UE quer expandir agricultura biológica até 25% das terras agrícolas. Chipre quer atingir 11 mil hectares (9%) até 2027

Em 2024, a agricultura biológica abrangia 17,7 milhões de hectares na UE e representava 10,9% do total das terras agrícolas. O objetivo é chegar aos 25% em 2030. O Chipre, que assume a presidência rotativa do Conselho da UE até junho, quer chegar aos 11 mil hectares (9%) em modo biológico até 2027.

O Commandaria é o vinho com o nome mais antigo do mundo ainda em produção. As suas origens remontam aos séculos XII e XIII. É conhecido em todo o mundo, com DOP reconhecida pela UE.
O Commandaria é o vinho com o nome mais antigo do mundo ainda em produção. As suas origens remontam aos séculos XII e XIII. É conhecido em todo o mundo, com DOP reconhecida pela UE.

A presidência cipriota do Conselho da União Europeia (UE) assumiu como grandes prioridades para o primeiro semestre de 2026 a agricultura e as pescas, considerados “motores económicos vitais que sustentam as comunidades rurais e costeiras da Europa”.

A agricultura e as pescas asseguram igualmente a estabilidade do abastecimento de alimentos seguros e de elevada qualidade para todos os cidadãos.

Isto, ao mesmo tempo que a atividade agrícola e piscatória contribuem para a autonomia estratégica da União, para a gestão ambiental e para a resiliência das regiões de cada Estado-membro.

Maria Panayiotou, ministra da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e do Ambiente de Chipre, assumiu desde o primeiro dia que o Chipre quer “promover um setor primário justo, competitivo e sustentável”, ao mesmo tempo que se compromete com uma “abordagem abrangente sobre o futuro da política agrícola comum (PAC) e da política comum das pescas (PCP)”. No domínio agrícola, a ministra cipriota destaca a agricultura biológica como sendo “um ativo estratégico para os sistemas alimentares, para a biodiversidade e para as zonas rurais da Europa”. Maria Panayiotou reconhece, contudo, que “os Estados-membros querem regras mais simples, claras e que se adaptem melhor à realidade no terreno”.

A UE definiu como meta atingir pelo menos 25% das terras agrícolas dedicadas à agricultura biológica até 2030, no âmbito do projeto Horizonte Europa OrganicTargets4EU (2022-2026).

Em Portugal, a agricultura biológica tem vindo a crescer e representa já (dados de 2024) 22,3% da superfície agrícola utilizada (SAU).

Chipre: 9% em agricultura biológica em 2027

E o Chipre, que assume a presidência rotativa do Conselho da UE no primeiro semestre de 2026, está igualmente comprometido com esse crescimento. O seu PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum 2023-2027) prevê um aumento em 250% da área de agricultura biológica apoiada, com vista a chegar aos 11 mil hectares (9%) em modo biológico até 2027.

O vinho Commandaria, Denominação de Origem Protegida (DOP), agrega 500 viticultores em toda a ilha de Chipre, que cultivam 419 hectares com uma média de produção de 6500 quilos/hectare.
O vinho Commandaria, Denominação de Origem Protegida (DOP), agrega 500 viticultores em toda a ilha de Chipre, que cultivam 419 hectares com uma média de produção de 6500 quilos/hectare.

Em 2004, o Chipre tinha apenas 867 hectares de terras cultivadas em modo biológico. Em 2024 passou para 7.749 hectares de terras nesse modo de produção e para o ano 2027 a meta está traçada: 11 mil hectares (9%) da superfície agrícola utilizada.

As culturas que mais cresceram em modo de produção biológico no Chipre nos últimos anos foram a horticultura (100%), o olival (60%), a fruticultura (33%) e a viticultura (33%).

Commandaria: o nome mais antigo do mundo

A comprovar esse crescimento da agricultura biológica na ilha de Chipre estão vários produtores agrícolas que um grupo de 15 jornalistas da UE visitou esta semana, a convite da Direção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural da Comissão Europeia (DG AGRI).

Na vila de Agios Konstantinos, na vertente sudeste do Monte Papoutsa, Andreas Evangelou, um viticultor de quarta geração que se formou em Agricultura na Universidade de Tessalónica (Grécia), iniciou a sua própria pequena vinha biológica em 2018, onde trabalha sete hectares a uma altitude entre os 820-920 metros.

Andreas Evangelou recebeu os jornalistas na sua vinha para lhes explicar como produz exclusivamente o vinho Commandaria, uma Denominação de Origem Protegida (DOP) que só pode ser produzida em algumas aldeias da Serra de Troodos.

O Commandaria é o vinho com o nome mais antigo do mundo ainda em produção. As suas origens remontam aos séculos XII e XIII. É conhecido em todo o mundo, com DOP reconhecida pela Comissão Europeia e a sua tradição secular de produção foi reconhecida pela UNESCO em 2023 como património cultural imaterial.

Andreas Evangelou planta as videiras a 50 centímetros de profundidade, para as preservar do calor e da secura dos solos. Este ano de 2026 a pluviosidade tem ajudado, mas o viticultor não esquece os anos de seca registados nos anos 2020 a 2022. Daí a necessidade de também desenvolver novas variedades mais resistentes às alterações climáticas.

