Região de Leiria cria rede própria de emergência para evitar falhas como as ocorridas na tempestade Kristin

Leiria está a instalar um sistema autónomo de comunicações para garantir resposta operacional em situações críticas, mesmo quando as redes móveis e a Internet deixam de funcionar.

Os municípios da região de Leiria vão criar um sistema de comunicação de emergência alternativo. Foto: Município de Leiria
Os municípios da região de Leiria vão criar um sistema de comunicação de emergência alternativo. Foto: Município de Leiria

A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria está a implementar um sistema alternativo de comunicações de emergência para evitar que episódios como o apagão de 2025 ou a depressão Kristin voltem a comprometer a coordenação operacional entre as entidades regionais.

A iniciativa pretende garantir que, mesmo quando as redes móveis e a Internet falham, os serviços essenciais mantêm contacto permanente.

O objetivo é assegurar comunicações fiáveis entre municípios, centros operacionais e equipas no terreno. Para isso, está a ser criada uma infraestrutura autónoma que combina tecnologia de satélite com voz sobre IP, permitindo chamadas diretas e seguras através de telefones fixos e móveis. O sistema será utilizado pelos dez municípios da CIM, incluindo Leiria, Marinha Grande, Pombal, Batalha e Pedrógão Grande.

No centro da operação está um servidor instalado no Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria. É ali que serão geridos as chamadas, os utilizadores e a monitorização da rede, garantindo que todos os pontos do território permaneçam ligados durante uma emergência.

Rede hierarquizada com redundância e equipamentos móveis

A solução foi projetada para funcionar mesmo em cenários de falha total das infraestruturas convencionais. O sistema está organizado em vários níveis. Um centro principal assegura o controlo global da rede.

Um segundo centro, instalado num veículo de comando e comunicações, reforça a capacidade operacional em situações de maior exigência.

Cada município terá ainda ligações redundantes via satélite e kits móveis, preparados para atuar no terreno, sem depender de estruturas pré-existentes.

A tempestade Kristin expôs as fragilidades do sistema nacional de comunicações de emergência. Foto: Município de Coimbra
A tempestade Kristin expôs as fragilidades do sistema nacional de comunicações de emergência. Foto: Município de Coimbra

A grande vantagem desta rede é a independência em relação às operadoras tradicionais. As comunicações via satélite permitem manter o contacto mesmo quando as antenas móveis deixam de funcionar. Além disso, os equipamentos distribuídos reduzem o risco de falhas críticas e incluem soluções de ativação rápida, algumas com alimentação autónoma, garantindo funcionamento mesmo sem energia elétrica.

Com esta infraestrutura, as entidades como a proteção civil, os municípios e os centros operacionais passam a estar ligados de forma contínua.

A expectativa é que a resposta a incêndios, cheias ou acidentes graves se torne mais coordenada e eficaz, reduzindo tempos de atuação e melhorando a circulação de informação. O investimento inicial é superior a 70 mil euros, financiado através do Programa Centro 2030, e a instalação deverá estar concluída no final de maio.

Lições da depressão Kristin e das limitações do SIRESP

A decisão de avançar com este sistema resulta das falhas registadas durante a tempestade Kristin, em janeiro. A depressão provocou cortes de energia que deixaram cerca de 40% das antenas móveis da região inoperacionais. A falta de eletricidade afetou ainda o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, a rede de comunicações do Estado.

A resposta de emergência ficou bastante afetada pela tempestade Kristin. Foto: Município da Marinha Grande
A resposta de emergência ficou bastante afetada pela tempestade Kristin. Foto: Município da Marinha Grande

Após o episódio, o comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, reconheceu interrupções pontuais no funcionamento do SIRESP. O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, admitiu que a rede pode não ter funcionado temporariamente em alguns locais. Ambos sublinharam, no entanto, que em várias zonas o sistema foi a única forma de contacto entre as equipas de emergência.

O SIRESP possui cerca de 550 antenas que comunicam entre si. Quando os cabos falham, entra em ação a redundância por satélite. Mas o sistema depende fortemente da rede elétrica. Sem energia, as antenas recorrem a baterias ou geradores, cuja autonomia é limitada. Em caso de falha prolongada, as comunicações ficam comprometidas.

A CIM da Região de Leiria pretende reduzir essa vulnerabilidade. O novo sistema garante Internet no terreno, permitindo que equipas de reconhecimento enviem imagens, som e dados diretamente para o centro de comando. Também assegura comunicações nos veículos equipados com esta tecnologia, reforçando a capacidade de resposta em cenários de grande pressão operacional.

Referência do artigo

A Região de Leiria está a dar um passo decisivo na segurança e proteção das suas populações – Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIM)

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