Um dos maiores povoados da Idade do Bronze em Portugal vai passar a ser visitável
Entre Mombeja e Beringel (Beja), um dos maiores povoados da Idade do Bronze Final da Península Ibérica irá "ganhar vida". Outeiro do Circo receberá um novo projeto arqueológico, com investimento de 50 mil euros da Câmara Municipal de Beja.

O projeto que será desenvolvido entre este ano e 2029 arrancou na passada segunda-feira (17) com uma campanha arqueológica que se prolongará até ao dia 11 de setembro, sob a responsabilidade do investigador Nelson J. Almeida, professor de Arqueologia na Universidade de Évora.
Em declarações à Lusa, Nelson J. Almeida refere que os trabalhos no sítio arqueológico concentrar-se-ão "numa nova área de 53 metros quadrados" que permitirá ficar a conhecer "um troço da muralha" construída há cerca de três mil anos.
Uma “janela” para o poder na Idade do Bronze
Perceber o papel desta muralha prende-se, sobretudo, com a possibilidade de ajudar a reconstruir a organização e a importância que este povoado assumiu no território. Os investigadores vão procurar compreender “(...) mais sobre esta muralha da Idade do Bronze, com cerca de 3.000 anos, assim como a relação que tem com eventuais estruturas no entorno do povoado", afirma o investigador da Universidade de Évora.
Segundo Nelson J. Almeida, o projeto irá abranger, até 2029, "novos trabalhos de caracterização, através da aplicação de técnicas geofísicas" e o "estudo de eventuais estruturas que existam, nomeadamente junto a uma possível segunda entrada para o povoado".
A particularidade desta iniciativa consistirá na aproximação de duas dimensões que nem sempre caminham lado a lado: a investigação académica e a educação patrimonial. De acordo com Almeida, estão previstas ações dirigidas não só à população local, mas também com alcance nacional e internacional, tendo em vista o reforço da importância deste património pré-histórico.
Do laboratório ao território, uma preparação para o futuro
O regresso aos trabalhos de campo ocorrem após uma pausa que teve início em 2021. Durante este período, a investigação não parou por completo. De acordo com um comunicado da Câmara de Beja, a suspensão dos trabalhos de campo há cinco anos visou permitir "uma série de estudos laboratoriais e de gabinete, dedicados à vasta coleção de cerca de 30.000 artefactos aí recolhidos".

A nova equipa junta investigadores que agora assumem responsabilidades no projeto a anteriores responsáveis científicos, preservando uma linha de investigação e divulgação construída ao longo de 18 anos.
E há uma particularidade que promete aproximar aproximar a arqueologia de quem a observa de fora: as escavações continuam abertas ao público. Segundo a autarquia, de segunda a sexta-feira, entre as 08:30 e as 12:30, qualquer visitante poderá acompanhar diretamente o trabalho levado a cabo pelos arqueólogos.
Com cerca de 17 hectares, o Outeiro do Circo terá sido um importante centro de poder regional antes da emergência de Beja como cidade, já na Idade do Ferro. O sítio arqueológico, conhecido desde o século XVIII, primeiramente estudado pelos cientistas em 1977 e alvo de trabalhos arqueológicos entre 2008 e 2021, está prestes a assistir ao desenrolar de um novo capítulo na sua história: transformar as descobertas do passado numa experiência de património acessível no futuro.
Referência da notícia
Agência Lusa. (2026). Um dos maiores povoados da Idade do Bronze será visitável.