Zoomarine e Universidade de Lisboa unem-se para proteger espécies fluviais ameaçadas. Escalo do Sado é a primeira

O protocolo assinado entre as duas instituições “consolida uma parceria que articula investigação científica, infraestruturas técnicas especializadas e ações de conservação aplicada”. A primeira espécie a beneficiar deste programa é o Escalo do Sado.

O Escalo do Sado (Squalius caetobrigus), um peixe endémico de tons cinzento e dourado, foi recentemente descrito. A sua população é muito reduzida e restrita à bacia hidrográfica do rio Sado.
O Escalo do Sado (Squalius caetobrigus), um peixe endémico de tons cinzento e dourado, foi recentemente descrito. A sua população é muito reduzida e restrita à bacia hidrográfica do rio Sado.

Investigação científica, infraestruturas técnicas especializadas e ações de conservação aplicada. Este é o triângulo que está na base de um protocolo de colaboração entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Zoomarine destinado à conservação ex situ de espécies fluviais portuguesas ameaçadas, principalmente espécies endémicas de água doce.

E o Escalo do Sado (Squalius caetobrigus), um peixe endémico de tons cinzento e dourado que foi recentemente descrito e cuja população é muito reduzida e restrita à bacia hidrográfica do rio Sado, é a primeira espécie fluvial a beneficiar deste programa científico entre as duas instituições.

Trata-se de uma espécie fluvial que se encontra particularmente vulnerável às alterações climáticas e sujeita a uma pressão crescente sobre os recursos hídricos, derivada da intensificação das atividades agrícolas e turísticas na região.

Monitorização genética e reprodução assistida

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) emitiu, entretanto, as respetivas licenças para que fossem recolhidos 36 exemplares na ribeira de Grândola e transferidos para o Zoomarine, onde decorrem os trabalhos preparatórios para a reprodução de Escalo do sado em ambiente controlado.

A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Zoomarine celebraram um protocolo para proteger espécies fluviais portuguesas ameaçadas.
A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Zoomarine celebraram um protocolo para proteger espécies fluviais portuguesas ameaçadas.

O modelo integrado de conservação combina conhecimento científico, monitorização genética, reprodução assistida e educação ambiental, sendo que a investigação científica está a cargo do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C) da Faculdade de Ciências de Lisboa.

É a esta instituição que cabe a identificação e captura de reprodutores, a monitorização de habitats e a preparação das ações de repovoamento.

O protocolo recentemente assinado as duas instituições está focado nas espécies dulçaquícolas endémicas portuguesas. “O acordo reforça uma parceria que articula investigação científica, infraestruturas especializadas e ações de conservação aplicada”, sendo que a cooperação científica para conservação de espécies fluviais “articula investigação científica, infraestruturas técnicas especializadas e ações de conservação aplicada”.

A componente científica é assegurada pela Faculdade de Ciências de Lisboa, através do trabalho desenvolvido no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais.

Por sua vez, o Zoomarine contribui com a sua experiência técnica, infraestrutura e equipas especializadas dedicadas à conservação da biodiversidade aquática, fatores que são considerados “essenciais para o desenvolvimento de programas de reprodução e manutenção ex situ”.

O Zoomarine alberga uma grande variedade de espécies de mamíferos marinhos, aves, répteis, peixes, invertebrados e plantas, encontradas um pouco por todo o mundo. Os peixes são o grupo mais representativo entre todos os animais vertebrados.

Proteção do património natural

De acordo com as duas entidades, o protocolo cria um modelo integrado que reúne três vertentes: conhecimento científico, monitorização genética, reprodução assistida e educação ambiental.

O protocolo recentemente assinado entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Zoomarine está focado nas espécies dulçaquícolas endémicas portuguesas.
O protocolo recentemente assinado entre a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Zoomarine está focado nas espécies dulçaquícolas endémicas portuguesas.

Através delas são estabelecidas as bases para futuras ações de reforço populacional nos ecossistemas naturais.

Cristina Máguas, investigadora do CE3C e subdiretora para a Investigação e Inovação, Internacionalização e Relações Externas da Ciências da Universidade de Lisboa, considera que que esta parceria “reforça o compromisso de ambas as instituições com a proteção do património natural português e com a conservação das espécies de água doce ameaçadas, promovendo a articulação entre ciência, conservação e envolvimento da sociedade”.

Por sua vez, João Neves, diretor de Ciência e Conservação do Zoomarine, afirma que este modelo integrado de reprodução e conservação é “um passo importante para proteger uma espécie particularmente vulnerável e reforçar a capacidade nacional de resposta na área da biodiversidade fluvial”.

Para este responsável, é nesse contexto que a parceria com a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa “assume especial relevância, aproximando investigação e aplicação prática”.

O protocolo agora assinado “reflete ainda, de forma natural, a missão do Zoomarine na conservação da natureza e na promoção do bem-estar animal”, diz João Neves.