O vinho Commandaria (DOP) agrega 500 viticultores em toda a ilha de Chipre, que cultivam 419 hectares com uma média de produção de 6500 quilos/hectare. A produção média é de 3000 hectolitros.

Projeto Bio-Solea: apicultura sustentável

Em Temvria, Chrysanthos Hatziyiannis fundou em 2017 o projeto Bio-Solea, de produção de mel e outras culturas e que combina o cultivo biológico certificado de frutas e legumes com a apicultura sustentável e focada na biodiversidade nas Montanhas Troodos, no Chipre. A empresa foi formalmente constituída em 2017 e a primeira produção saiu para o mercado em 2021.

Em Temvria, Chrysanthos Hatziyiannis fundou em 2017 o projeto Bio-Solea, de produção de mel e outras culturas e que combina o cultivo biológico certificado de frutas e legumes com a apicultura sustentável e focada na biodiversidade nas Montanhas Troodos, no Chipre.
Em Temvria, Chrysanthos Hatziyiannis fundou em 2017 o projeto Bio-Solea, de produção de mel e outras culturas e que combina o cultivo biológico certificado de frutas e legumes com a apicultura sustentável e focada na biodiversidade nas Montanhas Troodos, no Chipre.

No coração desta quinta que os jornalistas visitaram está um parque botânico com 10 hectares onde estão plantadas milhares de espécies de flores, que apoiam os polinizadores e promovem a biodiversidade.

O projeto vai muito além da produção do mel biológico Apianthos. Na Bio-Solea, onde trabalham 13 pessoas, estamos perante um ecossistema integrado que combina agricultura biológica com apicultura, investigação, educação e práticas sustentáveis.

Seguindo uma abordagem holística e prática, a quinta produz o mel biológico cru e não filtrado Apianthos, totalmente rastreável da flor ao frasco, refletindo a flora sazonal única do Chipre, que obteve reconhecimento internacional nos últimos anos.

Dia Mundial das Abelhas: 20 de maio

Em 2025, a produção total apenas atingiu 2,5 toneladas de mel, devido à seca e às poeiras. Uma produção muito abaixo das cerca de cinco toneladas noutros anos e da meta que pretendem atingir: 10 toneladas.

Nesta quarta-feira, 20 de maio, assinalou-se o Dia Mundial das Abelhas, que estão cada vez mais ameaçadas pela perda de habitat, por práticas agrícolas insustentáveis, pelas alterações climáticas e pela poluição. A efeméride foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) para lembrar a importância da polinização para o desenvolvimento sustentável do planeta. Atualmente reconhecem-se mais de 200 000 de espécies animais polinizadores, a grande maioria das quais são selvagens, e que incluem borboletas, aves, morcegos e mais de 20 mil espécies de abelhas.

E por falar em desenvolvimento sustentável do planeta a Kot-Kot é uma iniciativa inovadora de economia circular em Akaki Grove, na vila de Akaki, também na ilha de Chipre, liderada por Elena Christoforos, no olival e laranjal que herdou do avô e que possui certificação biológica desde 2022.

A Kot-Kot é um projeto inovador de economia circular em Akaki Grove, na vila de Akaki, liderada por Elena Christoforos, no olival e laranjal que herdou do avô. Possui certificação biológica desde 2022.
A Kot-Kot é um projeto inovador de economia circular em Akaki Grove, na vila de Akaki, liderada por Elena Christoforos, no olival e laranjal que herdou do avô. Possui certificação biológica desde 2022.

A propriedade tem 10 hectares de área, onde estão plantadas oliveiras (1000 árvores em 44 mil metros quadrados), laranjeiras (1200 árvores em 36 mil metros quadrados) e alguns limoeiros.

E qual é a inovação introduzida por Elena Christoforos, licenciada em Geografia no Reino Unido e com formação em Antropologia e Psicologia?

Recolha de resíduos alimentares

Uma das suas vocações é a permacultura, um modo de produção que deriva da expressão “agricultura permanente”. Priviliegia práticas culturais e técnicas que protegem e regeneram o ambiente, nomeadamente através da utilização de fertilizantes orgânicos, do aproveitamento de resíduos, da promoção da diversidade de culturas, da redução das mobilizações do solo, da utilização do pastoreio e dos sistemas agro-florestais.

Após vários anos a estudar e a pensar o projeto, Elena Christoforos estabeleceu protocolos com as escolas locais e com empresas, onde recolhe os resíduos alimentares, que são depois utilizados para alimentar centenas de galinhas poedeiras em fim de ciclo de postura de ovos.

Elena Christoforos explica que as galinhas “aposentam-se no olival”, onde circulam livremente e fertilizam o solo de forma natural, auxiliando no controlo de pragas e melhorando o agro-ecossistema.

Através deste modelo prático, a Kot-Kot reduz o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeito de estufa, ao mesmo tempo que promove a sustentabilidade ambiental.

Em paralelo, na exploração produziu 40 toneladas de azeite em 2024 e 22 toneladas em 2025, devido às condições climáticas adversas.

Nota Importante

* A jornalista Teresa Silveira (Portugal) viajou para o Chipre a convite da Comissão Europeia.

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