Cancro no século XXI: tendências globais e desafios futuros

De acordo com um estudo, o cancro constitui um desafio crescente para a saúde pública global, com um aumento da incidência e mortalidade, impulsionado por fatores demográficos. Fique a saber mais aqui!

Cancro
O cancro é uma doença carcterizada por um crescimento celular descontrolado, com um impacto significativo na saúde pública global.

Segundo um estudo de revisão sistemática, liderado pelo Global Burden of Disease (GBD) 2023, publicado na revista The Lancet, nos últimos trinta anos, a carga global do cancro aumentou de forma acentuada.

Este estudo documenta que o número anual de novos casos de cancro mais que duplicou desde 1990, atingindo cerca de 18,5 milhões de diagnósticos em 2023, com 10,4 milhões de mortes associadas.

As projeções até 2050 estimam 30,5 milhões de novos casos anuais e 18,6 milhões de mortes, impulsionados sobretudo pelo crescimento demográfico e pelo envelhecimento populacional.

Aproximadamente 42 % das mortes por cancro em 2023 estão associadas a fatores de risco modificáveis, destacando a importância de políticas de prevenção, deteção precoce e acesso equitativo a tratamentos.

A elevada e crescente carga em países de baixo e médio rendimento, face a recursos de saúde limitados, exige uma resposta global coordenada.

Cancro como uma das principais causas de mortalidade a nível mundial

Apesar de avanços no diagnóstico e tratamento em muitos países, as tendências globais sugerem que o peso da doença está a aumentar de forma significativa, tornando-se um importante desafio para a saúde pública.

Os casos de cancro estão a aumentar exponencialmente em todo o mundo — e quase metade das mortes poderiam ser evitadas com melhor prevenção, deteção precoce e acesso a cuidados médicos. The lancet

Com uma população global em envelhecimento e em crescimento, o número absoluto de casos e mortes por cancro continua a subir, com implicações profundas para os sistemas de saúde, desenvolvimento económico e bem-estar social.

Análise global da incidência

O estudo publicado na The Lancet (GBD 2023 Cancer Collaborators) utilizou dados de registos populacionais de cancro, sistemas de registo civil, inquéritos e modelos preditivos do Global Burden of Disease Study.

Foram estimadas a incidência, mortalidade e anos de vida perdidos para 47 tipos ou grupos de cancro em 204 países e territórios, de 1990 a 2023, com projeções até 2050. A carga atribuível a 44 fatores de risco comportamentais, ambientais e metabólicos também foi calculada.

Os principais resultados do estudo mostram que entre 1990 e 2023, o número global de novos casos de cancro mais do que duplicou, atingindo 18,5 milhões em 2023. As mortes por cancro aumentaram cerca de 74 % no mesmo período, totalizando 10,4 milhões de óbitos.

Projeções até 2050

As estimativas projetam que, sem mudanças significativas em políticas de prevenção e tratamento, o número anual de novos casos de cancro poderá atingir cerca de 30,5 milhões em 2050, com cerca de 18,6 milhões de mortes, um aumento proporcional devido principalmente a fatores demográficos.

Cerca de 41,7 % (aproximadamente 4,33 milhões) das mortes por cancro em 2023 podem ser atribuídas a fatores de risco modificáveis tais como tabagismo, dieta não saudável, obesidade, níveis de açúcar elevados no sangue e outros determinantes comportamentais e metabólicos.

Diagnóstico e tratamento
As componentes essenciais da resposta ao cancro passam por uma prevenção primária, deteção precoce e um tratamento adequado.


A maior parte dos casos e mortes por cancro ocorre em países de baixo e médio rendimento, que enfrentam desafios significativos em termos de recursos para prevenção, diagnóstico e tratamento.

As taxas ajustadas por idade em países de alto rendimento diminuíram ou estabilizaram em algumas regiões, enquanto que em países com menos recursos estas taxas continuam a aumentar.

Impactos nos sistemas de sáude

O estudo da GBD 2023 fornece uma análise abrangente da evolução da carga do cancro ao longo das últimas décadas e projeta um agravamento substancial até meados do século XXI.

Estas tendências refletem, em grande parte, alterações demográficas globais, particularmente o envelhecimento das populações e a persistência de fatores de risco comportamentais e ambientais.

Embora algumas regiões de alto rendimento tenham conseguido reduzir as taxas ajustadas por idade, os números absolutos de casos e mortes continuam a aumentar globalmente.

A identificação de que mais de 40 % das mortes por cancro são atribuíveis a fatores modificáveis realça oportunidades de intervenção em saúde pública. Estratégias eficazes de controlo do tabagismo, promoção de estilos de vida saudáveis, vacinação contra oncogenicamente relevantes infeções (como HPV), e programas de rastreio poderiam reduzir substancialmente a carga futura da doença.

Adicionalmente, a disparidade no acesso a cuidados de saúde, incluindo diagnóstico precoce e terapias modernas contribui para desigualdades persistentes nos resultados do cancro.

Países de baixo e médio rendimento enfrentam limitações significativas, tanto em infraestruturas de saúde quanto em financiamento, que dificultam a implementação de programas eficazes de controlo do cancro.