formações geológicas marcantes, como o Arch Rock. A ilha formou-se há cerca de 13 mil anos, no final da última era glaciar, quando o recuo dos glaciares moldou a paisagem atual.
Muito antes da chegada dos europeus, já este território era habitado pelos povos Anishinaabe, que o consideravam um local sagrado. Hoje, essa herança cultural continua a fazer parte da identidade da ilha.
Turismo em crescimento (e invernos exigentes)
A proximidade a Mackinaw City e St. Ignace, a cerca de 20 minutos de ferry, ajuda a explicar o fluxo anual de milhões de visitantes. Muitos procuram precisamente o contraste: um destino onde não há trânsito, mas há trilhos, passeios de bicicleta e viagens de charrete.
“A região é conhecida pelo doce de leite tradicional, os mais de 112 quilómetros de trilhos e, claro, pelos passeios a cavalo”, lê-se na revista ‘NiT’.
Ainda assim, viver aqui implica lidar com condições exigentes durante o inverno. As temperaturas podem descer até aos -15 °C e a neve acumulada ultrapassa frequentemente os dois metros, tornando a ilha mais isolada durante vários meses.