NASA investiga como o espaço transforma o corpo humano

A NASA vai estudar como a microgravidade transforma o corpo humano, procurando respostas que poderão ser essenciais para futuras viagens à Lua e a Marte. Venha descobrir mais aqui!

A bordo da Estação Espacial Internacional, os astronautas ajudam a estudar como a microgravidade altera o organismo humano, fornecendo dados essenciais para preparar futuras missões espaciais de longa duração.
A bordo da Estação Espacial Internacional, os astronautas ajudam a estudar como a microgravidade altera o organismo humano, fornecendo dados essenciais para preparar futuras missões espaciais de longa duração.

Viajar para o espaço não significa apenas enfrentar a ausência de gravidade. Para o corpo humano, permanecer durante meses em órbita representa uma transformação profunda, com efeitos na circulação sanguínea, visão, equilíbrio e desempenho físico.

É precisamente para compreender melhor essas alterações que a NASA vai aproveitar a missão Crew-13 para realizar uma série de estudos médicos a bordo da Estação Espacial Internacional.

Prevista para levar quatro astronautas até à estação, a missão inclui uma investigação conjunta entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) dedicada à circulação do sangue e à formação de coágulos.

O estudo, denominado Venous Haemostasis, procura compreender de que forma a microgravidade altera o fluxo sanguíneo e porque é que alguns astronautas poderão ser mais vulneráveis do que outros.

O sangue comporta-se de outra forma no espaço

Segundo um artigo publicado na revista online PHYSORGN, na Terra, a gravidade ajuda a manter os fluidos corporais distribuídos pelo organismo. Em microgravidade, essa dinâmica muda, o sangue e outros líquidos podem deslocar-se em direção à parte superior do corpo, alterando o funcionamento normal do sistema circulatório.

Para acompanhar estas mudanças, os astronautas serão submetidos, antes, durante e depois da missão, a exames como ressonâncias magnéticas, ecografias da veia jugular, medições da pressão arterial e análises ao sangue.

Os dados poderão ajudar a identificar fatores de risco e a desenvolver medidas preventivas para futuras missões.

A astronauta da NASA Anne McClain auxilia o astronauta Jonny Kim durante uma ecografia a bordo da Estação Espacial Internacional. Fonte: NASA
A astronauta da NASA Anne McClain auxilia o astronauta Jonny Kim durante uma ecografia a bordo da Estação Espacial Internacional. Fonte: NASA

A investigação poderá ainda ter consequências muito para além da exploração espacial. Os cientistas esperam que o conhecimento adquirido sobre os coágulos sanguíneos possa contribuir para compreender melhor a sua prevenção e tratamento também na Terra.

O regressar à Terra é também um desafio

Um outro estudo vai analisar uma capacidade que pode ser decisiva durante uma aterragem, pilotar uma nave depois de passar longos períodos em microgravidade.

"No espaço, a ausência de peso pode perturbar o fluxo normal do sangue nas veias dos astronautas?"
Jason Lytle, um dos principais investigadores do estudo e investigador cardiovascular no Johnson Space Center da NASA, em Houston.

Os astronautas irão realizar simulações de aterragem lunar para avaliar a forma como as alterações nos sistemas sensoriais, na orientação e no controlo dos movimentos podem afetar a tomada de decisões.

Os investigadores querem perceber se sessões de treino realizadas pouco antes da aterragem podem ajudar a recuperar essas capacidades.

Proteger os olhos e manter o corpo ativo

A visão também está no centro da investigação. A NASA continuará o estudo B-Complex, que procura determinar se a toma diária de vitaminas do complexo B pode ajudar a reduzir os efeitos da chamada síndrome neuro-ocular associada aos voos espaciais, uma condição que pode provocar alterações na estrutura dos olhos durante missões prolongadas.

Os membros da missão SpaceX Crew-13, vestidos com os seus fatos pressurizados, estão sentados no interior de uma réplica da nave Dragon durante uma sessão de treino antes do voo, na sede da empresa, em Hawthorne, na Califórnia. Fonte:PHYSORGN
Os membros da missão SpaceX Crew-13, vestidos com os seus fatos pressurizados, estão sentados no interior de uma réplica da nave Dragon durante uma sessão de treino antes do voo, na sede da empresa, em Hawthorne, na Califórnia. Fonte:PHYSORGN

Ao mesmo tempo, os investigadores vão comparar diferentes rotinas de exercício físico. Um dos estudos pretende perceber que impacto tem a utilização da passadeira na saúde e no desempenho dos astronautas, informação particularmente importante para futuras missões em que o espaço disponível poderá limitar a utilização de equipamentos de exercício.

Preparar o caminho para a Lua e Marte

Por detrás de todas estas experiências existe um objetivo maior que passa por descobrir como manter seres humanos saudáveis durante viagens cada vez mais longas e distantes da Terra.

A NASA considera estes estudos importantes para preparar as futuras missões Artemis, a permanência humana na Lua e, mais tarde, possíveis expedições a Marte. Quanto maior for a distância, menor será a possibilidade de recorrer rapidamente a equipas médicas na Terra.

A Crew-13 mostra, assim, que para explorar o espaço também é necessário compreender profundamente o organismo humano e descobrir como protegê-lo quando a gravidade, o ambiente e as condições de vida deixam de ser os mesmos que conhecemos no nosso planeta.

Referência da notícia

Monica Edwards. (2026). NASA to study human health and performance during Crew-13 mission.