Qual a forma mais barata e eficaz de armazenar de forma duradoura o carbono da madeira removida das florestas?

Devido às alterações climáticas temos tido períodos quentes e secos mais prolongados, o que reduz a humidade da vegetação, tornando as florestas mais vulneráveis aos incêndios de grandes dimensões.

Atendendo às alterações climáticas os incêndios florestais têm-se tornado mais intensos e frequentes.
Atendendo às alterações climáticas os incêndios florestais têm-se tornado mais intensos e frequentes.

O desbaste das florestas, remoção seletiva de árvores e arbustos de pequeno porte, reduz a carga de combustível vegetal, e é uma prática que contribui para a diminuição da propagação dos incêndios, podendo torná-los menos severos. No entanto também tem os seus impactos nefastos.

Alternativa ao processo de empilhamento e queima de resíduos resultantes dos desbastes das florestas

O desbaste das florestas, que leva à redução de combustível, também gera gigatoneladas de resíduos de biomassa a curto prazo, que armazena grandes quantidades de CO2.

Os autores de um estudo científico, publicado no jornal Science Advances, estudaram os tratamentos do desbaste ecológico nas florestas no oeste dos EUA.

Mais de um século de controlo de incêndios e eliminação das queimadas culturais indígenas na região contribuíram para o excesso de vegetação nestas florestas, tornando-as mais suscetíveis aos incêndios devido às alterações climáticas.

Atualmente, estes resíduos, resultantes dos desbastes, são frequentemente empilhados e queimados, o que gera custos elevados, liberta carbono para a atmosfera e enche os vales de fumo.

Os resíduos resultantes do desbaste das florestas têm geralmente pouco valor de mercado e, de acordo com o estudo, ao serem empilhados e queimados, libertam mais de 95% do carbono armazenado e de poluentes atmosféricos a um custo significativo.

Empilhar e queimar os resíduos do desbaste da floresta não é a melhor solução
Empilhar e queimar os resíduos do desbaste da floresta não é a melhor solução

Estima-se que estes desbastes ecológicos, em todo o oeste dos EUA, irão gerar mais de mil milhões de toneladas de resíduos de madeira até 2032.

No oeste dos EUA, mais de 2 mil milhões de toneladas métricas de CO₂ equivalente estão armazenadas em biomassa e poderão beneficiar de tratamento a curto prazo.

O estudo tem por objetivo arranjar uma alternativa a este processo de empilhamento e queima da biomassa desbastada, que aumenta os níveis de carbono na atmosfera.

Deste modo foram mapeados 11 estados do Oeste americano e analisados os resíduos de cada condado, considerando todas as opções disponíveis: queimar, deixar no local, transformar em biochar ou biocarvão, que é uma substância semelhante ao carvão vegetal, enviar para uma central de bioenergia com captura e armazenamento de carbono ou enterrar sob uma camada de solo projetada.

Cada uma destas opções foi avaliada com base no carbono retido ao longo de 100 anos e no valor financeiro obtido.

Qual a opção mais sensata?

Para tornar os cálculos mais realistas, os cientistas consideraram fatores que poderiam afetar o custo e a eficácia. Estimaram a distância entre o desbaste florestal e os locais onde a madeira poderia ser enterrada ou queimada. Mapearam variáveis como a precipitação, que influenciariam a profundidade necessária para o enterramento da madeira, evitando a decomposição e a emissão de gases com efeito de estufa.

Perante as opções possíveis os autores estudaram as vantagens ambientais e financeiras de cada uma delas.

A queima dos resíduos é cara e poluente e retém apenas 4,5% do carbono, com um custo de 49 dólares por tonelada de dióxido de carbono, devido a despesas com mão-de-obra e planeamento.

Se os resíduos forem deixados a decompor grande parte do carbono regressa à atmosfera, contribuindo para o aquecimento global, tal como a queima dos resíduos.

A bioenergia com captura e armazenamento de carbono apresenta a maior eficiência média de carbono modelada, aproximadamente 81%, mas requer infraestruturas, cadeias de abastecimento e mão-de-obra que ainda não estão amplamente disponíveis.

O estudo concluiu que o enterramento de biomassa pode ser uma forma de armazenamento de carbono de baixo custo e baixa tecnologia e que, para já, perante a situação atual, será a melhor opção ambiental.

Ao enterrar-se e proteger do ar a biomassa, grande parte do carbono nela contido deverá permanecer aí.

Optar pelo enterramento dos resíduos das florestas contribui para emitir menos CO2 para a atmosfera
Optar pelo enterramento dos resíduos das florestas contribui para emitir menos CO2 para a atmosfera

No entanto, ao enterrar a biomassa há que ter em conta a importância da profundidade de enterramento. Em locais inadequados, o enterramento pode libertar mais carbono do que a biomassa armazena.

No entanto, ao longo da investigação foram encontrados locais de enterramento potencialmente adequados ao alcance de todos os condados avaliados, com um armazenamento médio de carbono cerca de 78%.

Os autores do estudo descobriram que, este ano, em vez da queima de resíduos custar 3,1 mil milhões de dólares, o enterro além de poder armazenar cerca de 60 milhões de toneladas de dióxido de carbono, renderia cerca de 2 mil milhões de dólares.

O estudo conclui que o enterramento poderia, portanto, proporcionar um modo mais eficiente em termos de carbono e ser mais vantajoso financeiramente, alertando, no entanto, a necessidade de estudos adicionais sobre os controlos de decomposição e armazenamento de resíduos dos desbastes das florestas.

Referência da notícia

Clayton, L., Wyckoff, A. and Crotty, S.. (2026). Near-term, geospatial opportunity for biomass carbon storage to address the wildfire and climate crises.