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Ondas de calor mais frequentes começam a alterar as temporadas turísticas

As altas temperaturas têm feito os turistas repensar os seus destinos e o período de viagem. Muitos estão a alterar as suas viagens devido ao calor extremo que se tem feito sentir, embora as políticas de cancelamento deem pouca margem para alterações.

ondas de calor
Ondas de calor estão a originar maior ponderação na altura de escolher o destino e a temporada para viajar.

Em meados de julho, as notícias não eram nada positivas na Europa, ocasionadas pela ocorrência de ondas de calor que condicionaram inúmeras deslocações para fins turísticos.

No Reino Unido, o calor derreteu as pistas de aeroportos e várias viagens tiveram que ser canceladas. Mais de doze estações meteorológicas em França registaram as temperaturas mais elevadas de sempre no país. Também em França, mas noutros países como Espanha, Itália, Grécia e Portugal, houve o registo de vários incêndios florestais na proximidade de áreas e atrações turísticas.

Depois de dois anos consecutivos com férias adiadas devido à pandemia, os turistas têm estado relutantes ao cancelamento de viagens em razão das condições climático-meteorológicas extremas que proliferam nas manchetes dos jornais.

No entanto, são vários os agentes do setor que relatam um número crescente de clientes que ajustaram os seus planos em função das altas temperaturas que se fizeram sentir no passado mês em território europeu. Nestes casos, as mudanças de destino, a reformulação dos roteiros matinais e vespertinos e o adiamento do período das viagens parecem ser as soluções que mais têm sido apontadas para fazer face ao calor extremo.

Tendo em consideração o ritmo e a trajetória das alterações climáticas, a transformação do setor será fundamental nas próximas décadas. Estas modificações são particularmente importantes na Europa, onde as investigações levadas a cabo por climatólogos e meteorólogos têm descrito esta região como um ‘hotspot’ de calor extremo durante o verão e onde se preveem ondas de calor mais frequentes, intensas e longas.

Novos itinerários turísticos

Mesmo com um número elevado de turistas durante este verão, existem sinais ténues de que o calor está a ocasionar mudanças capazes de se transformar numa "nova normalidade". A procura turística na Europa está a começar a estender-se para meses mais tranquilos - e também frescos - de abril, maio, setembro e outubro, levando a que muitos turistas também estejam a alterar os seus itinerários para o norte da Europa e para as regiões costeiras.

Há muitos relatos de companhias e agências de viagens por todo o mundo que receberam pedidos de clientes para alterar os seus pacotes turísticos por causa do calor. Têm sido comuns os pedidos de encurtamento de permanência em certas cidades, a redistribuição da viagem por outras cidades ou países e até a mudança de itinerário à última da hora.

A título de exemplo, ao The New York Times, Karen Magee, vice-presidente e gerente da agência de turismo In the Know Experiences, referiu que pela primeira vez receberam pedidos por chamada telefónica para trocar uma viagem.

“Não me consigo lembrar da vez em que as pessoas ligaram a dizer: ‘Talvez não iremos a Roma e optaremos por uma cidade mais perto da praia’. Ou [ainda] que talvez encurtarão a sua permanência na cidade e irão preferir circular pelo país, ao invés do que haviam planeado anteriormente”. Afirmou Magee.

Mas situações como esta proliferam, passando a ser comum nos últimos dois meses ouvir-se alguém dizer que trocou o período de férias adquiridas em Roma por Amesterdão para evitar o calor ou até que desistiram de visitar a região da Toscana em detrimento da Sicília, onde pelo menos há a brisa do Mediterrâneo.

Em Roma, as temperaturas subiram bem acima dos 37ºC no mês passado de julho.

Adaptação aos extremos de calor durante a visita turística

Sabemos que turistas e visitantes, com um menor conhecimento da cidade do que os seus residentes, e com uma atividade preferencialmente ao ar livre, são os que mais sofrem com o excesso de calor, o que, por vezes, põe em risco a sua integridade física, com insolações, desidratação e até suscetibilidade a um eventual golpe de calor.

Muitos destinos têm vindo a melhorar a informação prestada aos seus visitantes com a indicação de melhores horários para passeios ou de eventuais refúgios climáticos, onde possam permanecer nas horas mais quentes da sua jornada turística. Isto é particularmente relevante em cidades do centro e sul de Portugal e Espanha, e pensando nos verões futuros, onde será cada vez mais comum a inconveniência de estar ao ar livre entre as 11 e as 16 horas, devido ao intenso calor e à exposição à radiação solar.

Os desafios que se colocam ao setor da hotelaria e turismo

Este é um momento de viragem no setor da hotelaria e turismo. Nos países da Europa, estamos a braços com a maior seca das últimas décadas e sem previsão de remediação para os gastos excessivos com água em setores como o ligado à hotelaria e à restauração.

Em vários países, e particularmente em Espanha, começa a fazer-se difícil lidar com o calor, quando na tentativa de reduzir o consumo de energia, os shoppings, as salas de cinema, os aeroportos e outros locais não podem colocar os termostatos dos aparelhos dos ares condicionados abaixo dos 27ºC. Noutros locais, como no Reino Unido, é pouco frequente encontrar sistemas de ar condicionado em transportes públicos, como comboios, o que tem tornado particularmente difícil a deslocação dos turistas pelo país.