Até 200 mm: Depressão Bruna afetará Açores, Madeira e Continente; assim se prevê a evolução da chuva até quarta, dia 11

O tempo instável terá tendência a agravar-se nas próximas horas e dias. Primeiro nos Açores e na Madeira, e posteriormente em Portugal continental. Veja a possível evolução da chuva, vento e agitação marítima no nosso país!
Começou hoje a tão anunciada mudança do estado do tempo em Portugal. Dos arquipélagos ao Continente, as condições meteorológicas já foram registando uma alteração evidente.
Isto deve-se principalmente à depressão Bruna, nomeada pelo IPMA - o serviço meteorológico português insere-se no Grupo Sudoeste - e ao qual coube a decisão oficial e responsabilidade de informar os cidadãos sobre a formação e eventuais impactos da referida tempestade. Mas também e ainda, se deve a um rio de humidade que reforçará as chuvas nos próximos dias.

Este sistema depressionário, ao qual estão associadas as frentes que trarão chuva a Açores, Madeira e Portugal continental, serão alimentadas por uma massa de ar subtropical muito húmida e amena, conhecida como rio atmosférico.

Este rio de humidade servirá de “combustível” à chuva prevista nas três unidades territoriais portuguesas, sobretudo na Madeira e no Continente.
Possível evolução do tempo nos Açores e Madeira nos próximos 5 dias
Entre a tarde desta sexta-feira, 6 de novembro, e até início/meio da noite da próxima quarta-feira, 11 de novembro, os acumulados de chuva previstos, ainda sujeitos a alterações consideráveis - poderão atingir valores máximos de até 55 mm no Grupo Oriental dos Açores, em particular na ilha de Santa Maria, e a rondar os 120 mm (ou ligeiramente mais) nas terras altas e montanhosas do arquipélago da Madeira.

Quanto ao vento previsto para o arquipélago dos Açores, o período mais crítico poderá desenvolver-se desde sábado à tarde (7) até segunda-feira (9). O modelo ECMWF sugere que em termos de duração e intensidade, domingo (8) poderá ser o dia mais agreste quanto às rajadas de vento previstas no arquipélago açoriano.

Já no arquipélago da Madeira, o cenário mais adverso em termos de rajadas de vento sugerido pelos mapas da Meteored parece surgir no intervalo que decorrerá entre a tarde e noite de sábado (7) e grande parte do dia de domingo, 9 de novembro. Nas jornadas posteriores a intensidade do vento no território insular madeirense tenderá a diminuir.

À semelhança dos arquipélagos, Portugal continental também estará exposto a vento forte e a fenómenos costeiros adversos. Porém, tendo em conta o prazo temporal superior em que estes dois efeitos meteorológicos poderão condicionar a unidade territorial do Continente (entre finais de domingo (8) e finais de quarta (11) pelo menos), ainda não é possível detalhar concretamente as zonas mais expostas.
Evolução da chuva no Continente até sábado 7; uma segunda fase, mais longa, começará no domingo 8
Embora o estado do tempo em Portugal continental apenas seja afetado de forma mais direta a partir da segunda metade do dia 8 de novembro (próximo domingo) pelas vastas bandas de nebulosidade e precipitação enviadas até à nossa geografia pelas frentes geradas em redor de Bruna e dos seus núcleos secundários, há uma primeira frente relativamente ativa, que já começou a deixar chuva nesta tarde de sexta-feira, 6 de novembro.

Acresce ainda que para sábado, 7 de novembro, está previsto uma diminuição da instabilidade atmosférica na unidade territorial do Continente, dado que se espera somente a ocorrência de aguaceiros pós-frontais, o que tornará a distribuição da precipitação mais irregular, intermitente e dispersa, e por isso, menos abundante.
É a partir de domingo (8), então, que a chuva poderá ganhar mais eficiência em Portugal continental, tornando-se por isso, potencialmente mais abundante e persistente.

Esta situação está prevista ocorrer especialmente entre os dias 8 e 10 de novembro, domingo a terça-feira, podendo inclusive alastrar-se pelos dias 11, 12 ou até mais, embora do dia 12 em diante (próxima quinta-feira) a incerteza na previsão ainda seja relativamente elevada, de acordo com os nossos mapas aqui na Meteored.
Ao interagir com as frentes, este rio de humidade terá a capacidade de tornar a chuva mais eficiente, dando origem a períodos de precipitação por vezes forte e persistente e ocasionalmente acompanhadas de trovoadas. O relevo local e a exposição aos ventos de Sudoeste determinarão quão abundante (ou seja, quão eficiente) será a precipitação em determinada zona.

Importa, contudo, esclarecer que a previsão meteorológica, muito condicionada pela posição e trajetória da depressão Bruna, das frentes associadas e do rio atmosférico, ainda está sujeita a alguns ajustes, sobretudo na distribuição e na intensidade dos elementos oceano-climáticos em análise (chuva, vento e agitação marítima).
Monitorização, prevenção e mitigação dos riscos
É importante ainda salientar o risco de inundações localizadas em zonas normalmente vulneráveis, bem como de derrocadas e deslizamentos de terras. Este risco aplica-se aos Açores, Madeira e Continente, embora o impacto da precipitação, vento e agitação marítima tenham intervalos espaciais e temporais distintos nestas geografias.
Adicionalmente, tendo em conta este panorama meteorológico e os solos urbanos e rurais portugueses, é necessário considerar um aumento dos riscos de danos em infraestruturas mais frágeis e possíveis galgamentos costeiros.
Tomando-se medidas de prevenção e mitigação de risco associados aos impactos expectáveis no território e tendo em conta a antecedência e constante atualização das previsões meteorológicas, será possível preparar respostas que contemplem a salvaguarda de pessoas, bens e infraestruturas, bem como tomar decisões operacionais e políticas adequadas ao episódio de tempo instável que se avizinha.