Santos do Gelo: na madrugada de sábado, duas capitais distritais poderão registar temperaturas inferiores a 5 ºC

O frio voltará a instalar-se em várias regiões de Portugal esta semana devido à chegada de uma nova massa de ar polar. Prevê-se queda acentuada das temperaturas mínimas, cujo pico está previsto entre sexta-feira e sábado.
Os Santos do Gelo são referência à devoção a São Mamerto (11 de maio), São Pancrácio (12 de maio) e São Servácio (13 de maio), São Bonifácio (14 de maio) e Santa Sofia (15 de maio). Segundo a tradição ancestral europeia, este breve período traz consigo uma última vaga ou episódio de frio tardio na primavera, capaz de arruinar as colheitas em fase mais adiantada, razão pela qual estas datas eram temidas pelos agricultores. É por isso que estes santos persistem na memória coletiva em associação ao frio e ao gelo.
Como referido nas últimas previsões da Meteored Portugal, uma depressão fria situada a oeste de Portugal continental será novamente reintegrada na circulação principal, gerando a última vaga de chuva e trovoadas e, em simultâneo, impulsionando uma massa de ar polar até à nossa geografia continental.

Hoje e amanhã, dias 12 e 13 de maio, este ar frio fará com que o tempo esteja mais fresco do que o habitual para esta época do ano em praticamente todo o país, com maior expressividade nas regiões do Interior, estando previstas anomalias térmicas negativas de -1 a -4 ºC (temperaturas entre 1 e 4 ºC abaixo da média climatológica de referência, podendo nalguns locais atingir -6 ºC).
Entre sexta e sábado o ar polar marítimo atingirá de ‘raspão’ estas regiões de Portugal
Alguns dos nossos especialistas na Meteored Portugal têm vindo a explicar detalhadamente a configuração sinóptica prevista para a presente semana no nosso país. O padrão de Crista Atlântica (AR) irá persistir e, a partir de quinta-feira, 14 de maio, graças também ao cavamento de uma grande depressão na região da Escandinávia, um fluxo de ar polar marítimo será canalizado para o nosso território, fazendo com que as temperaturas, em particular as mínimas, voltem a descer abruptamente.
Devido à latitude de Portugal continental (ponta mais ocidental da Europa continental) e ao trajeto nordeste-sudoeste que o ar frio irá percorrer, desde a sua origem (Mar da Gronelândia - Escandinávia) até à Península Ibérica, a massa de ar polar marítimo chegará ao nosso país visivelmente enfraquecida e muito mais temperada. Ao contrário de Espanha, que terá uma área geográfica exposta muito mais abrangente ao fluxo de norte, o ar frio passará apenas de ‘raspão’ no interior Norte e Centro do nosso país.

O vento Norte não só será dominante em todo o país, como terá tendência a intensificar-se em todo o país entre quinta-feira (14) e sábado (16), provocando um agravamento do desconforto térmico.
Além do ar polar e do vento Norte, para isto também contribuirá a subsidência do ar associada às altas pressões a oeste do nosso país, favorável a um acentuado arrefecimento noturno, cujo pico será atingido na noite de sexta (15) para sábado (16).
Eis as capitais distritais mais frias, com previsão de mínimas inferiores a 5 ºC
Fatores geográficos e climáticos como a altitude (figuram entre as cidades mais elevadas de Portugal continental), a orografia (inseridas em relevo montanhoso), o efeito de continentalidade (situadas no interior), a maior exposição ao fluxo de ar polar marítimo vindo de norte e ainda a própria estabilidade conferida pela região anticiclónica que entretanto se fortalecerá a oeste de Portugal continental na reta final da semana farão com que a madrugada de sábado, 16 de maio, seja um dos períodos mais frios nas cidades de Bragança e Guarda.
| Cidade e capital de distrito | Sexta-feira, 15 de maio - previsão de Temperatura Máxima e Mínima (ºC) | Sábado, 16 de maio - previsão de Temperatura Máxima e Mínima (ºC) |
|---|---|---|
| Bragança | 17 | 6 | 18 | 3 |
| Guarda | 13 | 5 | 14 | 2 |
| Fonte: Mapas da Meteored | ||
De acordo com os mapas de referência da Meteored, estas serão as duas capitais distritais do nosso país mais expostas ao arrefecimento do estado do tempo.
Apesar de uma expectável subida gradual das temperaturas máximas, algo ao qual o fortalecimento das altas pressões também estará associado, verifica-se uma descida das temperaturas mínimas para valores invulgarmente baixos para a época do ano e substancialmente inferiores à média climatológica de referência. Isto traduzir-se-á ainda numa grande amplitude térmica diária.
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