O céu noturno sob duas perspetivas: o astroturismo sob "ambos os olhos"
O céu através de dois olhos: como a ciência moderna e as tradições ancestrais se unem no astroturismo global e nacional. Saiba mais aqui!

O conceito de "two-eyed seeing" (ver com os dois olhos), é uma filosofia que está a transformar o astroturismo mundial.
O céu não é apenas um cenário físico, é um texto vivo onde a astrofísica e a mitologia se fundem para explicar a nossa origem e lugar no cosmos.
Destaques globais: a ciência com alma
Destacam-se cinco destinos onde esta dualidade é o prato principal:
Arizona e Novo México (EUA): No observatório Kitt Peak, cientistas partilham a montanha sagrada com a nação Tohono O'odham. Ali, a Ursa Maior não é apenas um conjunto de estrelas, mas a Kui'pud, uma ferramenta para colher frutos de catos.
Havai (Mauna Kea): Enquanto os maiores telescópios do mundo perscrutam galáxias distantes, centros como o 'Imiloa ensinam como os navegadores polinésios cruzaram oceanos usando apenas as estrelas como guias.

Austrália: A tradição aborígene — a mais antiga astronomia contínua do mundo — revela a Mirrabooka (Via Láctea) como uma entidade moral e espiritual que molda a vida na terra.
Canadá e Oregon: Locais onde o turismo de luxo se cruza com caminhadas noturnas e histórias dos povos Chickasaw e First Nations, provando que o escuro é um recurso precioso para a imaginação.
Portugal: onde a história navega nas estrelas
Portugal tem-se afirmado como um dos destinos mais importantes do mundo para este "olhar duplo", com dois locais certificados que oferecem experiências distintas e complementares.
Dark Sky Alqueva: pioneiro mundial, sendo a primeira Reserva Starlight do mundo, o Alqueva (Alentejo) é o exemplo máximo da preservação do céu noturno.
A presença de monumentos megalíticos (como o Cromeleque do Xerez) sugere que, há 5.000 anos, os habitantes desta região já olhavam para o céu para organizar as suas vidas e colheitas.

Dark Sky Aldeias do Xisto: o refúgio da Montanha nas Serras da Lousã e do Açor, no centro de Portugal, o astroturismo ganha uma face mais selvagem e íntima. Aqui, o foco é a sustentabilidade e o silêncio. As Aldeias do Xisto recuperaram a arquitetura tradicional e, com ela, a "cultura da noite".
Observar as estrelas nestas aldeias de pedra é um regresso à simplicidade, onde o conhecimento científico se mistura com o isolamento geográfico que protegeu estas comunidades e as suas histórias durante séculos.
O céu noturno é um património comum. Seja através de um telescópio no Alqueva ou de uma lenda indígena no Havai, aprender a "ver com os dois olhos" permite-nos recuperar uma ligação com o universo que a poluição luminosa das cidades quase nos fez esquecer.
Referência da notícia:
https://www.nationalgeographic.com/travel/article/stargazing-destinations
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