A origem dos sismos violentos na costa portuguesa

Uma equipa de investigadores acredita que está a criar-se uma faixa na costa portuguesa, responsável por sismos violentos, responsável por exemplo pelo terramoto de 1755 que ocorreu em Lisboa. Descubra as causas.

Lidia Magno Lidia Magno 09 Maio 2019 - 17:40 UTC
Investigadores em busca do enigma dos sismos.

Uma equipa de investigadores portugueses procurou pela explicação do enigma da fonte do terramoto de 1755, que deixou Lisboa em escombros. Um investigador português acabou por descobrir uma anomalia na crosta terrestre ao largo da costa portuguesa, que pode explicar por que ocorrem sismos violentos numa zona aparentemente calma.

João Duarte, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em afirmações feitas à agência Lusa que, a confirmar-se a descoberta, muda a perceção sobre o risco sísmico ao longo da costa portuguesa, proveniente de uma área chamada “planície abissal da Ferradura”, situada a 250 quilómetros a sudoeste do cabo de São Vicente.

É o local de início de um processo de subducção, em que uma placa cai por baixo ou se descasca”, conhecido nas margens do oceano Pacífico e em áreas de grande atividade sísmica como o Japão, disse o investigador do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

A investigação que mereceu agora destaque na revista de divulgação científica National Geographic, começou por querer “localizar a fonte do sismo de 1755 que sempre foi um enigma, porque há 250 anos não havia registos”. Esta hipótese já tinha tido sido publicada num artigo científico em 2013 na revista Geology, também pela equipa de investigadores liderada por João Duarte.

A origem do terramoto de 1755 em Lisboa é um enigma dado que não existiam registos na altura da ocorrência.

Já o sismo de 1969 foi registado por sismógrafos e ocorreu numa zona plana do fundo do mar, longe da falha tectónica, a área instável onde se unem as placas rochosas da crosta terrestre, que fica no meio do oceano Atlântico.

No ano de 2007, foram compilados todos os registos sismográficos para a zona da anomalia, incluindo dados recolhidos no fundo do oceano durante 11 meses e com o investigador Nicolas Riehl, da Universidade de Mainz, na Alemanha, foi criado um modelo computorizado que confirma a hipótese de subducção.

“Não é possível dizer que vai haver mais sismos porque este é um processo absolutamente lento, demora 10 a 20 milhões de anos”, afirmou João Duarte, defendendo que com esta hipótese se percebe melhor como é que uma zona aparentemente calma do leito oceânico é capaz de gerar sismos tão fortes como o de 1755, que devastou Lisboa e parte da costa.

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