Esqueça as montras. O verdadeiro espetáculo da Avenida de Roma está nas paredes
Uma manhã, quatro quilómetros e dezenas de murais. Há uma galeria gigante escondida na capital — e pode visitá-la a pé no próximo sábado.

Depois de um mural lisboeta ter colocado Campolide no mapa de street art mundial, chegou a vez de outras localidades da capital portuguesa se destacarem. Desta vez, é a Avenida de Roma que quer ser vista com outros olhos.
Sim, porque, não há dúvidas de que Lisboa é uma das melhores cidades do mundo para ver murais de arte urbana. Quem o diz é a plataforma Street Art Cities, que revelou, no final de janeiro, uma lista onde incluía a capital portuguesa. Mas, fica sempre a pergunta: por onde começar?
Sugerimos que divida Lisboa por zonas. Afinal, será impossível conhecer os melhores murais num só dia. E, uma boa opção para começar, será no dia 28 de fevereiro.
É que nesse dia, sábado, vai realizar-se uma caminhada, ideal para quem quer começar a conhecer melhor estas paredes artísticas que pintam a cidade. O “Street Art Tour: Murais na Avenida de Roma” é organizado pela GreenTrekker e dedica-se especialmente às pinturas da Avenida de Roma.
Uma manhã entre murais e histórias
No dia 28 de fevereiro, sábado, às 10:00 horas, a proposta é simples: calçado confortável, alguma curiosidade e vontade de olhar para as paredes com outros olhos.
O ponto de encontro está marcado na entrada principal da Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres. A partir daí, o grupo segue ao longo da avenida até ao Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos, num percurso de cerca de quatro quilómetros, praticamente plano e acessível.

A organização está a cargo da GreenTrekker, que convida o especialista Vasco Rodrigues a conduzir o grupo. Ao longo de aproximadamente três horas (o final está previsto para as 13:00 horas, podendo ajustar-se consoante o ritmo), vai ouvir histórias sobre as obras, os artistas e o contexto em que cada mural surgiu.
Garantimos que se trata de uma experiência que vai além de “ver paredes pintadas”. Trata-se de perceber intenções, mensagens e até pequenas polémicas que acompanham a arte urbana.
O que vai encontrar pelo caminho?
Prepare-se para cruzar trabalhos recentes de nomes bem conhecidos do panorama nacional, como Vanessa Teodoro e Tamara Alves, artistas que exploram temas como identidade, natureza, corpo e memória coletiva.
Há também murais que funcionam como tributo a figuras marcantes da cultura e da sociedade portuguesas, entre elas a escritora Lídia Jorge, o arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles e o curador João Ribas. Estas homenagens transformam fachadas em espaços de memória pública, aproximando a arte da vida quotidiana.
Um dos pontos altos é o chamado Muro Azul. Do que é que estamos a falar? De uma extensão impressionante onde se acumulam dezenas de intervenções artísticas, quase uma centena, que fazem deste troço um verdadeiro mosaico contemporâneo. Cada segmento conta uma história diferente: há crítica social, poesia visual, humor e pura explosão cromática.
Será indicado para si?
A resposta é curta e simples: muito provavelmente, sim. O nível de dificuldade é considerado fácil pelos organizadores.

“O percurso realiza-se em terreno maioritariamente plano e pouco acidentado, sem grandes dificuldades técnicas e físicas. Poderão existir alguns desníveis e distâncias a percorrer um pouco mais longos, mas regra geral serão acessíveis à grande maioria das pessoas”, lê-se no site da iniciativa.
A atividade está aberta a participantes a partir dos 10 anos, desde que estejam habituados a caminhar. É uma excelente opção para famílias, grupos de amigos ou para quem quer simplesmente fazer algo diferente num sábado de manhã.
O valor de participação é de 20€ por pessoa e inclui acompanhamento no terreno, seguro de acidentes pessoais e seguro de responsabilidade civil. Mas, atenção, porque a inscrição prévia é obrigatória, não só para garantir lugar, mas também para ativar o seguro. O transporte até ao ponto de encontro e eventuais refeições ficam a seu cargo.