Investigadores portugueses desenvolvem soluções inovadoras para prevenir colisões de satélites no Espaço

Bases de dados e modelos avançados de visualização desenvolvidos por especialistas da Universidade de Coimbra prometem ajudar os operadores a tomar decisões rápidas e seguras para evitar acidentes e congestionamento no tráfego espacial.

A plataforma de gestão de tráfego espacial da Neuraspace usa inteligência artificial e machine learning para poupar combustível e assegurar manobras mais seguras dos satélites em órbita. Foto: Pixabay
A plataforma de gestão de tráfego espacial da Neuraspace usa inteligência artificial e machine learning para poupar combustível e assegurar manobras mais seguras dos satélites em órbita. Foto: Pixabay

Com dezenas de constelações de satélites lançadas todos os meses para o Espaço, não são apenas os sinais de comunicações, a exploração de corpos celestes ou os serviços de informações meteorológicas que progridem. O seu aumento exponencial em órbita tem também efeitos colaterais, podendo prejudicar seriamente missões que, por regra, envolvem pesados investimentos de países e organizações internacionais.

Tal como acontece nas estradas, o congestionamento do tráfego espacial aumenta o risco de colisões, podendo provocar danos significativos nos satélites e comprometer a viabilidade das operações.

O Espaço está também cheio de estilhaços que se desintegraram de naves, foguetes ou satélites. São milhões de detritos a viajar a 25 mil km/hora, podendo embater num dos 10 mil satélites que, diariamente, fornecem dados vitais para todo o tipo de operações de entidades públicas e privadas.

Sabendo dos potenciais perigos que a sua proliferação poderá originar, uma equipa de investigadores de Coimbra recorreu à inteligência artificial (IA) e ao machine learning para desenvolver uma solução que acreditam poder vir a ser uma ferramenta indispensável para ultrapassar os desafios do futuro do Espaço.

Operações espaciais mais seguras

A Neuraspace, empresa sediada no Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, está a testar um conjunto de ferramentas, tais como uma base de dados e modelos avançados para a sua visualização que poderão tornar as operações espaciais mais seguras. As manobras monitorizadas por IA não só conseguem evitar choques com detritos espaciais como com outros satélites.

A base de dados desenvolvida pela Universidade de Coimbra é capaz de processar grandes volumes de informação para suportar decisões críticas dos operadores de satélite. Foto: Pixabay
A base de dados desenvolvida pela Universidade de Coimbra é capaz de processar grandes volumes de informação para suportar decisões críticas dos operadores de satélite. Foto: Pixabay

Além da prevenção de colisões, o planeamento de operações e a melhoria da sustentabilidade espacial são algumas das funcionalidades desta plataforma de gestão de tráfego espacial.

A Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu uma base de dados que será capaz de processar grandes volumes de informação. A infraestrutura é considerada um ponto nevrálgico da plataforma para disponibilizar aos seus utilizadores dados em tempo real que permitam suportar decisões rápidas e informadas.

A faculdade criou ainda modelos avançados de visualização para apresentar informações multidimensionais de forma intuitiva. Este trabalho assegura que os operadores possam interpretar os dados de maneira eficiente e tomar providências em questão de segundos.

A visualização de dados, com modelos desenvolvidos pela equipa da FCTUC, encontra-se atualmente em fase de testes pela Neuraspace. Segundo o comunicado da Universidade de Coimbra, o sistema de recolha e processamento de dados está também, em fase de conclusão, com estudos realizados para selecionar os fornecedores mais vantajosos.

Impactos imediatos na gestão do tráfego espacial

A solução da Neuraspace visa, acima de tudo, otimizar o trabalho dos operadores de satélites, reduzindo o custo e minimizando as interrupções das missões. A fluidez do tráfego espacial teria, desde logo, um impacto na redução dos prémios de seguro, através da diminuição do lixo espacial, de acordo com o comunicado da empresa portuguesa.

A solução desenvolvida pela empresa portuguesa foi criada para prestar serviços a operadores e instituições como a NASA e a Agência Espacial Europeia. Foto: WikiImages/Pixabay
A solução desenvolvida pela empresa portuguesa foi criada para prestar serviços a operadores e instituições como a NASA e a Agência Espacial Europeia. Foto: WikiImages/Pixabay

Ao evitar também manobras desnecessárias, a plataforma permitirá ainda otimizar o combustível, prolongando a vida útil do satélite.

“Estas ferramentas não só reduzem falsos alertas, poupando cerca de 25 mil euros por manobra, como aumentam a eficiência dos satélites e permitem tomar decisões rápidas e seguras. Este desenvolvimento é essencial num setor em rápida expansão e que exige soluções tecnológicas avançadas para garantir a segurança e a sustentabilidade das operações espaciais”.

Nuno Lourenço, investigador do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra.

A plataforma desenvolvida pela Neuraspace integrará estas ferramentas num produto autónomo, acessível a operadores de satélites e instituições como a Agência Espacial Europeia ou a NASA, ajudando a mitigar os riscos de acidentes no espaço.

A maior precisão das manobras controladas por IA, a economia de combustível e a criação de um ambiente operacional mais seguro são algumas das vantagens da plataforma apontadas pelos investigadores.

A iniciativa faz parte do projeto AI Fights Space Debris financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência com um orçamento de 25 milhões de euros. O consórcio é liderado pela Neuraspace em parceria com a GMVIS Skysoft, Instituto Pedro Nunes - Associação para a Inovação e Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia, Universidade de Coimbra, Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e o Desenvolvimento e Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências e Tecnologia.

Referência do artigo:

Sara Machado. Investigadores desenvolvem base de dados e modelos avançados de visualização para prevenir colisões no Espaço. Universidade de Coimbra.

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