O afélio de 2026 está a aproximar-se: o que é este fenómeno, a data exata e porque ocorre no verão?
O fenómeno astronómico conhecido como afélio ocorrerá no início de julho. Por que razão acontece nessa época? Tem alguma relação com as estações do ano? Explicaremos de seguida.

O verão de 2026 já está em pleno andamento após o solstício de 21 de junho, embora climatologicamente tenha começado a 1 de junho. Temos vivido um período de temperaturas elevadas desde o final de maio e, agora, enquanto a Europa enfrenta uma onda de calor excecionalmente intensa e persistente, aproximamo-nos rapidamente de um importante evento astronómico, que ocorrerá no início de julho: o afélio.
Em 2026, a Terra atingirá o afélio a 6 de julho (em 2025 foi a 3 de julho, e a data muda todos os anos, calhando sempre no início de julho). Este é um evento astronómico que se repete anualmente e suscita frequentemente curiosidade e interrogações: como é possível que, em pleno verão, a Terra esteja mais afastada do Sol? Vamos explicar.
A órbita da Terra é elíptica
A Terra gira em torno do Sol numa órbita elíptica e, por isso, não circular, completando uma revolução em aproximadamente 365 dias e 6 horas (daí a necessidade de anos bissextos de quatro em quatro anos, para compensar este "erro").
El tamaño aparente del Sol desde cada planeta, en su afelio y perihelio.
— Jorge Arturo Colorado (@antroastronomo) May 6, 2022
Desde la Tierra el Sol se observa con un diámetro aparente en la esfera celeste de 0.5 grados ¿cómo es eso visualmente? 0.5 grados también es el tamaño aparente de la Luna. pic.twitter.com/9m8kTkYsiM
Esta forma elíptica foi descrita pela primeira vez pelo astrónomo alemão Johannes Kepler, contemporâneo de Galileu Galilei. Foi Kepler quem percebeu que as órbitas planetárias não são círculos perfeitos, mas elipses, com o Sol num dos seus focos.
Devido a esta excentricidade, existem dois momentos distintos durante o ano: o momento em que a Terra está mais próxima do Sol (periélio) e o momento em que está mais afastada (afélio).
O que são o afélio e o periélio?
O periélio ocorre no início de janeiro, quando a Terra se encontra a cerca de 147 milhões de quilómetros do Sol. O afélio, por outro lado, ocorre no início de julho e marca o ponto mais distante: cerca de 152 milhões de quilómetros.

O nome deriva dos termos gregos “apo” (longe) e “helios” (sol), e foi Kepler quem o introduziu para descrever esta época do ano.
No verão estamos mais afastados do Sol, mas a distância não influencia as estações do ano
É surpreendente, mas verdade: a distância entre a Terra e o Sol não é a causa das estações do ano. A diferença entre 147 e 152 milhões de quilómetros é demasiado pequena para influenciar significativamente a temperatura do nosso planeta ou determinar a mudança das estações.
Além disso, para confirmar este facto, devemos recordar que, quando a Terra se encontra no afélio, é Verão no Hemisfério Norte e Inverno no Hemisfério Sul. A razão não reside na distância, mas na inclinação do eixo da Terra em relação ao plano da sua órbita em torno do Sol.
A Terra está inclinada aproximadamente 23°27′, e esta inclinação faz com que a quantidade de luz solar que cada hemisfério recebe varie ao longo do ano. Quando é verão no Hemisfério Norte, os raios solares incidem num ângulo mais raso e durante mais horas todos os dias, enquanto é inverno no Hemisfério Sul, e vice-versa seis meses depois.
A verdadeira causa das estações do ano reside na inclinação da Terra em relação ao Sol
O nosso planeta completa a sua translação com uma inclinação constante, que é precisamente o que determina a alternância das estações, os solstícios e os equinócios. Portanto, não é a maior ou menor proximidade do Sol que determina o verão ou o inverno, mas sim a forma como os raios solares atingem diferentes zonas do planeta ao longo do ano. É esta inclinação que regula a duração dos dias e a intensidade do aquecimento solar.