Portugal lidera ranking mundial da resiliência alimentar elaborado pela The Economist

Qualidade da alimentação, segurança dos alimentos e acesso a dietas saudáveis colocaram o nosso país no topo do índice internacional que avaliou 60 economias.

O índice da The Economist avalia a resiliência das cadeias de abastecimento alimentar em períodos de instabilidade. Imagem: Hans-Dirk Reinartz/Pixabay
O índice da The Economist avalia a resiliência das cadeias de abastecimento alimentar em períodos de instabilidade. Imagem: Hans-Dirk Reinartz/Pixabay

Portugal tem o sistema alimentar e agrícola mais resiliente do mundo, segundo a edição de 2026 do Resilient Food Systems Index (RFSI), desenvolvido pela plataforma Economist Impact, ligada ao grupo The Economist.

O país lidera um ranking de 60 países com uma pontuação global de 76,83, superando, por margem reduzida, a França e o Reino Unido, que ocupam os lugares seguintes.

A classificação resulta da análise de quatro grandes áreas relacionadas com a capacidade dos países de garantir alimentos suficientes, acessíveis, seguros e disponíveis mesmo em períodos de instabilidade económica, climática ou geopolítica.

Os pontos fortes da agricultura portuguesa

O estudo conclui que Portugal reúne um conjunto raro de indicadores positivos, sobretudo na qualidade da alimentação, na segurança alimentar e no acesso a dietas saudáveis.

O melhor desempenho português surge precisamente no pilar da “Qualidade e Segurança”, onde alcança 88,53 pontos em 100.

O relatório destaca a elevada diversidade alimentar, a forte presença de proteína de qualidade na dieta e os padrões nutricionais rigorosos aplicados no país. A segurança alimentar surge igualmente entre os indicadores mais robustos.

Portugal lidera o grupo de países que revelaram maior resiliência dos seus sistemas alimentares. Imagem: RFSI
Portugal lidera o grupo de países que revelaram maior resiliência dos seus sistemas alimentares. Imagem: RFSI

A avaliação atribui pontuação máxima à qualidade proteica disponível na alimentação dos portugueses. O país obtém ainda classificações acima dos 80 pontos na acessibilidade de uma dieta saudável para os grupos mais vulneráveis, na gestão de catástrofes, na segurança alimentar e na qualificação da mão-de-obra agrícola.

Sistema alimentar resiste melhor à internacional

O índice parte da ideia central de que a grande questão já não é apenas produzir alimentos suficientes, mas garantir que os sistemas alimentares conseguem resistir a choques prolongados, interrupções logísticas, eventos climáticos extremos ou instabilidade política.

A Economist Impact lembra que os sistemas alimentares globais atravessam uma fase de pressão crescente, marcada por alterações climáticas, tensões geopolíticas, inflação, crises energéticas e perturbações nas cadeias de abastecimento.

O relatório sublinha ainda a forte concentração da produção alimentar mundial. Apenas 15 países produzem cerca de 70% dos alimentos consumidos no planeta e 11 deles concentram mais de três quintos das exportações globais.

Portugal destacou-se na diversidade alimentar, na qualidade proteica da dieta e na aplicação de padrões nutricionais. Foto: Matthias Böckel/Pixabay
Portugal destacou-se na diversidade alimentar, na qualidade proteica da dieta e na aplicação de padrões nutricionais. Foto: Matthias Böckel/Pixabay

Neste quadro internacional, Portugal destaca-se pela combinação entre acesso aos alimentos, estabilidade da oferta e eficiência das cadeias agroalimentares. O país apresenta bons resultados na produtividade agrícola, no comércio internacional do setor e na estabilidade dos preços médios dos alimentos.

A análise identifica também desempenhos positivos nos programas de apoio alimentar, no acesso a recursos agrícolas e nos compromissos políticos ligados à segurança alimentar.

Alterações climáticas continuam a ser o principal desafio

Apesar da liderança global, o relatório identifica fragilidades no sistema português. A principal está relacionada com a resposta aos riscos climáticos, o pilar em que Portugal obtém a classificação mais baixa, com 69,41 pontos.

A Economist Impact considera que o país continua exposto a riscos físicos associados às alterações climáticas, incluindo secas, fenómenos extremos e pressão sobre os recursos naturais. O documento defende um reforço das estratégias de mitigação e adaptação para aumentar a capacidade de resposta do setor agrícola.

Outra das fragilidades identificadas é o investimento público em investigação e desenvolvimento agrícola, área em que Portugal regista uma das pontuações mais baixas do índice.

Ainda assim, o estudo assinala que muitos países, incluindo Portugal, têm vindo a apostar em práticas agrícolas sustentáveis e em inovação de baixas emissões. O desafio passa agora por acelerar a aplicação dessas medidas em larga escala e adaptá-las às especificidades de cada setor produtivo.

Um retrato global marcado por desigualdades

O RFSI resulta de mais de uma década de investigação da Economist Impact sobre agricultura e sistemas alimentares. O índice avaliou 71 indicadores quantitativos e qualitativos distribuídos por quatro pilares, cruzando dados sobre acessibilidade, disponibilidade, qualidade e resposta climática.

A diferença entre os países mais resilientes e os mais vulneráveis continua, no entanto, a ser expressiva. Enquanto Portugal lidera o ranking, a República Democrática do Congo surge na última posição, com uma distância superior a 42 pontos.

Essa desigualdade mostra que a resiliência alimentar depende menos da existência de soluções inéditas e mais da capacidade de integrar políticas públicas, tecnologia, financiamento e regulação numa estratégia coerente.

Os eventos meteorológicos extremos e a adaptação climática do setor agrícola português são os pontos fracos apontados no índice da The Economist. Foto: Gianni Crestani/Pixabay
Os eventos meteorológicos extremos e a adaptação climática do setor agrícola português são os pontos fracos apontados no índice da The Economist. Foto: Gianni Crestani/Pixabay

Muitos dos instrumentos necessários já existem, relembram os autores. O desafio está em ligar essas peças e garantir que os sistemas resistam aos vários tipos de pressão que ameaçam a segurança alimentar.

Referência do artigo

Resilient Food Systems Index: Global Report (2026) – Economist Impact

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