Esta é a supervitamina que chegou à costa portuguesa com a alga invasora
Investigadores do Algarve conseguiram isolar da Rugulopteryx okamurae uma vitamina com múltiplos benefícios para a saúde, que até agora só podia ser sintetizada em laboratório.

A Rugulopteryx okamurae, espécie de origem asiática, é a alga invasora que chegou ao sul da Ilha de São Miguel em 2019 e, desde então, alastrou-se pela costa portuguesa, principalmente nos Açores, no Algarve e em Cascais.
Durante a época balneária, as praias só ficam acessíveis porque os municípios removem toneladas de biomassa diariamente. O seu impacto é verdadeiramente preocupante, afetando os setores do turismo e da pesca e reduzindo significativamente a biodiversidade marinha.
Coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, um grupo de trabalho, com representantes de universidades, autarquias e entidades ligadas ao setor do mar, procura articular esforços e recursos com vista a monitorizar e controlar a espécie invasora na costa portuguesa.

Os especialistas, no entanto, reconhecem que o problema não desparecerá tão depressa. Enquanto não há uma solução eficaz para a sua eliminação, a alternativa é continuar a remover sistematicamente a alga dos areais e dos fundos marinhos rochosos, minimizando os impactos ambientais e económicos.
A utilidade de uma espécie invasora
O expectável, portanto, é continuar a remover a biomassa acumulada nas praias portuguesas todos os verões. Mas se até agora os resíduos tinham de ser descartados, os investigadores da Universidade do Algarve encontraram finalmente uma utilidade para a Rugulopteryx okamurae.
Nos laboratórios do Centro de Ciências do Mar (CCMAR), os bioquímicos conseguiram isolar e purificar a vitamina K destas macroalgas.
A vitamina K1 é lipossolúvel e sintetizada por plantas e bactérias, mas não pode ser sintetizada por humanos e animais. Só através da síntese laboratorial é possível obter seus benefícios.
Múltiplos benefícios da K1
Embora pouco conhecida do público, em geral, a K1 é sobejamente reconhecida na comunidade científica como uma supervitamina. Agindo como um protetor do sistema cardiovascular e ósseo, é também um anti-inflamatório e um antioxidante, ajudando ainda a fixar o cálcio nos ossos.
A Câmara Municipal de Cascais está, por exemplo, a trabalhar com o Instituto Superior de Agronomia e parceiros empresariais para encontrar formas de reutilizar a biomassa recolhida nas estâncias balneares do concelho. Os investigadores estão particularmente focados na utilização da alga para compostagem destinada ao uso agrícola.
Minimizar os impactos da praga
A valorização comercial da alga é apenas uma parte da estratégia nacional para combater os seus efeitos nocivos. As universidades portuguesas procuram investigar o que está na origem da invasão e, ainda, formas eficazes de a controlar.
Os investigadores do Algarve estão a trabalhar na construção de barreiras, tentando desviar a espécie para outros locais. Estão ainda a testar um sistema de semáforo (verde, amarelo e vermelho) que antecipa as medidas a tomar antes da chegada da alga às praias da região algarvia.

A presença de Rugulopteryx okamurae apresenta desafios significativos que exigem soluções adequadas para preservar a biodiversidade marinha, o turismo e a pesca. Mas a espécie invasora também pode oferecer oportunidades para indústrias, que mitigam os efeitos ambientais, reduzindo impactos económicos e sociais.
Referência da notícia
Maria Augusta Casaca. Uma vitamina natural retirada de uma alga invasora. TSF